Hammond & Ca. sem saudosismo…

A edição do Festival de Música da Maia, neste ano de 2011, teve vários momentos de elevada qualidade, de entre os quais destaco o magnífico recital dado por Sequeira Costa, o concerto dos Couple Coffee, a extraordinária energia e sentido de humor dos Fado em Si Bemol, o brilho dos The Lucky Duckies, o virtuosismo de Luíz Avellar, a estreia da Orquestra de Câmara da Maia e o inesquecível concerto do Coro e Orquestra do Conservatório de Música da Maia, com um programa brilhante que foi desde J. S. Bach, passando por W. A. Mozart, até G. Verdi, com uma qualidade bastante apreciável para dois conjuntos escolares, averbando a meu ver, senão o melhor, um dos melhores momentos de apresentação pública dos alunos do Conservatório.

Hammond & Cª.

Do vasto programa do Festival, houve um concerto que, do meu ponto de vista, assumiu um carácter de cultura musical geral, na medida em que trouxe ao certame das músicas, que se realiza todos os anos em Maio, na Maia, um instrumento mítico que revolucionou o Jazz, o Blues, o Rock, o Pop e o Gospel, ainda que originalmente tenha sido concebido, pelo John Lawrence Hammond, para o serviço religioso, como forma de poder levar o órgão a espaços de diversa dimensão.
O mais célebre dos Hammond foi sem dúvida o B3, um instrumento que conferiu à Música dos géneros mais populares, primeiro na América e depois por todo o Mundo, uma variedade de cores e tonalidades tímbricas completamente inovadora e quase inesgotável, abrindo novos horizontes e possibilidades criativas aos compositores e intérpretes.

Quem trouxe para Portugal, ainda na década de 60, esse instrumento mítico, foi Daniel Ruvina, que o apresentou à sociedade e ao mercado, numa grande festa de lançamento que teve lugar no Grande Hotel da Batalha. O seu filho, Luís Ruvina, ainda jovem, tornou-se um dos músicos mais talentosos e experientes, a tocar em Hammond, dominando com mestria, a articulação de timbres e exploração do potencial do instrumento.
Alfredo Abreu, um dos mais conhecidos teclistas portugueses que integrou variadíssimas formações que fizeram história, nos anos 70, 80 e 90, é um dos grandes apaixonados pelo Hammond B3, sendo actualmente um dos mais exímios intérpretes, ou se preferirmos, performer deste Órgão que é o coração dos Hammond & Cª.

Manuel Santiesteban é um músico cubano que chegou a Portugal em 1997, como baterista da Banda Cubana de Salsa “Taino”. Em 1998 ingressou no grupo “Raúl Marques e os Amigos da Salsa”, primeiro como percussionista e em 2002 como baterista. Tem integrado, ao vivo ou em gravações, formações como Vozes da Rádio, Os Lusíadas, Dr. Sax, Luís Portugal, Carlos Araújo, André Sarbib, Miguel Braga, The Feed, Carlos Polónia, Nuno Barroso, Wonderfools, Lucky Stereo, Gilda, T3 + Uns, Daniela Galbin, Dino & Soulmotion ou a orquestra Madrilena “Chanatooga Big Band”.
Actualmente participa como baterista nos projectos “Fatucha Overacting Quartet”, “Samuel Quinto Trio”, “B3 Sound Project”, “Hammond & Companhia” e “Fado em Si Bemol”.
Filipe Machado passou pela Escola de Jazz do Porto e completou o seu curso de Guitarra no Conservatório de Música do Porto. É actualmente músico profissional e professor de guitarra. Tem integrado o quarteto JANGAÍ, cuja abordagem musical incide no Jazz e Música Popular Brasileira, com Sandra Rolão (voz), Davide Teixeira (Contrabaixo) e José Machado (Bateria).

Este trio maravilha, liderado por Alfredo Abreu, no seu memorável concerto que jamais esquecerei, devolveu-me a alegria de vibrar com grandes músicas de sempre, como por exemplo “Repent Walpurgis” (Procol Harum), “Walk On The Wild Side” (Jimmy Smith), “Since I’ve Been Loving You” (Led Zeppelin), “Hit The Road Jack” (Ray Charles), “Volare” (Domenico Modugno), “Take Five” (Dave Brubeck Quartet), “Satisfaction” (Rolling Stones) ou “Oye Como Va” (Tito Puente/Santana), entre muitos outros grandes êxitos inesquecíveis, tocados com sonoridades inconfundíveis que são hoje procuradas pelas novas gerações como os autênticos “vintage sounds” que povoam também a nova Música.

Victor Dias

1 responder
  1. Natercia Ruvina
    Natercia Ruvina says:

    O artigo sobre o HAMMOND tem um imprecisão:
    Luis Ruvina é FILHO de OSCAR RUVINA
    e
    neto de DANIEL RUVINA

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