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Cebolas são o “símbolo da festa”

A Vila do Castelo da Maia está quase em festa. Começa na quinta-feira e prolonga-se até domingo, com diversos motivos para sair de casa. Com o apoio das cinco freguesias que compõem a vila – Barca, Gemunde, Gondim, Santa Maria de Avioso e S. Pedro de Avioso – a organização deste ano esteve, sobretudo, entregue a Adriano Correia (tesoureiro da Junta de Freguesia de Santa Maria) e ao presidente da Junta de S. Pedro, Guilherme Maia.

Inaugurada a iluminação e a ornamentação, a edição deste ano das Festas de Santo Ovídio abre às 22h00 de quinta-feira, com os “Amigos do Ambiente”. Na sexta, sobe ao palco instalado no Mercado do Castelo, sobe o Grupo Musical “Concertinas Joaquim Nogueira”. Assim que foram 22h00. À mesma hora e no mesmo local, mas no sábado, actua o teclista e vocalista José Manuel Leite.

No seguimento do que foi lançado em 2009 pela comissão de festas presidida por António Carneiro, a organização manteve este ano o objectivo de dinamizar o Mercado do Castelo, fazendo deste um ponto de passagem obrigatória durante as festividades em Honra de Santo Ovídio. Não só pelos espectáculos musicais ali realizados, ou pela já habitual concentração de motas antigas do Gasómetro Motor Club do Castelo, mas também pela Feira de Artesanato que ali vai decorrer pelo segundo ano consecutivo.

No ano passado, o certame decorreu ao longo de toda a semana, sendo agora encurtado para três dias. Para vender nesta feira devem juntar -se no mercado os habituais vendedores da que se realiza todos os primeiros domingos de cada mês e outros que vêm apenas por ser fim-de-semana de festa. E, possivelmente, sinónimo de mais visitantes e potenciais compradores. A próxima oportunidade para o fazerem só terão em Outubro, já que a proximidade das festas fez com que se cancelasse a feira prevista para 5 de Setembro.

Mas não haverá apenas artesanato no Mercado do Castelo. Para repor energias ou, simplesmente, petiscar algo, o espaço estará ainda recheado de tasquinhas.

Protector dos ouvidos

Animação à parte, não há Festas de Santo Ovídio sem a passagem pelo monte com o mesmo nome. É neste castro que remonta à Idade Média que há largos anos decorre a tradicional Feira das Cebolas, certame realizado um pouco por todo o país, desde o início do século XVIII. No Castelo, a deste ano começa no sábado de manhã, assim que forem 9h00, trazendo vendedores de fora da Vila e também compradores. A manterem-se os traços originais desta autêntica “feira das colheitas”, como lhe chama José Augusto Maia Marques, do Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Maia, não deverão faltar os cabos de cebolas, também designados tranças ou réstias. Nada mais, nada menos do que o “símbolo principal desta festa”, acrescenta.

Por esta altura – sempre em redor de 24 de Agosto (Dia de S. Bartolomeu) – conta Maia Marques que o arruamento a sul do Parque de Santo Ovídio “se enchia de carros de bois, cabeçalha ao chão, cheios sobretudo de tranças de cebolas”. Completavam o cenário “moças e moços trajados a rigor, bois enfeitados, carros lavados e escovados”.

Vendas à parte, no Monte de Santo Ovídio também há música por estes dias. Primeiro, com as tradições do folclore. Depois, com o rock. O folclore é o mote para a noite de sábado, com um festival que vai juntar quatro grupos, a partir das 21h00. Para encerrar as festas, no domingo à noite, o cartaz sugere os maiatos EKUS (Ver Caixa).

Antes disso, a também já tradicional procissão e Missa Campal em Honra de Santo Ovídio, que junta os devotos no monte, em redor da capela, apesar da festa religiosa se celebrar, habitualmente, a 3 de Junho. Considerado “o protector daqueles que sofriam de doenças do aparelho auditivo”, conta a tradição que há na base do túmulo de Santo Ovídio dois orifícios “onde os surdos deveriam mergulhar os indicadores de que seguida deveriam introduzir nos ouvidos para se produzir o efeito curativo”.

Mais do que rezar e fazer ou agradecer pedidos e promessas, acrescenta José Augusto Maia Marques que a festa de Santo Ovídio (e a Feira das Cebolas) era um “fenómeno social total, tão importante para estas comunidades agrícolas”. Porque enquanto se faziam negócios – incluindo a contratação de “moços” para ajudar no ano agrícola seguinte – também se petiscava, cantava, dançava e namoriscava.

Marta Costa