Opinião Alvarinho Sampaio: Bem-haja, África do Sul!

11 de Julho de 2010. Terminou o «Mundial de Futebol de 2010». Terminou uma prova desportiva que, para além de ser um grande sucesso para a África do Sul, também serviu para calar os críticos que, desde sempre, auguraram o insucesso da maior prova desportiva que pela primeira vez se realizou no Continente Africano, onde ainda existe lugar para quem quiser trabalhar.

Com este êxito desportivo o povo sul-africano provou que tem capacidade para acolher e organizar outros eventos internacionais bem como mudar a imagem negativa, devida à segurança, que nos últimos anos a África do Sul angariou. O país, como foi afirmado no decorrer do Campeonato do Mundo de Futebol, ganhou a credibilidade necessária para que muitos, ao terminar o jogo entre a Espanha e a Holanda, sugerissem que a África do Sul tem possibilidades de se candidatar à organização dos Jogos Olímpicos de 2020!…
Para além das maravilhosas paisagens e das condições climatéricas do país e da elevada hospitalidade do povo sul-africano, também existem as infra-estruturas que podem fazer de qualquer cidade um palco digno para a realização de qualquer evento desportivo.

O sucesso alcançado no Mundial da África do Sul ultrapassou de longe as expectativas da FIFA – o órgão que tutela o futebol mundial. Apesar do país estar longe dos grandes centros populacionais e económicos a assistência aos jogos ultrapassou os três milhões de espectadores – o terceiro campeonato a alcançar esta marca desde que o evento se realiza. Segundo os responsáveis, a FIFA, com a percentagem na venda de bilhetes, na publicidade das marcas e na cobrança dos direitos de televisão, arrecadou mais de três mil milhões de dólares, ou seja mais de trinta por cento do que no Mundial da Alemanha, realizado em 2006.
A responsabilidade de organizar um grande Mundial de Futebol foi acrescida pelo facto dos mais incrédulos não acreditarem que, depois do Mundial da Alemanha, em 2006, seria impossível realizar outro igual. Porém, os mais crédulos ouviram e acreditaram nas palavras sensatas que Nelson Mandela então proferiu: «…a África do Sul irá organizar um Mundial de Futebol como nunca foi realizado!…». E assim aconteceu. E assim terminaram as palavras para aqueles que não acreditavam na força e no querer de um país mesclado por diversas raças e credos.

O povo sul-africano soube, com o total apoio do Governo e ao logo de quatro anos, organizar, estudar, planear e desenvolver, sem peias, o trabalho quer na construção de estádios (seis) e reconversão de outros já existentes (quatro), quer na construção de acessos rápidos aos mesmos – mais de cem quilómetros em linhas de Metro – também foram construídos, bem como magníficas estações situadas a dezenas de metros de profundidade. E nada, mesmo nada falhou para que o Mundial de Futebol 2010 fosse o melhor!
Joseph Blatter, numa conferência de imprensa realizada em Johannesburg, afirmou: «A atmosfera, os adeptos, os estádios, tudo está óptimo. Nada poderia ser melhor. Não existe um único país europeu que tenha estádios tão bons e evoluídos como estes, na África do Sul, que são verdadeiras jóias arquitectónicas!».
E, para que não houvesse dúvidas, exemplificou: «Estejam onde estiverem, os espectadores têm sempre uma visão completa do relvado!…»
Assim, na qualidade de ex-residente, apetece-me agradecer à África do Sul por ter provado, dentro e fora dos estádios, que o seu povo, pejado de tantas etnias, também sabe conviver em paz em harmonia.
Bem-haja, pois, povo sul-africano, por teres demonstrado ao mundo que se a África do Sul não é um país unido, então que país é?