Opinião Arminda Moura: Natal

O que é hoje a tradição do Natal? Talvez esta ainda não se tenha perdido e continue a unir a família à volta de um bom repasto, suculento e carregadinho de ternura que muitas vezes envolve os que já se encontram cansados de esperar e ver os dias a correr na agenda do tempo esquecida para uns mas que a muitos outros esta se preenche de saudade percorrendo todos os espaços não sobrando nenhuma entrelinha que não se encha com o pensamento do encontro de alguém que não espera, estando esse alguém distante no olhar mas bem perto do sentimento da alegria de rever.

Mas o que é o Natal nos dias de hoje no frenesim despesista? Mesmo este frenesim já se encontra um pouco debilitado e agora já não abusa tanto nas maleitas de antigamente porque as carteiras vivem dias de amargura, mas também é certo que ainda assim não se consegue poupar nos excessos do consumo.

O dia de Natal todos o sabem, 25 de Dezembro, que todos os anos se repete. Aparece assim o dia de nascimento do prometido. Mas se é Jesus que faz anos, o que anda o velhote de barbas vestido de vermelho a fazer nesta festa? Retira o papel bem consagrado na história dos homens e de Deus substituindo-se a fé e celebração de seu nascimento pelo consumismo deturpado e enriquecedor dos comerciantes de porta aberta. Mais um a compactuar no despesismo de muita casa portuguesa e não só pois o mal já assolou a terra à muito. E neste corre, corre se perde a tradição de deixar o sapatinho na chaminé, eu o deixava mesmo em cima do fogão e na minha pequenez me interrogava de quem passaria na chaminé. Lembranças que ainda guardo destes momentos da descoberta dos presentes no Natal. Também tradição perdida o lugar guardado na mesa para o pobre que nunca se senta na mesa do rico mas que por vezes ainda encontra lugar na mesa do pobre. Me surpreende ver a cedência do pobre que do pouco que tem ainda reparte com o mais pobre se o rico podendo mais mas não presenteia o homem que se veste de andrajos e se perfuma com os rios de repugnância nauseabunda incomodativa dos sentidos.

Será este Natal o que queremos? Não creio, mas a humanidade se veste de boa vontade estes dias mas infelizmente depressa esta se esgota abrindo falência nas suas intenções. Das tradições algumas têm significado para muitos porque neste dia em alguns gestos homenageiam os que já partiram numa viagem sem retorno. Eu ainda me lembro e mantenho desta tradição e creio que muitos também ainda são cumpridores dela ao não arrumarem a mesa da refeição mais abundante de amor no ano e que durante o sono dos terrestres estes desejam que as almas dos mais próximos que já repousam o sono eterno sobrevoem as mesas e se confortem com as migalhas que lá restam.

Celebrar o Natal nos dias de hoje não é fácil nem barato porque se somarmos tudo o que se põe na mesa na noite começando no pão, passando pelo vinho, saboreando o bom bacalhau, os legumes, as uvas, as nozes, os pinhões, entre outros frutos secos e não nos esquecendo do bolo-rei e recomeçando no dia seguinte com o cabrito ou a vitela e dando continuando nas sobremesas que transportam da véspera tanto doces feitos e comprados talvez nos desse um ataque ao pensarmos que nestes dias se gasta um valor bem anafadinho de despesismo que muitos sentirão e amargarão no Janeiro. Mas qual é o lar que não tenta, se não tudo uma parte, agradar os sentidos e se acomodar no sofá por breves momentos esquecendo tudo embriagados pelo doce momento do Natal. Infelizmente o consumismo depena, não as penas dos frangos e peru mas, os bolsos de quem ganha muito pouco.

Mas Natal é sempre porque ao celebrarmos a Salvação do Salvador esta festa algum significado deve de ter… Resta a esperança e na celebração do aniversário de Jesus se espera alcançar desejos, o principal deles é a Paz.
Natal é a festa do nascimento do menino Jesus, nascido em Belém há mais de 2000 anos, um ser pequenino que nos dias de hoje ainda toca, e ainda bem que o faz, o coração da humanidade. Celebremos o Natal, nasceu Jesus…