Marques Gonçalves acredita que unidade de saúde vai ser uma realidade

A cumprir o terceiro mandato, o presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro Fins fala da obra realizada e do que ainda está por concretizar.

PRIMEIRA MÃO – Este é o seu quarto mandato na presidência da Junta de Freguesia de S. Pedro Fins. Já passou mais de um ano, desde que tomou posse. Que balanço é que faz?
MARQUES GONÇALVES – Está tudo a correr dentro das expectativas que nós tínhamos definido para o mandato que se iniciou há pouco mais de um ano, conscientes de que os tempos que vivemos, são tempos diferentes, mais difíceis. As juntas de freguesias têm de se realinhar, tendo em conta essa nova realidade. Contudo, damos por cumprido o plano que tínhamos definido. A remodelação da escola EB1/JI dos Arcos foi uma das grandes apostas deste mandato e que, felizmente para nós e para a toda a comunidade de S. Pedro Fins, se concluiu num prazo quase recorde.

As famílias portuguesas estão a atravessar grandes dificuldades, devido à situação económica do país. Em S. Pedro Fins, tem sentido o aumento dessas dificuldades?
Temos sentido, particularmente pelo número de solicitações que, directamente ou através do GAIL, nos vão chegando. Nós antecipamos esta nova realidade, e temos previsto para este ano, alicerçado no centro de dia que temos a funcionar já há mais de um ano, um serviço de apoio domiciliário às pessoas que venham a precisar desta ajuda.

Esse apoio passa pelo serviço de refeições no domicílio?
Exactamente. É uma resposta que nós já temos preparada e que prevíamos no ano passado, quando fizemos o nosso plano e orçamento. Está praticamente pronta a ser lançada. Aguardamos apenas a definição de alguns detalhes.

Fica por aqui o papel social da junta de freguesia. Ou vai ser necessário reforçar outro tipo de apoios?
O papel social da junta de freguesia nunca se esgota. É uma estrutura de poder, que dada a sua proximidade com a população, tem uma percepção muito mais perfeita e uma resposta muito mais rápida e eficaz a este tipo de problemas. Portanto, esta é para já a resposta que antecipamos e temos já preparada. As outras passam muitas vezes pela forma como encaminhamos alguns problemas que nos vão chegando. Ainda recentemente tive conhecimento da situação de uma senhora a quem foi cortado algum apoio pela segurança social. Por que eu conheço o caso, achei que era uma questão que tinha ser reanalisada e encaminhei-a para o GAIL. Trata-se de uma pessoa que está totalmente incapacitada para trabalhar, não tem outros recursos e, portanto, é uma situação que merece uma análise mais cuidada. Eu percebo que há necessidade de ser mais racional na atribuição de alguns apoios, mas eu creio que não tem havido racionalidade. Tem havido cortes de uma forma cega e pouco sensata, não analisando caso a caso. É neste particular que as juntas de freguesia, pelo conhecimento que têm da realidade local, podem dar um apoio importante à tomada dessas decisões.

Centro de Dia

Já passou mais de um ano, desde que foi inaugurado o Centro de Dia que nasceu no antigo edifício da junta de freguesia. Ainda é a junta que está a gerir?
Sim, é a junta que está a gerir e que continua a suportar algum défice que ainda permanece, porque o projecto está ainda numa fase inicial. Mensalmente temos de continuar a dar algum apoio ao seu funcionamento, porque o que recebemos em termos de mensalidades, não chega para cobrir os custos inerentes. Fazemos com a consciência de que estamos a contribuir para melhorar a nossa resposta social e, acima de tudo, conscientes de que gradualmente as coisas hão-de atingir o ponto de equilíbrio. E aí, a junta de freguesia deixará de ter esse encargo, que já foi maior.

