Opinião Raul Cunha Silva: 21 de Maio – Dia Mundial da Diversidade e do Desenvolvimento Cultural

No preâmbulo da sua constituição, em 16 de Novembro de 1945, ficou consignado que “a dignidade do homem exige a difusão da cultura e da educação de todos tendo em vista, a justiça, a liberdade e a paz”. Estes normativos constituem um dever indeclinável que todas as nações devem cumprir. A UNESCO faz recomendações sobre temas muito importantes que vão sendo distribuídas, segundo um calendário ao longo do ano.

O dia 21 de Maio é destinado a fazer reflexões importantes sobre a cultura, sua diversidade e desenvolvimento e o diálogo intercultural: Por cultura devemos considerar aqui o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afectivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições, as crenças e as linguagens.

O 21 de Maio convida-nos a participar em políticas e estratégias de preservação e valorização do património cultural e natural em particular do património oral e imaterial e denunciar o tráfico ilícito de bens e serviços culturais”
Convida-nos igualmente a considerar o multilinguismo, multiculturalismo, a globalização, a história, as tradições, os direitos culturais, os ainda700 milhões de analfabetos, a construção da Cidade Educativa.

A globalização, em termos de comunicação e de economia, põe à prova a sobrevivência das línguas menos influentes (centenas já desapareceram) e outras seguirão o mesmo caminho, para não falarmos do abastardamento de ideomas devido à incúria dos seus falantes e pressão dos iluminados.
Quem diz línguas diz culturas que vão sendo secundarizadas antes de morrerem com se viu no passado. Não me estou a referir expressamente aos povos já colonizados, mas aos que podem vir a ser, nos tempos hodiernos.

Neste dia, recordamos um vasto número de questões que integram a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural proclamados e adoptados pela UNESCO A Aldeia Global de que fala MacLuhan, a sociedade da comunicação e da informação
Daí que o diálogo interculturas e intereligiões seja a única maneira de as preservar e ao mesmo tempo estabelecer a paz. É que na relação de dominante e dominado são se constrói senão a guerra que se sente entre os vários fundamentalismos contemporâneos.
O diálogo interculturas pressupõe a diversidade cultural, de povos, nações e religiões. Será a única maneira de contribuir para a Aliança das Civilizações combatendo os extremismos e fanatismos e terrorismo. Mas, para isso, torna-se necessário que cada povo conheça os seus próprios valores culturais, o seu património imaterial, a sua cultura.

No âmbito do nosso espaço, tudo faremos por dar contributo aos valores culturais, a todos os valores culturais para que permaneçam vivos na memória local. O único limite a esta actuação é a execução das recomendações da UNESCO e a defesa da paz.

O Presidente do Clube UNESCO da Maia