Pedrouços é “uma freguesia nova em tudo”, diz o presidente da junta

Pedrouços é uma freguesia jovem. Conta com 25 anos de idade. O aniversário comemorou-se a 9 de Julho. São 25 anos de demarcação da freguesia vizinha de Águas Santas e que garantem autonomia à freguesia que é uma das portas de entrada do concelho da Maia. Hoje com uma forte componente habitacional, ainda consegue preservar algo da antiguidade que caracteriza muitas das outras 16 freguesias do concelho. Umas mais, outras menos, é certo. Nada escapa ao progresso, mas em Pedrouços faz-se um esforço para que a novidade conviva com a tradição. Um quarto de século pode parecer pouco, mas a freguesia já tem muito para contar.
Uma das vozes com mais histórias para transmitir esteve e está ligada à freguesia desde o início, e agora com mais responsabilidades. Trata-se do actual presidente da Junta de Pedrouços, Joaquim Araújo. Eleito a 11 de Setembro do ano passado com uma das maiores votações no PSD na freguesia, sucedeu a Abílio de Sousa no comando dos destinos de Pedrouços. Tomou posse em Dezembro último e até agora tudo está a “correr bem”, confessa o autarca. Nas próximas linhas, vamos mergulhar na realidade de uma freguesia que se confunde com a malha urbana da cidade invicta, separada do Porto pelo verdadeiro “rio urbano” que é a circunvalação. Vive paredes-meias com a movimentada Areosa e é ponto de passagem para muitos viajantes que se deslocam nas mais variadas direcções. Sempre foi assim, mas agora o crescimento habitacional dita que os problemas se agravem.
Um dos “dissabores” da freguesia continua a ser a acessibilidade. Mas já lá vamos. Primeiro, um balanço desta quase dezena de meses que Joaquim Araújo leva como comandante de um barco chamado Pedrouços rumo ao porto do desenvolvimento. Um balanço que o autarca considera “bastante positivo”, embora confesse que “gostaria de ter feito muito mais”. Diz também o presidente em primeiro mandato que “a população até agora tem gostado do que temos feito”. E por que razão não houve mais obra? A resposta é rápida: “os meios, toda a gente os conhece, já se sabe que são poucos, temos as nossas limitações”. Apesar dos entraves, garante Joaquim Araújo que o executivo tem “energia, tem vontade. Este é o primeiro ano mas já temos projectos para o próximo ano mas vamos continuar a trabalhar com todo o afinco”.

Ampliação do cemitério

Uma das próximas obras passa pela ampliação do cemitério, algo que Joaquim Araújo entende como “absolutamente prioritário”, assim como a construção de novas ossadas, porque o actual espaço “está no limite”, revela o autarca. No limite podem estar também as águas que vão começar a correr em força durante o próximo inverno, que está cada vez mais próximo. O anterior período de invernia foi quase catastrófico para alguns habitantes de Pedrouços e a época de chuvas foi notícia pelos piores motivos, com maior incidência em habitações que vivem paredes-meias com vias como a A4 ou a A3. Situação que é pouco provável que se repita durante este ano ou no início do próximo. “Já estão a ser construídas condutas de água na rua Gonçalo Mendes da Maia”, garante Joaquim Araújo. Falta apenas a rua Feliciano Castilho, mas o presidente da junta garante que todos os passos estão a ser dados para que a freguesia não fique com água pelo pescoço.
O sector da cultura também não ficou esquecido. Em breve vai nascer uma biblioteca na Junta de Freguesia de Pedrouços, fruto da recolha de livros por toda a freguesia. Outra das preocupações continua a prender-se com as crianças e idosos. Garante Joaquim Araújo que o apoio às escolas continua e lembra a abertura do centro de convívio no antigo edifício da junta de freguesia.

