Lista de espera para as hortas de subsistência

Esta Horta de Subsistência foi inaugurada em Novembro do ano passado, junto ao Mercado do Castelo da Maia. Nasceu num terreno com cerca de sete mil metros quadrados, dividido em 41 talhões de cerca de cem metros quadrados cada um. Em cada um deles há também um compostor. E ainda espaços comuns, como os abrigos, onde podem guardar os utensílios.

Resultado de uma parceria entre a Lipor e a Câmara da Maia, os acordos de utilização foram assinados por um período de um ano, com possibilidade de serem renovados por igual período. Desde que nenhuma das partes se oponha ou que a pessoa contemplada não deixe de reunir os requisitos. Por exemplo, se conseguir emprego e houver desempregados interessados, deve ceder o seu talhão.

Além de estar atenta a estes requisitos, cabe também à Lipor todo ao apoio aos proprietários dos talhões. Do feedback que o Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto recebe destes agricultores, Ana Lopes conclui que é comum a vontade de proteger o ambiente e de ter uma alimentação saudável. Nesse sentido, qualquer pessoa interessada em ter uma horta recebeu formação inicial gratuita de compostagem e agricultura biológica, mas a Lipor disponibiliza formação constante a quem o entender.
É objectivo da Lipor abrir duas hortas biológicas por ano, no sentido de “criar espaços que sejam úteis nas cidades”. Na Maia, existem três do chamado projecto Horta à Porta – Quinta da Gruta, Maia e Crestins – esta Horta de Subsistência e, mais recentemente, a Horta da Comunidade do Meilão, em Águas Santas. Para breve está também prevista a abertura da primeira Horta Empresarial, resultado de uma parceria com uma empresa, que quer distribuir os talhões pelos seus funcionários. No caso da Maia, a câmara municipal, através da coordenadora do Complexo de Educação Ambiental da Quinta da Gruta, Marta Moreira, não descarta a possibilidade de se vir a disponibilizar um espaço para uma segunda Horta de Subsistência.

Exemplo a seguir

Para conseguir responder às já muitas pessoas que estão em lista de espera, a Lipor utiliza estes exemplos para “tentar persuadir outros parceiros e outras entidades a fazerem o mesmo”, adianta Ana Lopes. Porque “adoramos vir aqui e ver as hortas como estão, completamente trabalhadas, com cor, com biodiversidade e muitos vegetais”, confessa.

“Satisfação total” é também o que sente Marta Moreira, por ver as pessoas “muito envolvidas com a horta, com o dia-a-dia das plantações e das sementeiras”. A somar ao companheirismo já criado nesta Horta de Subsistência, criada num terreno cedido pela Câmara Municipal da Maia.
Um dos objectivos das entidades promotoras era ajudar à subsistência das famílias que pudessem ter necessidade de vender alguns dos bens produzidos. Nesse sentido, a autarquia reservou um espaço no Mercado Municipal do Castelo para os utentes desta horta. “E já há pessoas a utilizar esse espaço”, assegura a coordenadora do Complexo de Educação Ambiental, apesar de não ser opção de todos os proprietários dos talhões. Até porque no caso de maiores agregados familiares, não haverá muitos excedentes.

Marta Costa