Romancistas na escola (vídeo)


A leitura esteve em destaque no Auditório da Escola Secundária do Castelo da Maia, no final da passada quarta-feira. No encontro, os escritores Francisco José Viegas, autor do romance “O Mar em Casablanca”, e Alberto Santos, autor de “A Escrava de Córdova”, vão dar a conhecer as obras. Os nomes já são conhecidos na sociedade. Alberto Santos é presidente da Câmara Municipal de Penafiel e Francisco José Viegas fez carreira no jornalismo.

A exposição mediática dos dois escritores contrastou com a pouca adesão de alunos e professores à iniciativa. O auditório da Secundária do Castelo da Maia estava com muitos lugares vazios. Ainda assim, a directora da escola maiata entende que os mais jovens não estão desligados da leitura. “Acho que se passa uma imagem de que os jovens não lêem absolutamente nada, que esta é uma geração perdida, não perfilho dessa ideia. Em todas as gerações sempre houve alunos mais motivados e menos motivados. Penso que os jovens de agora não são piores do que os jovens há muitos anos atrás. Só que agora exige-se destes alunos outras competências, porque a sociedade está a mudar muito rapidamente”.

Um dos escritores presentes, Alberto Santos, acredita que estas iniciativas podem despertar o gosto pela leitura e quem o diz é a experiência, já que o autor de “A Escrava de Córdova” já é uma presença habitual em périplos de escritores pelas escolas. “Tenho passado ao longo destes últimos dois anos por muitas escolas e isso desde logo leva-me a concluir que as escolas querem os autores dentro das suas portas porque entendem que a presença dos autores é um estímulo à leitura, e a minha opinião é precisamente essa”, confessa o autarca e escritor.

Já Francisco José Viegas, um nome conhecido do jornalismo, considera que as escolas têm de cumprir uma função diferente da actual. “As escolas não podem ser um depósito de crianças nem fábrica de cidadãos”. Aos estabelecimentos de ensino, entende Francisco José Viegas, “falta apostarem no conhecimento e no contacto com a cultura”. Para o autor da obra “O Mar em Casablanca”, a visita dos escritores à escola serve também para que os mais novos “vejam que há gente a escrever livros”, remata, entre risos.

Pedro Póvoas