CCDR-N defende antecipação de aumento do aeroporto

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Carlos Lage, desafiou a ANA – Aeroportos de Portugal a antecipar as obras de aumento da capacidade do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, em Pedras Rubras. Carlos Lage considera que chegou a hora de pensar na expansão do aeroporto.

As declarações foram feitas na semana passada, no final de uma reunião da Comissão Directiva do Programa Operacional do Norte (ON.2), onde foi analisado um relatório recente da ANA que prevê que o aeroporto atinja os cinco milhões de passageiros até ao final deste ano, um ano antes do que estava previsto.

O plano de expansão do aeroporto Francisco Sá Carneiro prevê obras de aumento da capacidade de 20 para 29 aeronaves, por hora. Prevê também atingir os seis milhões de passageiros por ano. Números que, segundo o presidente da CCDR-N deverão ser atingidos já no próximo ano.

“Se o engenheiro Carlos Lage diz isso é porque tem números para afirmar o que está a dizer”, sublinha o presidente da Câmara Municipal da Maia, Bragança Fernandes. Acha “muito bem” que o aeroporto seja aumentado “porque é uma grande infra-estrutura para a Maia e para o Norte porque o aeroporto é um dos equipamentos mais importantes que temos aqui na Área Metropolitana do Porto”.

No entanto, o edil da Maia diz que aquilo a que tem assistido é a voos a “fugir diariamente” para Lisboa. “Qualquer dia o aeroporto Francisco Sá Carneiro é um aeroporto de terceira ou de quarta porque é só low cost a aterrar a todo o momento. Ainda na semana passada tinha que ir a Madrid e tive que ir apanhar voo a Lisboa e quando quero ir para determinados locais da Europa, tenho que ir apanhar avião a Lisboa”, justifica.

Promessas não cumpridas

Bragança Fernandes apela a que sejam colocados, a partir do Porto, “mais voos da TAP, mais voos de companhias europeias para podermos voarmos para a Europa sem termos que ir a Lisboa”. Só espera, acrescenta, é que não se trate de uma manobra “para dizer que o aeroporto da Portela está saturado, para terem uma justificação para construírem um novo aeroporto”.

Mas o edil gostava que a ANA cumprisse, “em primeiro lugar”, com o que assumiu com a Câmara Municipal da Maia, ou seja, com o que está definido no Plano Director. “Existem vários arruamentos que devem ser feitos, há alinhamentos de estradas que não foram feitos, há obras de acessibilidades que não foram feitas”, enumera. “É importante para que as pessoas que se deslocam ao aeroporto tenham as mesmas acessibilidades das pessoas que vão ao de Lisboa, sem ser pela A41 que é onde o Governo que começar a cobrar portagem. As estradas que circundam o aeroporto são autênticas vielas, sem qualquer dimensão longitudinal digna porque não cruzam dois camiões”.

Ainda em relação aeroporto, o autarca lamenta que a ANA não trate do licenciamento dos cafés e dos restaurantes que existem dentro do aeroporto. “Eu não entendo como é que enquanto qualquer café ou restaurante que queira abrir na cidade da Maia ou qualquer outro concelho tem que ir à Câmara Municipal pedir um alvará, a ANA sendo uma empresa do Estado, não se preocupe com essa situação”. Inclusive, acrescenta, “a ASAE já foi a esses cafés, já os multou e continuam na mesma por licenciar”.

Em jeito de alerta, Bragança Fernandes diz ainda esperar que esse eventual aumento do aeroporto não venha colocar em causa obras que considera importantes para a população, “como a tão prometida linha do metro até à Trofa, que estava na primeira fase, passou para a segunda e parece que não passou para mais nenhuma fase”.

Isabel Fernandes Moreira