São os idosos da freguesia que usufruem deste espaço?
Sim. Neste momento, o equipamento tem já 14 idosos. Uma grande parte é da freguesia, e uma outra parte de freguesias vizinhas, como Folgosa, São Romão, Águas Santas, Ermesinde. Numa primeira fase demos toda a prioridade às pessoas da freguesia. Como não foi possível cumprir os objectivos mínimos da taxa de frequência, abrimos o espaço à comunidade envolvente. A verba que as pessoas pagam é simbólica, considerando que tem transporte incluído e alimentação. Não chega a atingir os 200 euros.

Saúde

O Centro de Dia foi uma das principais obras do mandato anterior. Há ainda uma obra que gostaria de concretizar e pela qual luta há já algum tempo, que é a unidade de saúde. Recentemente, o secretário do Estado da Saúde, Manuel Pizarro esteve na Maia, tendo afirmado que ia analisar o assunto. Perante isto, acredita que a unidade de saúde vai ser uma realidade?
Acredito sinceramente. O senhor secretário de Estado visitou o terreno que a câmara colocou à disposição para que pudesse ser construída a unidade de saúde, que visa servir as pessoas daquela zona do concelho. É uma zona, que nessa matéria, está muito desprotegida. Tem uma população muito desprotegida, está dispersa por vários centros de saúde. Não há uma resposta que nos satisfaça. Associado a isso, temos também a dificuldade dos transportes. O senhor secretário de Estado da saúde ficou sensível à questão, achou que o espaço que a câmara municipal lhe pôs à disposição cumpria os objectivos definidos, e foi com muita satisfação que o vi reafirmar essa vontade e dizer que, durante este ano, esperava fazer o projecto para, em 2012, fazer o lançamento da obra. Fiquei muito satisfeito, porque honrou a palavra. É de políticos assim que o país precisa.

Siderurgia continua a interferir no “bem-estar” da população

Referiu as dificuldades nos transportes públicos. O serviço poderia ser melhor na freguesia?
Podia e devia. Por várias razões. Primeiro, porque não se pode ter discursos que não sejam coerentes. Quando se diz que as pessoas devem cada vez mais poupar combustível e utilizar transportes públicos, não se pode não criar as condições para que isso se faça. Eu tenho uma forte expectativa de que com a entrada em funcionamento de novas linhas do metro, que obrigam a uma natural reformulação da rede de transportes da STCP, sejam libertados alguns recursos que possam servir a freguesia. A STCP, como empresa comercial que é e que visa a angariação de novos clientes, tem de se direccionar para outros locais onde não há esse serviço.

Já transmitiu essa ideia à STCP?

Já. Nos contactos que temos vindo a ter com a STCP, uma das expectativas que nos deixaram sempre, foi que a entrada em funcionamento de novas linhas do metro poderia ser uma boa oportunidade para que a freguesia pudesse vir a ter este serviço. Em termos práticos, estamos a falar do prolongamento de duas carreiras, Alfena e Travagem. Estou a falar de um prolongamento de um a dois quilómetros. Este prolongamento, daria à freguesia uma complementaridade excelente no serviço de transportes públicos.

Educação

A Escola EB1/JI de Arcos foi requalificada e ampliada. Concretamente, o que é que foi feito e de que forma é que vai melhorar o ensino na freguesia?
Em termos de estrutura, é uma mudança da noite para o dia. A escola, antes de sofrer estas obras, corria um certo perigo de deixar de existir. Havia um corpo que era muito antigo, foi das primeiras oito escolas primárias do concelho. Nasceu em 1932. Depois, foi crescendo por módulos. A escola estava já num estado que precisava de ser urgentemente intervencionada. E mudou da noite para o dia. As condições melhoraram espectacularmente, foi aumentado o número de salas, foi criada uma biblioteca, um salão polivalente que pode funcionar como ginásio, e como todas as escolas do concelho, está muito bem equipada, todas as salas têm quadros interactivos, e o aquecimento melhorou. Acima de tudo, conforta-me sentir que vamos ter escola para muitos anos. Aquela escola com 30 a 40 alunos que nós conhecíamos, irá acabar, segundo o novo modelo do Ministério da Educação. Nós já estávamos a sentir que a escola estava a perder alguns alunos, porque como é natural, os pais procuram para os filhos o melhor.

