Alunos da Escola Secundária da Maia criam empresas

Foi a pensar em fomentar o empreendedorismo que a Escola Secundária da Maia, no âmbito da disciplina de Área de Projecto, desafiou os alunos do 12º ano de economia a criarem a sua própria empresa. Em grupo, ou a trabalhar de forma individual lá surgiram as ideias e cinco empresas, que na quinta e sexta-feira da semana passada, se mostraram à comunidade escolar.

No polivalente estiveram os trabalhos dos alunos que estão a participar num projecto da Junior Achievement Portugal, que consiste na criação de uma mini empresa. Foram então cinco os produtos pensados, criados e colocados à venda pelos alunos, “que tiveram que criar uma empresa da raiz, vender acções, títulos de participação, fazer o produto, procurar parcerias, fazer marketing, fazer o plano de negócios e depois, em Maio, vão fechar a empresa, calcular os lucros, distribuir os dividendos”, explicou a professora de economia, Maria Letícia, que ajudou no trabalho juntamente com a professora da área de projecto, Natércia Moreira.

Um forno solar, um tabuleiro de jogos, um marcador de livros, um ecobag e um software que funciona como GPS para visitar pontos turísticos da cidade do Porto. São estes os cinco produtos que tiveram sucesso junto da comunidade escolar e mesmo fora da escola, garante a docente. “As pessoas, incluindo as colegas da direcção, que vieram cá ficaram espantadas com a capacidade e originalidade deles arrancarem com o projecto sozinhos e andarem para a frente”.
No entanto, Maria Letícia afirma que é preciso dar-lhes algum apoio na concretização porque são alunos de economia e não têm contabilidade. Por isso, “o plano de negócios tem de ser ajudado por nós porque eles não sabem, que é a parte que vem a seguir porque eles têm que fazer o balancete e apurar resultados e não têm isso”. De resto, “têm feito tudo sozinhos”.

O projecto Junior Achievement Portugal é patrocinado pelo Barclays e a escola conta com um voluntário da instituição bancária que, duas vezes por mês, vai ao estabelecimento de ensino ver como correm os negócios dos “jovens empreendedores”. Em Maio, os trabalhos deverão estar presentes numa uma feira nacional, a decorrer em Lisboa. Depois, há um concurso final e a melhor empresa portuguesa vai a Oslo.

As empresas

A Sunnylife produz um mini forno solar totalmente desdobrável, portátil. De acordo com o CEO, Pedro Patoilo, funciona através de quatro painéis reflectores, que colocamos direccionados a sul e através do efeito reflector dos raios solares, aquece um fracos de cor preta, que absorve a luz solar mais facilmente. Tem também um segundo factor de aquecimento e manutenção da temperatura que é o efeito de estufa, gerado por painéis de acrílico. A comercialização do produto é feita com o forno solar completo, totalmente desdobrável, fica compactado, inclui um frasco de aquecimento preto e um livro de instruções com tudo sobre o produto e ainda algumas receitas para a pessoa praticar a cozinha solar. “Tem ainda uma garantia de seis meses, em que eu desloco-me a casa da pessoa para apoiar em caso de alguma anomalia ou dúvida”, explica Pedro Patoilo. “É isso que nós queremos oferecer ao consumidor, apenas por 12,.90 euros”.

Já a Book Decor aposta nos marcadores de livros originais, com o Book Rest, um produto que consiste num marcador de livros, que é também um objecto decorativo. “É um prisma triangular, em que nós fazemos uma pausa na leitura, colocamos o nosso livro por cima da aresta superior do prisma e o nosso livro fica em repouso até retomarmos a leitura” explica a directora de marketing, Rita Lamelas. Enquanto objecto decorativo, “pode ser personalizado conforme o gosto do consumidor, com tecidos diferentes, fotografias, temas diferentes. “Tentamos fazer de acordo com aquilo que a pessoa quer”. E a verdade, é que foi um dos produtos “de sucesso”, na feira organizada no estabelecimento de ensino.
A empresa I know you produz jogos. Para já, produziu uma caixa que engloba vários jogos. É uma espécie de Party & Company, no entanto, reúne jogos mais tradicionais, tais como um leque de perguntas de cultura geral, o peão que incorpora vários jogos, desde o quatro em linha,ao jogo da memória, dominó e jogo do galo. “A distribuição de casas e de tarefas é tudo inventado por nós”, explica o presidente da empresa.

Artur Moura garante que o jogo teve sucesso durante o certame que decorreu na escola e já têm várias encomendas do produto porque “é um jogo que não é monótono, dá para várias idade e vários gostos”.
A ideia da Garbageto_go é incentivar as pessoas a reciclar, é sensibilizar as pessoas para uma responsabilidade ambiental. Para isso, a empresa, explica o director financeiro, António Sarmento, criou o ecobag. Trata-se de um “mini ecoponto que pode ser transportado pelas pessoas na carteira, na pasta, ou preso a um cinto se as pessoas forem mais ousadas e que permite às pessoas reciclarem a todas as horas do dia porque mesmo que uma pessoa tenha o cuidado de colocar o lixo que faz num caixote do lixo público, esse caixote não é reciclável, vai tudo para o aterro”, explica.

Sob o slogan EasyWay, EasyGet, a empresa percursos comercializa o produto EasyWay, que segundo o presidente, Pedro Mendes, que consiste nada mais nada menos do que num sistema de mensagens, que vai funcionar como GPS. A zona pré-definida foi a zona ribeirinha do Porto porque é conhecida pelos seus pontos históricos, pelos bares, restaurantes e caves de vinho do Porto. “A nossa ideia foi colocar duas placas em cada sítio, com a autorização dos responsáveis, uma com o número de sms que enviam para nós e a partir desse número enviamos as definições do sítio, o ano em que foi construído, ou o menu, e a outra placa vai dizer todos os sítios recolhidos por nós com números diferentes e do sítio onde a pessoa está para onde o cliente quer ir, envia para nós os dois números e nós enviamos para o cliente um mms a explicar a rota por onde deve ir”, explica o responsável.

Isabel Fernandes Moreira