Suspensão da Linha de Leixões “é uma vergonha”

O presidente da Câmara da Maia está “indignado” com a possível suspensão do serviço de passageiros da CP na Linha de Leixões. A empresa de caminhos-de-ferro alega falta de utentes. Em média, cada viagem tem apenas três passageiros.

Ainda não há uma data definida para o fim do serviço, no entanto, tudo aponta para que isso aconteça no início de 2011, perante as anunciadas medidas de contenção. “É uma vergonha”, diz Bragança Fernandes.
A reactivação do serviço de passageiros da Linha de Leixões aconteceu em Setembro do ano passado, entre Ermesinde e Leça do Balio, implicando um investimento de 6,8 milhões de euros.

As estimativas de utilização deste serviço eram elevadas. Apontavam para 2,9 milhões de pessoas por ano.
A inauguração aconteceu em tempo de campanha eleitoral, e na altura, era prometido o prolongamento do serviço até Leixões e talvez até Campanhã. Estava prevista a construção de mais duas estações no percurso entre a Arroteia e o Hospital de São João, e a criação de um interface em Leixões, com ligação para o metro, autocarros e parque de estacionamento. Promessas que, ao que tudo indica, vão ficar por concretizar.

A linha atravessa quatro concelhos, (Matosinhos, Maia, Valongo e Porto). Para além das estações de Ermesinde e Leça do Balio, os comboios param ainda nas estações de Sangemil e S. Mamede de Infesta.
Com a escassez de utentes, a CP deverá avançar com a suspensão do serviço, alegando ainda o facto de “não ter sido dada sequência” à segunda fase do projecto, a criação das estações da Arroteia e São João. De acordo com os dados da CP, a Linha de Leixões tem cerca de 4500 passageiros por mês, o que dá 150 por dia e uma médias de três utentes por viagem.

Bragança Fernandes diz que a reduzida adesão ao serviço resulta de um “acto de mau planeamento” e “eleitoralista”. Referindo-se à então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, diz que “devia ter respeito pelos maiatos e pelos matosinhenses. Andou a enganar as pessoas. É um acto de mau planeamento”. “Lançou aquilo com pompa e circunstância, duplicou a linha, comprou carruagens e máquinas, e não fez mais estações. Eles deviam programar o trabalho, antes de avançarem com a reactivação do serviço”, acrescenta o edil maiato.
Em Novembro, o presidente da Câmara da Maia, Bragança Fernandes, e o presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, em Gondomar, Marco Martins, tinham já alertado a Refer e o Governo para a necessidade de mais investimento na linha, nomeadamente na criação de estações que servissem as zonas com mais população.

O autarca da Maia defendia a criação de duas estações, em Águas Santas e Pedrouços. “Se tivessem feito as estações que eu pedi, ia trazer mais utentes, porque por exemplo, em Pedrouços, ia fazer a ligação com o hospital, o metro e o pólo universitário da Asprela”. Lamenta, por isso, “a falta de planeamento”. Bragança Fernandes, diz que se não fizerem as estações, mais vale suspender o serviço, e defende que o Governo “devia pedir desculpa” às populações dos concelhos abrangidos pela Linha de Leixões, “porque andaram a enganá-los este tempo todo”.

O autarca de Rio Tinto, defendia a reactivação do serviço entre Sangemil (Maia) e Contumil (Porto), com a criação de uma estação em Carreiros, Rio Tinto, o que permitiria captar 1200 utentes por dia. A estação proporcionaria uma ligação directa à zona do Hospital de São João e Campanhã.

Fernanda Alves