E já que falamos no antigo edifício da junta, vem-nos à memória o antigo executivo de Pedrouços, liderado por Abílio de Sousa, a quem Joaquim Araújo sucedeu. Sucessão que o actual presidente garante ter sido fácil porque a população de Pedrouços já o conhecia. “Antes de eu ser candidato, as pessoas já me vinham aliciando para eu me candidatar à junta. Foi até com algum entusiasmo que as pessoas viram esta candidatura. Foi a maior votação de sempre num só partido nesta freguesia. Isso mostra que a população também desejava alguma mudança. Muito tempo no mesmo lugar também vai desgastando”. Desgaste a que Joaquim Araújo naturalmente não está imune porque nas palavras do autarca “ninguém escapa a isso”. “Um dia também vou ter de ceder o lugar”, confessa. A questão do “desgaste autárquico” levou a conversa à lei dos mandatos. Joaquim Araújo concorda com a actual legislação. “Não faz sentido estarmos a ocupar um lugar só para decoração. É assim que eu vejo as coisas”, confessa. Cada autarca só pode estar 12 anos no poder. Joaquim Araújo, quando questionado se pretende estar essa dúzia de anos à frente da freguesia de Pedrouços, é peremptório: “ainda é muito cedo para responder a isso, porque ainda estamos no início. Nós somos movidos pela vontade de fazer obra e às vezes temos fronteiras pela frente que têm de ser ultrapassadas. Eu estou neste projecto para melhorar a freguesia. Se virmos muitas barreiras e olharmos para um mandato e não virmos obra, isso quebra a nossa vontade. Eu gosto de trabalhar, mas não gosto de me manter num lugar só por estar. Tudo vai depender dos apoios e dos investimentos que vão ser feitos na freguesia”, revela.

Uma freguesia “nova em tudo”

Com 25 anos, “Pedrouços é uma freguesia nova em tudo”. São as palavras do actual presidente da junta, ao olhar para o último quarto de século da terra que há muito acompanha de perto. Uma freguesia que concilia a forte aposta no sector da habitação com a traça antiga das ruas tradicionais da freguesia. Uma freguesia que, neste momento, tem quase tudo. Quase porque ainda faltam estruturas desportivas. Foi inaugurado, o ano passado, um polidesportivo junto à escola secundária mas ainda são necessárias mais obras, no entender de Joaquim Araújo, como é o caso de um pavilhão gimnodesportivo “para dar apoio às colectividades da freguesia, que são muitas”, confessa o autarca. Além do pavilhão, também é necessária a construção de piscinas para usufruto dos fregueses. Outra das obras em falta na freguesia diz respeito aos acessos viários, que há muito estão a rebentar pelas costuras, fruto da proximidade com a cidade do Porto e com os municípios de Matosinhos, Valongo e Gondomar. “Entrar na freguesia a sul é muito difícil. Devia ser criado um acesso digno. A nascente, para o concelho de Gondomar, devíamos criar um bom acesso e temos condições para o fazer. A norte, temos o começo de um troço que foi feito na Rua António Castro Meireles, mas que ainda está por concluir. Temos todos os dias a passar por Pedrouços milhares de viaturas e por isso os acessos são fundamentais”. Outro tipo de acessibilidades, mas desta vez para os pedestres, prende-se com os passeios para peões, onde “há muito a fazer”, diz o presidente da junta. Esse problema e o das passadeiras são aqueles mais “urgentes” para ser solucionados, porque “está em causa a segurança das pessoas”, diz Joaquim Araújo.
Na educação e na segurança, o presidente traça um cenário optimista da freguesia. A esquadra do Alto da Maia viu o seu efectivo ser reforçado recentemente e a resposta a Pedrouços é “muito boa”. Em relação ao parque escolar, Joaquim Araújo entende que todas as carências da freguesia estão supridas neste momento, não havendo necessidade de melhorar, pelo menos a curto prazo. A freguesia também goza de “boa saúde”, com o Centro de Saúde de Pedrouços a funcionar em pleno e sem falhas.

