“Estamos em tempo de vacas magras e algumas das iniciativas vão ter de ser reduzidas”

Depois de concluída a Casa Mortuária de Folgosa, uma necessidade premente, o presidente da Junta de Freguesia aponta a ampliação do cemitério, a construção de um novo centro escolar e a requalificação da principal via da freguesia como prioridades. Luís Cândido Sousa pede ainda a compreensão da população para alguns cortes que vai ter necessidade de fazer.

PRIMEIRA MÃO – Há cerca de duas semanas foi inaugurada a Casa Mortuária de Folgosa, era uma obra que ansiava ver construída, isso quer dizer que praticamente um ano depois da tomada de posse para um novo mandato, aí está a sua primeira conquista?
Luís Cândido Sousa – É uma das obras que eu tinha perspectivado para a minha freguesia. Era uma carência que a minha freguesia tinha porque, devido à sua dispersão, tornava-se muito difícil efectuar cerimónias fúnebres em Folgosa, nomeadamente o levantamento dos corpos nas três capelas existentes e depois os cortejos fúnebres, o que hoje em dia também já não se usa muito, através das artérias da freguesia. A Casa Mortuária veio, de certa maneira, dignificar todo esse ritual e veio, de certa maneira, colmatar uma lacuna que a freguesia tinha.

Foi uma obra pensada por uma arquitecta da Câmara Municipal da Maia, gostou do resultado final?
Sim, gostei. A arquitecta Susana Carvalho teve uma visão futurista. Foi uma obra que dignificou todo aquele espaço e zona envolvente. A junta freguesia teve uma participação de umas quatro ou cinco dezenas de milhar de euros e o restante coube à Câmara Municipal. É uma obra que no local onde está inserida muito dignifica a nossa freguesia.

No fundo, veio também requalificar toda aquela zona envolvente?
Sim, nota-se que aquela área está mais organizada e não há locais vazios, nem desaproveitados. Está tudo muito bem e juntou-se o útil ao agradável naquele terreno, em que também se criou um estaleiro para a junta de freguesia, que também não tinha. Foi quase que um dois em um. No entanto, há muitas outras obras que eu gostaria de ver realizadas e tudo farei para levar de vencida algumas delas.

Uma delas é a questão do alargamento do cemitério?
Sim e, aliás, o senhor presidente, quando da cerimónia de inauguração da Casa Mortuária, deu-nos a boa notícia, de que havia um despacho favorável do secretário de Estado da Administração Interna a autorizar a posse administrativa dos terrenos. Foi feito um processo de expropriação porque os herdeiros não se entendiam entre eles e muito menos para cederem o espaço à junta. E como último recurso tivemos que partir para a expropriação. Agora, há todo um processo que tem que se levar, como é a feitura do projecto, que julgo estar mais ou menos alinhavado, depois o lançamento da obra em concurso público para ver se resolvemos uma falta na nossa freguesia de há muitos anos, mesmo antes de eu chegar à junta já era latente.

Já há falta de espaço no actual cemitério?
Há muita dificuldade e a lista de espera dos familiares para adquirirem os terrenos onde têm os entes queridos também é enorme. Acontece que Folgosa é uma freguesia com um índice sénior bastante grande e dificulta a qualquer presidente de junta a sepultura dos corpos. Temos conseguido. Mas neste momento teremos meia dúzia de sepulturas disponíveis para sepultar. Não teremos muito mais.

Outra das obras que gostava de ver concretizada e da qual já demos conta em conversas anteriores, é a construção de um centro escolar em Folgosa.
Sim, é verdade. A câmara já propôs duas candidaturas ao QREN, só que o número de miúdos em idade escolar e pré-escolar e candidatos, é bastante diminuto e as candidaturas foram reprovadas. Como tal, a junta de freguesia ao saber destes pressupostos está a levar a cabo um levantamento demográfico de todos os miúdos com idade escolar e candidatos a para ver se a próxima candidatura é uma realidade. Folgosa tem três centros escolares. Um é mais ou menos aceitável, mas está a abarrotar porque onde há boas instalações toda a gente quer e toda a gente se candidata, e tem dois centros escolares – o da Igreja, já é um edifício centenário, não é um edifício actual, moderno e funcional para as necessidades de hoje; e o de Vilar de Luz vive uma situação que segundo a lei que o Governo implementou terá que fechar porque não reúne em idade de primeiro ciclo 20 alunos e numa turma tem os quatro anos e a distracção não leve a que tenham o aproveitamento que seria desejável.

