Karaté: Falta de profissionalismo prejudica modalidade

O Clube de Karaté da Maia (CKM) teve uma época 2009/2010 em alta. Vários títulos nacionais e internacionais, diversos pódios e prestações de mérito em torneios espalhados por todo o globo.
O presidente do CKM, António Moreira, está “satisfeito” com os resultados alcançados e salienta o colectivo. “Do ponto de vista individual foi óptimo, mas do ponto de vista colectivo também. Quando se aposta na formação estes resultados só podem ser óptimos. Claro que nas provas individuais vem ao de cima o trabalho realizado em conjunto, mas o importante é a equipa, um conjunto vasto de atletas de vários escalões. Claro que sobressaiu muito os excelentes resultados individuais. Continuamos a ser equipa em Portugal com mais títulos arrebatados. Isso dá-nos azo a continuar com esta política formativa”, afirma.
António Moreira afirma ainda que querem fazer “melhor na próxima época”, até porque com as boas prestações “a responsabilidade aumenta”. O dirigente do clube maiato reitera a aposta na formação porque considera que o futuro do CKM passa por aí. “Já estamos a apostar nos miúdos há algum tempo e com frutos. Ainda recentemente enviámos uma equipa a Itália para apreender metodologias de ensino diferente. Estamos satisfeitos com o resultado e são iniciativas para manter”, justifica.
Alguns karatecas maiatos têm sido presença assídua em representação de selecções de regiões fora do país. António Moreira congratula-se com esses convites: “É o reconhecimento do trabalho que temos feito. Foram vários os atletas que participaram em torneios fora do país e com excelentes resultados. É algo que queríamos manter mas estamos sempre dependentes da Federação porque eles são internacionais e têm calendários a cumprir”.
O presidente do CKM queixa-se também da “falta de profissionalização do karaté” que pode prejudicar a modalidade e até perder atletas: “É impossível fazer vida do karaté. Já há alguns torneios com prémios mas são poucos. Os atletas têm muitas vezes que abandonar os estudos e muitos não estão dispostos a fazer isso. Por exemplo a Inês Rodrigues, medalhada nos Europeus e Mundiais, acabou agora o secundários e vai entrar na faculdade mas ainda não sabe se será aqui ou Espanha, ou até em França. Ela é uma potência que se pode perder”, atira António Moreira.
Outras das queixas do dirigente maiato é o facto do karaté não ser modalidade olímpica, algo que, segundo António Moreira poderá mudar em breve: “Na última selecção para novas modalidades olímpicas, o karaté passou com distinção nos primeiros cinco requisitos mas depois, por motivos economicistas, não conseguiu chegar ao fim. Eu não entendo como é que, por exemplo o Râguebi de Sevens pode ser modalidade olímpica e o karaté, que até é uma prática recomendada pela comunidade médica, não é. Mas agora com a entrada de marcas desportivas associadas ao karaté essa situação mudará em 2016”, conclui António Moreira.

André Cordeiro