Projecto de recolha selectiva vai a casa das pessoas com deficiência

Pela primeira vez em Portugal, foi lançado um projecto de recolha selectiva de resíduos sólidos urbanos para pessoas com deficiência ou incapacidade. O R+, que tem como propósito promover a reciclagem e a reabilitação, é um projecto da Lipor, que arrancou esta quarta-feira, na Maia, numa parceria com a Câmara Municipal e a Maiambiente.

O projecto pretende estudar as condições associadas à recolha selectiva, voltada para as pessoas com deficiência. Acima de tudo, pretende ser um projecto de inclusão e de proximidade que arrancou na Maia mas que a Lipor gostava de ver implementado nos outros municípios associados. “Nós esperamos que os outros municípios sigam o exemplo e que também implementem projectos direccionados para a deficiência ou incapacidade, projecto de recolha selectiva para um público-alvo que, neste momento, ainda não pode participar no projecto da reciclagem multimaterial”, explica Susana Abreu, técnica da Lipor.

Na Maia o projecto é de recolha selectiva porta-a-porta, o que faz com que as pessoas não tenham que sair de casa para depositar os resíduos. “Há uma equipa de recolha, que vai com uma viatura devidamente preparada, bate à porta da pessoa e a pessoa só tem que entregar os sacos com os resíduos separados”, explica Susana Abreu, técnica da Lipor.
A outra vertente do projecto passa pela adaptação de ecopontos na via pública, que passam a ter duas aberturas. “O equipamento tem no interior uma infra-estrutura metálica que faz uma separação e, portanto, não permite que resíduos saiam pelas bocas que estão na parte inferior, ou que entupam o sistema”, explica a técnica.

A Lipor está a pensar adaptar os ecopontos existentes, mas também criar novos equipamentos. “Estamos a pensar criar um equipamento novo que reúna já todas as condições ideais para que as pessoas possam participar na separação dos materiais e na reciclagem”, explica Susana Abreu.

O projecto R+ desenvolvido pela LIPOR tem como entidades parceiras a ACAPO Norte, APA, Agência Portuguesa do Ambiente, INR – Instituto Nacional para a Reabilitação, Ordem dos Arquitectos – Região Norte, Otto Multiservei, Provedor Metropolitano dos Cidadãos com Deficiência (Porto) e SPV – Sociedade Ponto Verde.

Durante a apresentação do projecto, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, recordou que para si “as pessoas estão em primeiro lugar”, por isso, depois de ter tido conhecimento do projecto não poderia ficar indiferente porque “queremos tratar todos de igual forma”, justificou.
Para já, são oito os munícipes que vão receber este serviço, no entanto, os interessados podem inscrever-se na Maiambiente, via telefone. A meta é chegar a todos os cidadãos com deficiência do concelho. Um estudo que está a ser levado a cabo pelo pelouro da Acção Social, que ainda não está concluído, fez o levantamento de 600 casos.

A primeira munícipe a receber o novo serviço foi Isabel Coutinho. A moradora na Rua 1 da Urbanização do Lidador, em Vila Nova da Telha, considera que, a partir de agora, será mais fácil fazer a separação de materiais. “Eu já fazia isto mas com esta ajuda da Maiambiente, Câmara Municipal e da Lipor, mais facilmente se torna para mim fazer esta separação do lixo. O ecoponto não é muito longe, é na rua 6, mas para mim, às vezes, tornava-se incómodo de canadianas ir lá colocar o lixo. Se o vêm buscar a minha casa, torna-se mais fácil”.

E na próxima semana, os funcionários da Maiambiente voltam a tocar à campainha da casa de Isabel Coutinho para fazer nova recolha selectiva. Será assim, a partir de agora, todas as terças-feiras.

Isabel Fernandes Moreira

1 responder

Os comentários estão fechados.