Opinião Eric Rodrigues: “Um funeral com data anunciada”

Portugal atravessa hoje um dos momentos mais difíceis da sua história moderna, e esse facto está hoje duramente presente em praticamente todas as frentes da nossa vida.
Para a nossa geração, a palavra “crise” acaba por perder carga dramática devido ao facto de ser usada constantemente ano após ano para justificar o já evidente descalabro de um modelo de Estado falido e obsoleto, fundado entre gritos de liberdade e cravos vermelhos. Fomos infelizmente habituados à ideia que a crise faria sempre parte da nossa vida e crescemos com a certeza que o nosso futuro estaria naturalmente hipotecado à custa do desgoverno da despesa pública. Fomos ensinados que muito possivelmente não teríamos acesso a reforma, porque o “sistema” estava dia após dia a ficar desequilibrado e a caminhar para uma mais que evidente falta de sustentação.

Foi dito um dia à minha geração que teria que pagar com os seus impostos o Sistema Nacional de Saúde e o Sistema Nacional de Educação, que esperar infindavelmente por uma consulta num hospital público era fruto da sua saturação e que os nossos colegas menos aplicados ao passarem de ano nos iriam favorecer nas estatísticas da Europa.
Um dia disseram-nos que iríamos ter que pagar mais impostos, mas que teríamos em troca novos e modernos estádios de futebol e um TGV que nos levaria a Lisboa em duas horas. Era preciso fazer sacrifícios, porque agora sim, a nossa vida iria mudar!
A nossa geração assiste, impávida e adormecida…

A factura agrava-se ainda mais, quando nos disseram recentemente que com este novo Orçamento de Estado, os sacrificios teriam de ser aumentados a bem da “salvação nacional”. Eu faço parte de uma geração que já nasceu endividada e é hoje obrigada a comprometer o seu futuro para salvar a sua pátria. É dificil fazer entender hoje a um jovem, que trabalha 5 meses do ano para pagar impostos ao Estado que será difícil encontrar condições nos próximos anos para poder sair de casa dos pais e constituir a sua própria família.
Este Orçamento de Estado, mais do que comprometer o futuro de milhares de empresas e famílias, compromete a felicidade de uma geração que em nenhum momento da sua vida viveu um dia sem ouvir as palavras “crise” e “sacrifício”.

É preciso reformar urgentemente o papel do Estado nas nossas vidas e reduzir de uma forma descomplexada o seu tamanho e a sua necessidade grotesca de consumir recursos aos contribuintes para continuar vivo. Será que precisamos mesmo de tudo o que o Estado alega hoje fornecer aos portugueses? A minha geração está disposta a dizer não!
Estamos fartos de ver a nossa vida a ser programada friamente pelos sucessivos Planos de Estabilidade e Crescimento que este governo encontra como solução para a sua falta de capacidade de prever o futuro e de analisar a conjuntura nacional. Somos uma geração que anseia ainda pela tal liberdade que nos venderam nas aulas de história do ensino secundário.

Uma geração só é livre, quando só depende dela para decidir o seu futuro.
Queremos um país em que o fruto do nosso trabalho seja uma mais valia para nós próprios, e por consequência, que através da iniciativa individual e da nossa força de trabalho se gere ainda mais riqueza e emprego, sem que o Estado nos penalize por isso.
Queremos um país que acredite na sua justiça e nas suas forças de segurança, que tenha orgulho nas sua empresas e nos seus empreendedores. Um país que ofereça a possibilidade da minha geração poder realizar os seus próprios sonhos, em vez de trabalhar toda a sua vida para soldar as dividas dos sonhos dos seus antecessores.

Caminhamos para um funeral com data anunciada…
Acredito convictamente que a aprovação deste orçamento provocará mais tarde ou mais cedo a queda do actual governo. Não por uma eventual falha negocial do ponto de vista político, mas por uma inevitável revolta social que advirá por consequência.

Militante do CDS/PP