Opinião Joaquim Jorge: PS / Maia

A vitória de Hélder Ribeiro foi espectacular e não deixa margem para dúvidas com uma ampla maioria contra uma ex-deputada, provando que os cargos ou títulos não contam para nada. Venceu o pragmatismo e alguém que teve problemas em ser candidato em Gueifães, apesar do apoio esmagador dos militantes expresso em assembleia de militantes, a presidente da Junta. O finca-pé do anterior presidente da concelhia, que teve uma entrada de leão e saída de sendeiro, não permitindo, com a conivência do presidente da distrital do Porto, Renato Sampaio, que fosse o candidato à junta de freguesia. Todo este processo conhecido na praça pública em que se apurou que não foram cumpridos os estatutos do partido e obstruíram a que Hélder Ribeiro fosse o candidato à junta de freguesia de Gueifães. Na altura escrevi que se iria escrever direito por linhas tortas e que Hélder Ribeiro deveria ser o candidato à concelhia e procurar mudar o rumo deste PS Maia. O protagonismo que alcançou pela infame e espúria perseguição deu este resultado.

O PS na Maia nunca foi muito credível, mas as informações que transpiraram para fora deste partido sempre fechado mas que se acaba por saber tudo. Nas candidaturas para as eleições autárquicas de 2009 o PS da Maia atingiu o grau zero da credibilidade. Desde membros da Comissão Política com mandato já perdido a votarem e declarações de renúncias falsificadas a esse mesmo órgão para permitir a substituição fraudulenta, de candidatos subscritores de uma lista com declaração assinada – a aparecerem colocados na lista adversária, actas fantasma, enfim um regabofe daqueles…algo parecido com uma trágica comédia.

O problema deste PS é que venceu alguém com o apoio dos mesmos de sempre, no fundo, naqueles que desejam que tudo mude para que tudo fique na mesma, procurando manter a sua influência e poder de decisão na sombra. E, é agora também apoiado por aqueles que estavam contra ele ainda há bem pouco tempo. Não é bom agoiro mas vamos ver no que tudo isto vai dar…Espera-se gestos e não só palavras, que se fale de mudança e que adopte medidas práticas para evitar erros anteriores. Que perceba que a nossa sociedade é o lugar onde não se diz o que se pensa e nem se faz o que se diz. O PS além de autofágico tem sido ínvio e inaudito. Em vez de estarem sempre em lutas, joguinhos de bastidores e influências que tratem de fazer oposição e sejam o eco do que os maiatos ambicionam. Em vez de ter uma atitude reverencial por quem o apoiou, se liberte dessas amarras e pense pela sua própria cabeça de outra forma será mais um em tantos outros. Terá que ter uma estratégia abrangente e para lá do PS se quer ganhar  alguma coisa. Exigir que os vereadores e deputados municipais  sigam a sua linha orientadora e não o que lhes apetece ou lhe façam oposição. Se tal acontecer deverá ser-lhe retirada a confiança política. É necessária a oposição não dar a sensação de divisão mas de firmeza.

A política cada vez mais é o momento que se vive e não  seguir uma estratégia excessivamente partidária. Tem-se feito muitas coisas boas na Maia mas pode-se fazer de outra maneira e ainda melhor tudo depende como e com quem.

O PS tem de deixar de viver num proselitismo excessivo e na aplicação do princípio de Peter. Parece que não consegue dar a volta por cima e tornar-se responsável, competente e organizado. É preciso mudança nas atitudes, comportamentos no que respeita aos seus compromissos. Uma reforma profunda no seu funcionamento senão continuará a ser uma banda de cadáveres políticos ridiculamente divididos e entregues à autodestruição. Uma casta de dirigentes que vivem longe dos problemas dos cidadãos e que se marcam uns aos outros com opiniões desfasadas da realidade. O PS na Maia tem sido um ente neutro, pálido e sem identidade. É preciso rejuvenescer o partido e enraizá-lo na sociedade.

Fundador do Clube dos Pensadores