Festas do Bom Despacho com negócio “fraco” para os comerciantes

A procissão é um dos pontos altos das festas em honra da Nossa Senhora do Bom Despacho, na Maia. Saiu da Igreja Matriz (Santuário Mariano) por volta das 17h00, percorrendo a Rua da Igreja e a Avenida Visconde Barreiros até à Praça Dr. Vieira de Carvalho, dando a volta para o regresso ao santuário.
Em silêncio, os devotos assistiam à passagem dos andores em representação das paróquias do concelho. Havia ainda quem comentasse a decoração dos andores, as flores usadas e até a força dos santos. “Esta é uma santa muito boa”, dizia uma das devotas que assistia à procissão, referindo-se à Nossa Senhora da Hora, padroeira da freguesia de Nogueira.

A procissão e o Sol trouxe muita gente à festa, na tarde de domingo, mas faltavam compradores aos comerciantes. Não faltavam as tradicionais roulotes das farturas, as barracas de artesanato africano e dos doces tradicionais, e a discoteca ambulante.
As pessoas olhavam, paravam, perguntavam os preços, mas eram poucos os que compravam. A crise tem sido o principal inimigo dos comerciantes que percorrem as várias festas que se realizam um pouco por todo o país durante os meses de Verão.

A PRIMEIRA MÃO, Luciano Fernandes, gerente das farturas S&L, dizia que o negócio estava “fraco”, este ano. Não só na Maia como nas festas por onde tem passado. “Por causa da crise, as pessoas não têm dinheiro. Os rendimentos mínimos foram cortados, e esta é uma cidade em que muita gente vivia com rendimentos mínimos. Cortaram e está um bocadinho fraco”, lamentava.
Há menos pessoas a comprar e as que compram levam menos quantidade, de acordo com o vendedor de farturas.
Amath, vendedor de artesanato africano e marroquinarias também se queixava do mesmo. “Isto não está bom. Há muita gente, mas não há compradores. Eu acho que não é só a Maia, a crise é geral”, referia. Amath é senegalês e diz que é vendedor desde que nasceu, tal como os pais. Está no nosso país há 10 anos, e tem naturalização portuguesa. É presidente da associação de cidadãos senegaleses do Norte de Portugal, onde estão registados mais de quatro centenas de compatriotas. A Maia é um dos pontos de passagem de Amath que quer continuar a divulgar a arte do Senegal, como a cestaria, as esculturas em madeira e pau-preto, e as bijuterias. “Eu não quero deixar o artesanato. É a nossa arte, a nossa terra”, salientava.

Na Discoteca Top Maia estavam em destaque os últimos sucessos da música popular portuguesa. O reportório chamava a atenção de algumas pessoas, que se aproximavam na discoteca ambulante para apreciar a discografia. Dez euros era o suficiente para levar um CD para casa. Apesar do preço em conta, “estão a comprar muito pouco”, lamentava Fátima Martins, que se dedica a esta actividade há duas dezenas de anos. “Têm pouco dinheiro. Enquanto levavam três CDs levam só um”, acrescentava.

Fernanda Alves