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Hipers ao domingo: “o bloco central funciona”

PS e PSD estão unidos. É esta a posição da Comissão Concelhia da Maia do PCP sobre a abertura dos hipermercados ao domingo. Em comunicado, os comunistas lamentam “a incapacidade do executivo camarário em se impor perante as exigências dos grandes grupos empresariais”. Quem fica a perder, no entender do PCP Maia, é o comércio local e os trabalhadores, que assim perdem um dia de descanso.

Mas a concelhia da Maia do PCP vai mais longe. Diz que o Governo Central se “descartou” da responsabilidade da medida, incumbindo as autarquias de decidir se os “hipers” abrem ao domingo ou não. No caso da Maia a resposta será, ao que tudo indica, positiva, com o argumento de criar mais postos de trabalho. A coordenadora concelhia do PCP, Lurdes Rocha, defende que o aumento de emprego é falso e o que se passa é exactamente o contrário: “aumenta o desemprego e diminui os postos de trabalho”, adianta a responsável. Lembra também que “os pequenos comerciantes têm cada vez mais dificuldades”. Em relação às grandes superfícies, Lurdes Rocha garante que “não vão empregar mais ninguém, mas sim aumentar o trabalho precário. Vão aumentar os ‘ganchos’ que às vezes são feitos. Isso até lhes vai tirar o direito ao fundo de desemprego e a outras prestações que teriam se tivessem noutra situação diferente”, considera.

“Embora tenham dito que vinham a terreiro ouvir as forças vivas, a verdade é que se apressaram logo a aprovar a abertura das grandes superfícies ao domingo”, lembra Lurdes Rocha, referindo-se ao executivo camarário da Maia. “Isto é uma rendição aos grandes grupos económicos que na Maia têm várias superfícies comerciais, e algumas nem têm o número de clientes que seriam desejáveis e mesmo assim continuam a proliferar”, acrescenta a responsável concelhia.

O cenário não é animador, na opinião do PCP. “Não se criam postos de trabalho. Ficamos cada vez mais pobres”. Lurdes Rocha estranha também a “cumplicidade” entre a Câmara Municipal da Maia e o Governo. Lembra as diferentes cores políticas das duas entidades e é peremptória ao dizer que “o bloco central funciona. PS e PSD, nas coisas essenciais contra os trabalhadores, contra as populações, unem-se. Formam uma só voz”, conclui.

Pedro Póvoas

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