Instalações da Segurança Social da Maia sem condições para os utentes e funcionários

Um ambiente quente e abafado, um dispensador de senhas electrónico que não funciona, e muito tempo de espera. É com este cenário que os utentes da Maia se deparam quando têm que se dirigir às instalações da Segurança Social, na Praceta Engenheiro José A.M Santos, na freguesia da Maia.

José de Magalhães Inácio já tinha ouvido falar, mas não acreditava. A 17 de Maio teve necessidade de recorrer aos serviços da Segurança Social e verificou que, afinal, o que diziam era verdade. E decidiu dar a conhecer a sua experiência através da publicação de um artigo de opinião na sua página do Facebook. Com o título “Os maiatos merecem melhor e mais”, José de Magalhães Inácio conta que esteve cerca de duas horas à espera de ser atendido, num espaço “exíguo” e com poucas cadeiras para tantas pessoas que ali se deslocam diariamente. “Estava um calor horrível, as pessoas andavam fora e dentro a queixarem-se. Fui atendido por uma senhora num gabinete que não tem mais do que dois metros por metro e meio. A senhora até me pediu para aguardar um bocadinho para ir beber um copo de água, porque já não aguentava com o calor. Isto não tem ar condicionado, nem condições para os funcionários e utentes”, conta. Foi assim em Maio. No pico do Verão, a situação deverá agravar-se, uma vez que as instalações não têm ar condicionado.

Na terça-feira, PRIMEIRA MÃO pôde verificar no local o ambiente quente da sala de espera, que até nem estava muito cheia. Mas as poucas pessoas que ali se encontravam recorriam a qualquer coisa (bilhete de Identidade ou folha de papel) para fazer correr um pouco de ar fresco no rosto. Alguns saiam, mas só por alguns momentos, para não perderem a vez. É que a chamada é efectuada por uma das funcionárias, uma vez que o sistema electrónico de gestão de senhas não está a funcionar. Aliás, desde há vários meses que o dispensador de senhas está avariado, confirmaram alguns dos utentes. As senhas estão a ser entregues por uma funcionária.

Do mesmo se queixava Brilhantina Morais que, por diversas vezes, tem de recorrer aos serviços da Segurança Social da Maia. “ As condições são péssimas. Ainda aqui há dias estava calor, e estavam com as portas fechadas. Não se conseguia estar lá dentro. Chegamos aqui, e ainda temos de estar na fila à espera para a menina nos dar as senhas”.

Bloco de Esquerda questiona Governo

A falta de condições nos serviços de Segurança Social da Maia levou o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda a entregar, em 26 de Maio, um requerimento na Assembleia da República dirigido ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social.

Querem saber se o Governo “tem conhecimento da situação e se considera necessário encontrar uma nova localização que permita a actividade e permanência de trabalhadores e utentes em condições dignas”. O documento dá conta de um espaço “exíguo e abafado, sem climatização, e que é manifestamente insuficiente para dar resposta aos cerca de 400 utentes que diariamente acorrem ao serviço”.
O Bloco de Esquerda considera que as instalações daquele serviço “não oferecem condições de trabalho aos seus funcionários nem condições de permanência e atendimento aos utentes”. Uma situação que de acordo com o documento, tem originado “várias reclamações” por parte dos utentes. O requerimento foi assinado pelos deputados do BE, João Semedo, José Soeiro e Catarina Martins.

Até ao momento, não houve qualquer resposta às questões levantadas pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda. O Governo tem 90 dias para responder.
Silvestre Pereira, presidente da comissão política concelhia do BE da Maia, já teve a oportunidade de verificar no local as condições de funcionamento daquele serviço. “São horas e horas que as pessoas passam ali para pedir um documento ou um esclarecimento, e muitas outras coisas ligadas à Segurança Social. A afluência é tão grande que a loja se torna exígua e sem condições de trabalho para os funcionários”. “Urge que sejam tomadas medidas no sentido de melhorar o funcionamento do posto. Penso que os serviços públicos têm de dar o exemplo, não é só cortar nos investimentos”, acrescentou Silvestre Pereira.

PRIMEIRA MÃO procurou, através de telefone e correio electrónico, obter uma reacção do Centro Distrital de Segurança Social mas, até ao fecho desta edição, sem sucesso.

Fernanda Alves