Alunos da Secundária do Castelo criam estojo reversível

Cinco alunos da turma D do 12º ano da Escola Secundária do Castelo, área de economia, estão a participar no programa “A Empresa” que está a ser desenvolvido pela associação de jovens empresários Aprender a Empreender. É uma associação sem fins lucrativos, que tem vindo a desenvolver nas escolas programas dirigidos aos jovens, baseados no princípio de aprender fazendo.

Ana Freitas, Catarina Campos, Joana Silva, Paulo Correia e Marco Costa assumem, durante o presente ano lectivo, o papel de empresários. E tal como acontece no mundo empresarial, tiveram de constituir uma empresa, eleger o presidente e directores. Para além disso, têm ainda de criar e vender produtos ou serviços, fazer relatórios, vender acções e realizar reuniões de accionistas. No final do ano lectivo terão de liquidar a empresa e distribuir os lucros pelos accionistas, se existirem.

Nasceu então a Lusocortiça A.E, que está a desenvolver um produto inovador – um estojo reversível. A escolha do nome da empresa está directamente relacionada com a aposta no que é nacional, desde as pessoas aos materiais com que pretendem trabalhar, como a cortiça, que para a presidente da Lusocortiça, Ana Freitas, “ainda está pouco explorada”.

“O nosso principal objectivo é divulgar o produto nacional”, sublinha a jovem empresária. A inovação é também outra das apostas desta mini-empresa. Em fase de concretização está a produção de um estojo reversível, que pode ser utilizado para guardar o material escolar ou transformado em mala a tiracolo. É composto por dois tipos de materiais: cortiça (mala) e napa (estojo). “O lado em cortiça funcionará como mala, com duas bolsinhas e uma alça que pode ser removida, e o outro lado em napa funciona como estojo”, explica a presidente. A ideia surgiu pela necessidade de criar algo útil e funcional.

Na criação da empresa e desenvolvimento das suas actividades, os alunos contam com a ajuda voluntária de empresas locais. A Lusocortiça A.E está a ser apoiada por Elisa Torres, técnica do departamento de Recursos Humanos da Sonae, para quem este projecto “é uma mais valia, quer para os alunos, que adquirem conhecimentos e competências imprescindíveis para singrar no mercado empreendedor, quer para os próprios voluntários, que podem ver o seu esforço recompensado”.

Uma ideia que pode chegar ao mercado

O produto vai ser mesmo uma realidade. Os jovens empresários da Lusocortiça têm vindo a contactar empresas que estejam disponíveis para colaborar com alguns materiais. Ainda aguardam algumas respostas, mas já há uma empresa disponível para ajudar. O Grupo Amorim vai disponibilizar a cortiça – já enviou várias amostras para que pudessem escolher a cortiça mais apropriada para o estojo.

O estojo reversível terá de ficar pronto até ao início de Fevereiro, a tempo de ser promovido na Feira Ilimitada, que decorrerá nesse mês. A localização exacta ainda não está definida, mas tudo indica que será num centro comercial do Porto. “Temos de montar um stand e divulgar o nosso produto, e vamos ter um júri que vai avaliar a nossa forma de vender e divulgar o produto, e o produto em si”, explica a presidente da Lusocortiça.

A visitar a feira vão estar empresas a sério, que poderão comprar algumas das ideias em exposição. Há por isso, a possibilidade de o estojo reversível da Lusocortiça chegar ao mercado. Terão ainda de passar por um concurso nacional, e quem sabe, pelo concurso europeu que reunirá alunos de vários pontos da Europa.
Em Junho, a empresa terá de ser liquidada. Se existirem lucros, os mini-empresários já sabem qual será o seu destino. Uma parte será para cobrir os custos de produção, o que sobrar será entregue à delegação portuguesa da ADDHU – Associação de Defesa dos Direitos Humanos. “É uma associação que não é muito falada, com missões no Quénia e no Nepal. No ano passado, fizeram uma palestra na nossa escola, que nos chamou a atenção e em princípio, será essa”, referiu Ana Freitas.

Incentivo ao empreendedorismo

O programa A Empresa é uma iniciativa que está a ser promovida, a nível nacional, pela Aprender a Empreender, congénere portuguesa da Junior Achievement, organização mundial educativa. Instalada no parque de ciência e tecnologia Taguspark, em Oeiras, promove vários programas que têm como objectivo, estimular os jovens a colocar em prática o que aprendem na escola.
Cada programa está adaptada ao nível escolar – desde o ensino básico ao ensino universitário. O programa A Empresa, dá aos alunos a oportunidade de se prepararem para o mundo do trabalho, através da experiência de conduzirem a sua própria empresa.

Fernanda Alves

1 responder

Os comentários estão fechados.