Com esse levantamento pretendem saber o número ao certo de crianças que existem em idade escolar?
Exactamente e para, de certa maneira, ajudarmos à candidatura com números porque, hoje em dia, discutem-se muito os números e fala-se muito em números Queremos mostrar a quem de direito que é urgente a construção e não é de todo despropositada a criação de um centro escolar.

A ideia seria criar um centro escolar e encerrar as duas escolas – Igreja e Vilar de Luz?
Seria unir os miúdos dessas duas escolas e muitos outros que estarão em outros centros escolares fora da freguesia e que nós bem conhecemos e que devido ao trabalho dos seus pais, devido, se calhar, a melhores condições em outros estabelecimentos saíram de Folgosa e estão em outras escolas. Isso é conhecido.

Vertente Social

No início da nossa conversa disse que há uma série de obras que gostava de concretizadas, para além daquelas de que já falamos, o que é que gostava de ver concretizado na sua freguesia?
Já falamos que algumas durante esta conversa. Eu fui um candidato que nunca me propus prometer muito porque a conjuntura não era propícia a grandes obras, emblemáticas e o orçamento de uma junta não permite acalentar essas hipóteses de fazermos, por iniciativa própria. Temos sempre de estar à espera da colaboração, sempre positiva, da câmara municipal. No entanto, gostava de dizer que um presidente de junta que se preze de o ser, não pode olhar só para obras emblemáticas porque há outros problemas que são desconhecidos das pessoas e que são resolvidos. Lembro-me, por exemplo, da vertente social. Folgosa estava despida de todas essas iniciativas. Neste momento tem-nas quase todas. Faz parte da Comissão Inter Freguesias Maia Leste que inclui também Silva Escura, S. Pedro Fins e Nogueira, temos reuniões mensais e temos iniciativas muito válidas. Já comemoramos duas vezes o Dia Mundial do Coração, na semana passada comemoramos o Dia Mundial da Diabetes, temos uma série de palestras pelas quatro freguesias com pessoas credenciadas na saúde, temos feito um levantamento das pessoas idosas e isoladas. Há sempre um trabalho que não aparece em grandes manchetes, mas que nós presidentes vivemos com ele diariamente e, cada vez mais, nós que somos a entidade mais próxima do freguês, somos onde eles vão muitas vezes depositar as suas dificuldades. Nós não temos o condão de resolver todos os problemas mas procuramos minimizá-los dentro das nossas possibilidades. Tudo isto é muito bonito, mas nós temos uma austeridade aí à porta e todas as freguesias a vão sentir porque o Fundo de Financiamento das Freguesias vai fazer o corte, não sei a Câmara da Maia o irá fazer, o senhor presidente em princípio pensa que não o irá fazer, mas temos que perspectivar um futuro mais ou menos difícil porque paralelamente às obras emblemáticas que todos os presidentes gostariam de ter, também há a vertente social que, cada vez mais, é necessária e agudiza-se cada vez mais.

Essa vertente social de que fala é desenvolvida no âmbito dessa comissão inter freguesias?
Sim, parte delas. Outras são da iniciativa da junta de freguesia, embora a minha freguesia seja ainda bastante rural, mas não deixa de ser freguesia e, se calhar, as necessidades não são tão visíveis porque toda a gente tem um meio de subsistência, precário ou não, mas tem-no. Felizmente já temos habitação social em Folgosa e em alguns casos nós vemos que as dificuldades são emergentes.

Têm surgido pedidos de ajuda na Junta de Freguesia de Folgosa?
Para ser muito sincero, surgiram meia dúzia de casos. Mas são pedidos pontuais, em que de facto há uma necessidade premente e se a junta tiver possibilidade naquele momento de colaborar, com certeza, colabora. No entanto, as juntas de freguesia encaminham tudo para a Segurança Social e para a Câmara Municipal da Maia que têm programas que abrangem algumas necessidades dos nossos munícipes.