A identidade de Pedrouços

Pedrouços é, como já foi dito, uma freguesia “encravada” entre o Porto, Valongo, Gondomar e Matosinhos. Cresceu muito nos últimos tempos e esse aumento substancial de população podia, eventualmente, levar à perda de identidade da freguesia. Fenómeno que não se verifica em Pedrouços, onde continua a haver muito movimento de proximidade e de identidade. Prova disso são as festas em honra de Nossa Senhora da Natividade, que se comemoraram no último fim-de-semana. “Mais um sucesso. Correu tudo muito bem”, adianta Joaquim Araújo, também presidente da comissão de festas. A identidade permanece… e é cada vez maior. “Eu acho que as pessoas cada vez mais se identificam com a freguesia. Nesta altura das festas as pessoas sentem um orgulho de ser de Pedrouços. Vêem a acontecer obras importantes na freguesia e mostram-se contentes com a freguesia e com a acção do executivo”.

O futuro

Embora já tenha dito que não sabe se continua à frente da freguesia durante 12 anos, Joaquim Araújo promete muito trabalho para o resto deste mandato. Garante que tudo está a ser feito para construir uma freguesia melhor, em colaboração estreita com as muitas colectividades da freguesia, com quem a junta trabalha regularmente. Um quarto de década. Juventude que dá a Pedrouços e a Joaquim Araújo um “alento especial” para continuar rumo ao futuro.

Pedro Póvoas

3 respostas
  1. José Faria
    José Faria says:

    A freguesia de Pedrouços é jovem na idade mas históricamente velhinha, enquanto terras de Petrauzos ou Pedrozos.
    Gosto muito do meu amigo Joaquim Araújo, presidente da minha autarquia, que apoiei e apelidei na campanha de “Presidente de todo o terreno”; mas discordo da afirmação de que o meu amigo Presidente da Junta seja “uma das vozes com mais histórias para transmitir sobre Pedrouços”. – Até eu que cá nasci, me sinto ofendido. Eu que cá nasci e cá vivo, atento e colaborante na divulgação da minha terra, e que tantas vezes fugi ao seu sogro, e a outros lavradores por andar de pé descalço a roubar fruta para matar a fome.
    Por acaso há muito que lamento a substimação sobre aqueles com os quais muitos, até presidentes, poderiam aprender.
    Quanto a desgaste, ele só acontece quando os elementos de qualquer executivo vai andando, correspondendo e entretendo nas calmas.Mas se deles houver uma constante presença junto da população e se forem constantemente inovadores com respostas as necessidades dos seus fregueses, não há desgaste.
    Quanto a Piscinas, estou a lembrar-me de uma afirmação ainda no executivo anterior: – “Para quê uma piscina em Pedrouços se temos duas em Águas Santas!?…”
    Muito mais teria para opinar e informar, mas isso só tem interesse quando há realmente interesse em aprendermos uns com outros e ajudar-mo-nos mutuamente em prol da terra e da gente de que somos parte integrante.

    Pedrouços em termos culturais, continua a deixar tudo por fazer, porque a ideia de quanto mais pobres e divididos … melhor!
    Para quem gere e manda!

    Abraço à minha terra e à minha gente!
    José Faria

  2. Pedro Póvoas
    Pedro Póvoas says:

    Caro,

    “uma das vozes” foi assim escrito porque obviamente que não é a única. Todos os comentários são bem-vindos. Não era minha intenção ofender os pedroucenses.

    Cumprimentos,

    Pedro Póvoas

  3. José Faria
    José Faria says:

    Pedro Póvoas, Olá. Acho que não ofendeu ninguém e eu mesmo tenho e sempre tive orgulho na minha freguesia, e admiro muito o novo execurivo da minha Junta de Freguesia e o meu amigo presidente Sr. Joaquim Araújo.
    Claro que em termos culturais e de divulgação da história, reconheço (é a minha opinião pessoal) poderia haver mais. No próprio Site da Junta bem que poderia constar mais histórias da história de Pedrouços.

    Também reconheço que não fúi muito feliz num ou noutro parágrafo deste meu comentário porque me deixei levar por alguma emotividade.
    Mas isso só acontece a quem escreve.
    Respeitosos cumprimentos e continuação de bom trabalho.

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