Bragança Fernandes quer um novo Governo para resolver problemas da Maia

Os órgãos concelhios do PSD/Maia tomaram posse para mais um mandato. Bragança Fernandes assume a presidência da Comissão Política Concelhia por mais dois anos. E com um objectivo a curto prazo: “vencer as eleições legislativas no concelho e eleger Passos Coelho para primeiro-ministro”.
O objectivo é que “o país seja governado em condições” e pôr um fim à descriminação partidária que se verifica no distrito do Porto, afirma o também presidente da câmara municipal. “Os autarcas do PSD não têm tido qualquer apoio do Governo. Somos ‘laranja’, não somos ‘cor-de-rosa’. Temos, como exemplo, o caso das ex-SCUT em que nuns concelhos foram gratuitas e no nosso caso não”.
Para além da componente monetária, o autarca recorda que o desvio do trânsito está “a dar cabo” das estradas do concelho, “que agora têm que ser arranjadas”.

E depois da eleição, garante que vai continuar a trabalhar no sentido de solicitar junto do Governo a resolução de algumas questões relacionadas com o município. No topo da lista surge a questão do Tribunal Judicial da Comarca da Maia. “É um assunto que me preocupa porque mais uma vez fomos enganados”, acrescentou Bragança Fernandes. Na altura certa, irão estudar a melhor solução. “Acho que o melhor era seguir o que estava já protocolado com a ministra Celeste Cardona e, mais uma vez, este Governo não cumpriu”.
Segue-se a instalação de uma força de segurança em Moreira da Maia / Vila Nova da Telha, “que também está pendente”. “Não queremos mais, só queremos que o Governo nos trate da mesma forma que trata dos outros concelhos”.

Mas uma vitória do PSD passaria também pela eleição da sua chefe de gabinete para a Assembleia da República. Emília Santos é 14ª na lista do partido pelo círculo eleitoral do Porto. Bragança Fernandes não tem dúvida quanto à sua eleição. Também não tem dúvidas que vai defender as questões relacionadas com o seu concelho. “É uma pessoa que conhece perfeitamente os dossiers e não tenho dúvidas que ela vai lutar pela Maia”.
Em final de pré-campanha eleitoral para as legislativas, o vice-presidente do PSD e líder da distrital do Porto marcou presença neste encontro que serviu também para lançar a campanha no distrito. Marco António Costa recordou a necessidade de “convencer” o eleitorado de um distrito que nos últimos seis anos bateu todos os recordes negativos da década para castigar quem levou a esta situação. “Nós sabemos que a região, nos últimos seis anos bateu todos os recordes negativos da última década, nomeadamente em número de desempregados, em número de falências, em número de pessoas que estão num situação de empobrecimento total e, portanto, torna-se indispensável que os portugueses residentes no distrito no dia 5 de Junho castiguem quem conduziu desta maneira tão negativa o país”, justifica.

Beco sem saída

Marco António Costa acrescentou ainda que o país foi “arrastado par um beco sem saída” que custou 78 mil milhões de euros a Portugal e que os portugueses, este e nos próximos anos, “sempre que meterem a mão ao bolso” vão ver menos dinheiro, menos rendimento e cada vez vão estar mais pobres, “não por responsabilidade de quem esteve na oposição, mas por responsabilidade do PS e do Governo que está em funções”, sublinha.

Foi esta mensagem de necessidade de mudança que Marco António Costa transmitiu umas militantes na sua intervenção. Mas não deixou de transmitir também uma mensagem de esperança. “Porque nós não estamos condenados a viver na mediocridade, nem a viver com esta fatalidade de estarmos cada vez mais pobres e mais dependentes”. E para mudar isso, afirma o líder da distrital, o PSD apresentou um programa eleitoral onde, “de forma detalhada” apresenta proposta de mudança para o país. “Não fez como o PS que apresentou um manual de banalidades e de generalidades que não servem para nada, que são promessas a pataco e que só visam captar votos e apanhar votos a qualquer preço”.
Atrasado chegou o cabeça-de-lista pelo círculo eleitoral do Porto do PSD. Vindo de Lisboa, José Pedro Aguiar Branco chegou a tempo de falar aos militantes e com a preocupação de terminar a tempo que os militantes pudessem assistir ao debate entre Pedro Passos Coelho e José Sócrates.

Aguiar Branco apontou a Maia como um símbolo e um exemplo daquilo que a seu ver vai fazer a diferença nesta campanha eleitoral. “É um exemplo de autenticidade”. E não esqueceu alguns dos temas que fizeram a pré-campanha. O caso da privatização da Águas de Portugal, recordando que “foi ele” José Sócrates “quem mandou analisar essa hipótese” e agora critica a proposta social democrata. Mas “ainda bem que não aconteceu porque há-de ser o PSD a fazê-lo e a fazê-lo com coerência”.
O cabeça-de-lista do PSD pelo Porto também não esqueceu a Taxa Social Única e as Novas Oportunidades, recordando que o objectivo do partido laranja não é tirar mérito aos portugueses, mas sim apurar a forma como foram gastos “três mil milhões de euros”. Aliás, considera que quase todos os portugueses merecem uma segunda oportunidade. “Há um, o eng. Sócrates, que não merece uma segunda oportunidade pelo estado em que deixou o país”, adianta.
Tranquilidade é o que pede aos portugueses, deixando a garantia que o PSD “também não quer acabar com o Serviço Nacional de Saúde, quem o quer fazer é o PS”. Aguiar Branco acusou ainda o PS de fazer uma política “de medo que é desonesta” e de confundir estado social com estado socialista. “Um estado socialista gastador, clientelar, promíscuo. Com esse sim o PSD quer acabar porque há um momento em que estas matérias têm que ter um fim”.

Também não esqueceu o episódio “africanista de Massamá”, afirmando que só faz duas leituras. A primeira prende-se com “um complexo de xenofobia” por parte do PS. “Quando nós somos pela inclusão, isto mostra que outros trabalham para a exclusão. No PSD, “todos são iguais e todos merecem a mesma consideração”. Por outro lado, “mostra um complexo social. “O PSD é um partido interclassista, o PS ao fim de 15 anos fez um fosso entre os que muito têm e os que estão à beira da miséria. Foi sempre isso que o PSD combateu, é por isso que o PSD acredita no interclassismo, é por isso que o PSD combate o novo riquismo político ou social porque esse é aquele que o PS tem privilegiado”.
Para Aguiar Branco só há uma maneira de mudar: “com uma maioria do PSD e com Passos Coelho a primeiro-ministro. Tudo o resto é fingir. O único voto útil é o voto no PSD”.

Isabel Fernandes Moreira