Já que falou em orçamento, a Câmara da Maia deve estar a ultimar o seu, houve alguma conversa consigo no sentido de saber o que era prioritário para Folgosa?
O presidente da câmara tem tido essa preocupação junto dos presidentes. Este ano, por acaso ainda não conversou sobre o assunto. Agora, enquanto presidente da Junta de Folgosa gostaria de ver concretizada muita coisa e tudo resolvido no imediato. Mas também tenho consciência de que nos dias de hoje é francamente difícil fazer isso. Há uma obra que eu gostaria que a câmara municipal fizesse porque é uma obra sua, que é o arranjo, a repavimentação da rua Central da freguesia porque em toda a sua extensão, desde S. Romão do Coronado, na Trofa, até Ermesinde, em Valongo, atravessando a freguesia de Folgosa e S. Pedro Fins, a rua central está degradada ao máximo. É um dos reparos que nós temos em mente que gostaríamos que a câmara, nessas empreitadas que tem feito, reparasse com mais olhos de ver aquela zona do concelho porque as freguesias limite são, normalmente, mais prejudicadas, até porque o grande índice populacional está mais centrado na sede do concelho porque tem todas as comodidades e mais algumas e as freguesias de limites, ou de fronteira têm essas dificuldades. Enquanto presidente de junta, eu gostaria que a câmara retractasse lá a entrada no concelho. Quem diz Folgosa diz outras freguesias na mesma situação.

Mas se formos comparar com Pedrouços e Águas Santas, que são também freguesias de fronteira, ou até mesmo Vila Nova da Telha, o tratamento é diferente daquele a que se assiste nas freguesias de Maia Leste?
Mas eu também acredito que as freguesias que apontou, demograficamente são muito grandes, têm muitos habitantes e a vida política é assim mesmo, onde estiverem as pessoas é onde vamos tentar melhorar as condições de vida dessas pessoas. Folgosa é muito grande mas tem um índice demográfico muito baixo. No entanto, tem, no seu território, algumas obras que o nosso concelho se congratula de ter. O caso do aeródromo de Vilar de Luz, que fica numa das entradas do concelho. Eu entendo que, e quando se diz, e não disse que estava de acordo essa frase que vou dizer mas respeito-a, agora quando diz que a Maia está um passo à frente do seu tempo, eu se calhar poderia perguntar: em que zonas, em que sítios, em que condições, em que segmentos. Eu acredito que a Maia tenha excelentes edifícios de educação, mas também tem outros que são menos excelentes, ou são precários. E não é só em Folgosa, vemos que as freguesias norte leste do concelho que lutam diariamente com essas situações. No fundo, estamos a falar num período de tempo que nos obriga a muitas restrições, estamos a falar num período de tempo em que a conjuntura nacional e concelhia não é das melhores, portanto, temos que nos sujeitar e pensar que melhores dias virão e, com certeza, essas lacunas irão ser salvaguardadas.

O arranjo da via principal de Folgosa era o que gostava de ver concretizado, a curto prazo e integrado no Plano de Actividades e Orçamento para 2011?
Sim, gostaria que a câmara olhasse para aquela via com olhos de ver porque é uma via que de segurança não tem nenhuma devido à sua pouca largura passeios não existem, colectores de águas pluviais não existem. A intervenção para a colocação de infra-estrutura como gás, água, levou a aluimentos, altos e baixos naquele pavimento. Portanto, seria uma obra para a qual gostava que a câmara olhasse com olhos de ver.

E como vai ser o orçamento da Junta de Freguesia para 2011?
Peço a compreensão dos meus fregueses para o facto de estamos em tempo de vacas magras e algumas das iniciativas irão ter que desaparecer porque a situação financeira não comporta. Não quero que as pessoas pensem que vai acabar, mas se calhar temos que reduzir um pouco aos convívios seniores, ao Natal dos miúdos, à iluminação de Natal. São três exemplos que estou a dar que possivelmente irão sofrer alguns cortes, assim como ajudas a instituições. Num orçamento que andará nos 120, 125 mil euros, haverá 60 a 70 por cento de custos fixos a que não poderemos retirar nada.

Isabel Fernandes Moreira