CDU alerta para dificuldades financeiras do Ciccopn

Os deputados e candidatos da CDU pelo círculo eleitoral do Porto, Honório Novo e Jorge Machado, estiveram na sexta-feira da semana passada na Maia, numa acção de campanha eleitoral. Começaram o dia com uma reunião com a direcção do Ciccopn – Centro de Formação Profissional da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas do Norte. No final do encontro, Honório Novo não escondeu a preocupação com os reflexos que já se fazem sentir no centro com as medidas implementadas com o PEC 3, no que toca ao financiamento da instituição. “É um centro de formação com boas condições, que alberga formação diurna e pós-laboral, jovens e adultos, que envolve cerca de cinco mil formandos e que está em vias de suspender uma parte significativa dos curso de formação por causas das restrições orçamentais, dos cortes na formação determinados pelo PEC”.

Um cenário que deverá agravar-se com as medidas do FMI, comprometendo em definitivo o funcionamento deste centro e colocando em causa já o próximo ano lectivo, lamenta Honório Novo. “Hoje em dia, a direcção do centro já suspendeu, aceita as inscrições mas sob reserva, todas as acções de formação de longa duração diurnas, destinadas a jovens e a adultos”, afirma o deputado. O também candidato pelo Porto, acrescenta ainda que, hoje em dia, a direcção já se viu obrigada a reduzir alguns dos módulos de formação pós-laboral. “Isto significa uma situação quase asfixiante que hoje já se vive, que pode ainda vir a ser reforçada nas próximos tempos”.

Mas não é só o Ciccopn quem sai penalizado com os cortes orçamentais. De acordo com o deputado Jorge Machado, os próprios formandos viram os apoios que lhes são concedidos serem cortados. “Dados os cortes orçamentais, há já dados claros de formandos que deixaram de frequentar os cursos devido às dificuldades financeiras, isto é, uma parte dos apoios que eram dados aos formandos para frequentarem os seus cursos de formação profissional foram cortados e isso colocou em dificuldades essas famílias”, explica.
Para Honório Novo o Ciccopn espelha a duplicidade de discurso assumido pelo Governo de José Sócrates. “Por um lado, a propaganda que diz apostar na formação dos jovens, na sua escolarização, na formação profissional e, por outro lado, a realidade de centros como este e como outros no país que têm tido uma actividade absolutamente meritória e que pelos estrangulamentos orçamentais que neste momento já se cifram numa diminuição de quase 800 mil euros, isto é, uma diminuição da prestação do Instituto do Emprego e Formação Profissional, que é de cerca de 15 por cento, até este momento”.

De acordo com o deputado comunista, estes cortes, só mostram que o Governo “não está nada interessado na formação profissional, que o Governo não está nada interessado na escolarização dos jovens, nem em contexto académico, nem em contexto profissional”.
No mesmo dia, durante a tarde, os candidatos da CDU, acompanhados pelos dirigentes da Maia, contactaram com os trabalhadores da Ficocables e da Confetil, ambas em Vermoim.
E apesar da Maia ser dos concelhos do distrito com menor taxa de desemprego, Honório Novo, recorda que a realidade do distrito do Porto é “bem complicada”, no panorama nacional. “É uma situação muito complicada, o desemprego assume valores largamente acima da média nacional e isso é uma consequência das políticas de desprezo pelas pequenas e médias empresas, que têm sido a pedra de toque de sucessivos governos, em especial de José Sócrates que, ao mesmo tempo que protege os grandes grupos económicos e a banca, despreza uma estrutura imensa de pequenas e médias empresas que tem vindo a ser encerradas sucessivamente. Nós últimos anos, só no distrito do Porto, a indústria transformadora viu reduzidas em quase 28 por cento o número das suas empresas”, sublinha. Por isso, não o espanta que existam no distrito “perto de 200 mil desempregados”. Consequências “das políticas recessivas dos Pec’s”, conclui Honório Novo.

Isabel Fernandes Moreira