Opinião Marco António Costa: O imobilismo do PS

José Sócrates apresentou-se no debate do Estado da Nação como alguém que não se preocupa com a construção de um clima parlamentar favorável à governabilidade. O discurso do Primeiro-Ministro foi recheado de provocações a todas as bancadas parlamentares, bem ao tom da anterior legislatura.
A agravar tal comportamento regista-se o uso de elementos estatísticos de 2008, no que diz respeito à pobreza, misturados com elementos parciais, infelizmente circunstanciais, quanto ao desemprego em Junho de 2010. Escamoteou o senhor Primeiro-Ministro que os dados da pobreza de 2008 verificaram-se aquando de uma taxa de desemprego de 7%, ou seja, abaixo dos 400 mil desempregados.

Hoje, a mesma, infelizmente, é superior a 10%, pelo que mais de 150 mil portugueses estão em risco ou em situação efectiva da pobreza. Aliás, no geral, o Primeiro-Ministro gastou o seu tempo a negar a responsabilidade essencial do seu Executivo na grave situação que o País atravessa e a denegrir as propostas do PSD em matéria de revisão constitucional.

O PS, mais uma vez, revelou-se conservador e imobilista em matéria de revisão constitucional. Também no passado aquando de anteriores revisões constitucionais, o PS sempre se assumiu conservador. Recorde-se aquando da proposta do PPD, para acabar com a tutela militar do regime através da extinção do Conselho da Revolução, ou então para que terminasse a irreversibilidade das nacionalizações. Então, como agora, o PS resistiu e com isso transformou-se num travão à rápida modernização política e económica do País, atrasando-o face à restante Europa.

O PSD não falhará a missão histórica de modernizar Portugal, reformando o Estado e transformando-o num instrumento ao serviço dos cidadãos e do desenvolvimento do País.
O PS, de hoje, demitiu-se de ser uma força transformadora da sociedade, acoitando-se numa postura rezinguenta e truculenta face às propostas que o PSD legitimamente apresenta para mudar Portugal.
O PS, infelizmente, assume-se apenas como partido comentador e destruidor das propostas do PSD. Já lá “vai o tempo” em que o PS clamava por ideias e se afanava de só ele “puxar” por Portugal, criticando o PSD por não ser capaz de apresentar propostas.

É este o PS, que agora ao revelar uma infantilidade democrática, procura ultrajar todas as ideias apresentadas pelo PSD, não se coibindo de organizar campanhas desvirtuadoras do conteúdo das mesmas, recorrendo por isso à mais primária demagogia a fim de lançar o “medo” na sociedade quanto aos perigos destas novas ideias.
Este é um PS que fica para traz no andamento da História e que para a História ficará como um compasso de espera na modernidade de Portugal.

Vice-Presidente da Comissão Politica Nacional do PSD