Agora com uma nova escola, é mais fácil atrair mais famílias para a freguesia?
Sim. Essas dinâmicas criam-se com infraestruturas que podem constituir atracção para as pessoas. E em termos de infraestruturas, a junta de freguesia possui quase tudo. A junta tem um edifício-sede moderno, para servir a população. No aspecto social, temos o centro de dia. Temos um pavilhão gimnodesportivo, um polidesportivo, uma campo de futebol. Temos uma creche/infantário que é gerida pela junta e pela Santa Casa da Misericórdia da Maia, e temos agora a renovada escola e jardim-de-infância dos Arcos. Ou seja, aquelas que são as infraestruturas base para constituir uma atracção para um casal em início de vida, e que precisa de escolher um local para viver e onde tenha as condições para o fazer, a freguesia tem essa oferta. Em termos de transporte ferroviário, a freguesia é servida por uma estação onde, nas horas de ponta, de meia em meia-hora tem um comboio. Em termos de acesso viário, e aqui excluo as portagens nas ex-scut, porque acho que foi a maior injustiça que se fez sobre o povo da Maia nos últimos anos, temos uma boa acessibilidade, quer via A3 quer IC24 (A41). Em termos de mobilidade, a população que vive naquela freguesia tem boas condições. Dispõe de todas essas condições de atractividade. Mas naturalmente, é preciso que os investidores privados criem habitação e que as famílias também tenham condições para a adquirir.

Ambiente

A Siderurgia é um problema do passado?
Não. A siderurgia é sempre um problema presente. Nunca é um problema do passado, porque a Siderurgia continua a ser uma unidade que, apesar de ter feito alguma evolução nos últimos anos, é poluente, e que está perto do coração da freguesia. E basta que não cumpra, aqui e ali, alguma regra para isso colidir com o bem-estar das pessoas. E para mim, o bem-estar das pessoas continua a ser primordial.

E têm acontecido situações que colocam em risco o bem-estar das pessoas?
Qual é o principal problema?
Desde logo o trânsito pesado. Há cerca de cinco, seis anos, tentamos condicionar o trânsito de pesados no coração da freguesia. Inclusive foi aprovada na câmara municipal uma postura que, para além de condicionar, apresentava alternativas. As coisas melhoraram imenso, mas há cerca de dois, três anos, a fiscalização foi-se aligeirando. E quando estas coisas acontecem, depois, pôr no sítio é muito mais difícil. Hoje constatamos, com alguma tristeza minha, que começamos novamente a assistir a uma caudal de trânsito desregulado e sem grande vigilância nas principais ruas da freguesia, Para além de constituir uma ameaça para a população, em termos de segurança, destrói os pavimentos, os passeios e até as habitações, porque estamos a falar de veículos com muita tonelagem e para os quais aqueles arruamentos não estão preparados.

Com a introdução de portagens nas Scut a situação agravou-se ainda mais?
Sim. Ainda recentemente tive uma reunião com o comandante do posto da GNR da Maia em que procurei sensibilizá-lo para a necessidade de reforçar esta vigilância, porque constata-se que desde a introdução de portagens, o caudal de trânsito tem vindo a aumentar. Penso que ele foi sensível a esta nossa preocupação, e tenho sentido nas últimas semanas uma maior presença da polícia.

Tirando alguns problemas, S. Pedro Fins é um bom local para se viver?
Eu acho que sim. Eu moro lá há muitos anos e sinto-me bem a viver lá. E como eu, muitas outras pessoas, que não sendo de lá, têm escolhido aquela freguesia para viver. Como sabe, há lá urbanizações novas com gente que veio de fora e que tem gostado, porque nos contactos que tenho tido, tenho recebido esse ‘feed-back’.

Fernanda Alves