Maia com 12 candidatos à Assembleia da República

A 5 de Junho, os portugueses elegem 230 novos deputados e, consequentemente, um novo Governo. Vão estar na Assembleia da República (AR), em representação das diferentes forças políticas e dos 18 distritos do país, constituindo-se cada partido em grupos parlamentares. De referir ainda que o número de deputados eleitos é proporcional ao número de eleitores inscritos em cada distrito. Pelo Porto, deverão ser eleitos 39 deputados.

Na actual legislatura, são seis os grupos parlamentares na AR, na sequência das eleições de 27 de Setembro de 2009: Partido Socialista (PS), PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda (BE), PCP e Partido Ecologista “Os Verdes”. Mas o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV a 23 de Março conduziu ao pedido de demissão de José Sócrates, tendo o Presidente da República convocado novas eleições legislativas para o dia 5 de Junho.

As listas de candidatos já são conhecidas e, no caso do círculo do Porto, incluem candidatos a deputados da Maia. São 12, apresentados pelo PS, PSD, CDS-PP, CDU e BE.

CDU no feminino

A primeira força política a entregar as listas referentes ao círculo do Porto foi a CDU, no dia 14 de Abril, com o número dois, Jorge Machado, a destacar a presença de mulheres e de jovens. E há duas candidatas da Maia: Márcia Oliveira e Marisa Ribeiro. Márcia Oliveira, actual deputada da CDU na Assembleia Municipal da Maia, ocupa a nona posição na lista pelo círculo eleitoral do Porto. E já não é a primeira vez que concorre ao Parlamento, local onde deverão ser levados à discussão os problemas da Maia. Aliás, os mesmos do país, que se reflectem no concelho, como é o caso da elevada taxa de desemprego no distrito do Porto, “muito acima da média nacional”. Daí que Márcia Oliveira considere “importante o desenvolvimento e o crescimento económico do concelho”.

A candidata a deputada na AR elege ainda como prioridades da intervenção em defesa da Maia uma solução para o tribunal e a ligação de metro até à Trofa. Mas, sublinha, “sempre numa perspectiva do Norte e do país”. É também a pensar a nível global que Márcia Oliveira assume a importância da presença feminina nas listas, “numa perspectiva de igualdade e de participação”, assim como dos jovens, considerando que “tem que haver essa renovação e esse contributo, com mais energia para lutarem pelas políticas que conduzam ao desenvolvimento do país”.

Além de Márcia Oliveira, advogada e também membro do Conselho Nacional do Movimento Democrático de Mulheres, a CDU inclui nas listas pelo Porto a dirigente sindical e operadora especializada de hipermercado, Marisa Ribeiro. Ocupa o 24º lugar da lista que volta a ser encabeçada por Honório Novo.

PSD chama técnica

Com José Pedro Aguiar Branco no topo e a constitucionalista Teresa Leal Coelho em segundo lugar, há duas mulheres da Maia no lote de candidatos apresentados pelo PSD.

Pela Maia, integram a lista aprovada a 17 de Abril pelo conselho nacional do partido Emília Santos (14º), Joana Ascensão (33º) e, como suplente, Manuel António Ferreira. Para Emília Santos, há vários anos a trabalhar no gabinete da presidência da Câmara Municipal da Maia, este é um novo desafio. Habituada ao trabalho como técnica, em particular nas áreas da educação e da acção social, confessa ter ficado “sensibilizada e surpreendida” com o convite da comissão política concelhia”. E apesar de ter sido uma decisão “difícil” de tomar, acabou por aceitar esta possibilidade de fazer parte do que chama “o aparelho”, tentando “conjugar sempre a actividade parlamentar com a Maia e o distrito do Porto” e sempre “com rigor, com determinação, com seriedade”.

Em caso de eleição como deputada, Emília Santos quer levar para Lisboa, em particular para a bancada do PSD na Assembleia da República, três dossiês que considera prioritários: a criação de um Campus da Justiça na Maia, a defesa do fim da “discriminação partidária do pagamento de portagens nas SCUTs” e ainda intervir no sentido de ver concretizado “um sonho já antigo”, de ver instalada uma força policial que sirva as freguesias de Moreira e Vila Nova da Telha.

A estas temáticas acrescenta levar “no coração” as preocupações com a educação e a acção social, nomeadamente a falta de recursos das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), das misericórdias e das mutualidades, considerando Emília Santos que “o Estado não está ao lado de quem o substitui, muitas vezes”. Por isso, e numa altura em que entende que “José Sócrates conseguiu incendiar o país e destruir o sonho de muitos portugueses”, com o actual Portugal “devastado”, a candidata social-democrata conclui que “está na hora de mudar”.

BE aposta na continuidade

Pelo Bloco de Esquerda (BE) a lista apresentada pelo círculo do Porto é uma lista de continuidade, dada a interrupção do actual mandato e por entenderem que “ficou algum trabalho por fazer”. Dessa continuidade faz parte o nome de Ricardo Salabert, candidato pela Maia, a que se junta Francisco José. Há mais de quatro anos activista do movimento FERVE – Fartos d’Estes Recibos Verdes, Ricardo Salabert associa a defesa da Maia na AR à defesa das questões que são comuns ao país. “Especialmente quando temos na Maia um grande sector industrial que é também afectado pela crise económica e social que vivemos”, considera o bloquista, que elege como prioridade a defesa das populações, de forma a “devolver-lhes poder de compra” e ajudar à retoma da economia. Isso passa também, no entender de Ricardo Salabert, pelo apoio às Pequenas e Médias Empresas

Das propostas apresentadas nas últimas eleições, o BE recupera para as legislativas de 5 de Junho a defesa de um centro hospitalar que sirva a Maia, mas também os concelhos de Gondomar e de Valongo, que Ricardo Salabert considera actualmente “uma falha e que se torna por demais evidente em situações de emergência médica no caso dos doentes crónicos”. Sabendo que é necessária “disciplina” no investimento público, o candidato a deputado pelo BE considera ainda mais premente a aposta “em sectores primários e basilares às necessidades das populações”.

CDS e o desenvolvimento económico

Pelo CDS-PP, são três os candidatos da Maia na lista pelo círculo do Porto: o líder da concelhia, José Eduardo Azevedo (13º na lista), David Tavares (32º) e como segundo suplente, Manuel Oliveira, proposto pela distrital da Juventude Popular.

Embora admitindo que os candidatos da Maia ocupam lugares “muito dificilmente” elegíveis, José Eduardo Azevedo encara o cargo de deputado na AR como uma força de representação nacional e não concelhia, até porque o país vive uma “situação excepcional” que exige “medidas excepcionais” com vista ao desenvolvimento económico do país.

O candidato popular elege como preocupação os números do desemprego, ainda que a taxa da Maia não seja das mais elevadas do país. Mas porque o concelho tem “uma das melhores” zonas industriais do país, com empresas que “empregam milhares e milhares de pessoas”, José Eduardo Azevedo teme que uma possível recessão económica “poderá vir a trazer graves prejuízos para as empresas, para a actividade industrial, para a actividade comercial”. Daí a necessidade, no seu entender, de mecanismos que ajudem as empresas a crescer. E assim evitar, também, um agravamento da situação social.

PS

Pelo partido do ainda Governo de gestão, Francisco Assis voltou a ser a escolha para encabeçar a lista de candidatos a deputados. Na 20ª posição aparece o maiato João Torres e em 40º Luísa Barreto. Mas até ao fecho desta edição não foi possível obter declarações de nenhum dos candidatos.

Marta Costa