“Interesse, trabalho e empenho”, são os segredos da Matemática

O aluno do 12º ano da Escola Secundária da Maia, João Santos, medalhado com bronze nas Olimpíadas Internacionais de Matemática, em Amesterdão, Holanda, foi homenageado esta terça-feira, pelo presidente da Câmara da Maia.
Bragança Fernandes deu os parabéns ao jovem de 18 anos, que há um ano tinha já conquistado uma menção honrosa nas mesmas olimpíadas. “Esta medalha é uma honra para os pais, para os colegas, para professores e para a Maia”, elogiou. Um feito que de acordo com o autarca, fica também a dever-se ao método de ensino adoptado naquela escola, que além de bons professores, está dotada de instalações “excelentes”.
O gosto pela Matemática começou desde que João Santos entrou para a escola. “Sempre me dei bem com a disciplina”, afirmou.

Para muitos a matemática é vista como um bicho-de-sete-cabeças. Já João Santos encara a disciplina como um “desafio”. “É preciso um bocadinho de interesse, trabalho e empenho, como tudo na vida”, referiu. Para além da dedicação aos estudos, ainda sobra algum tempo para o lazer. “Gosto de jogar futebol e estar com os amigos, como qualquer jovem”.

João Santos está na área de Ciências e Tecnologias. O seu futuro passa pelo ensino da Matemática ou pela investigação. “Uma coisa completa a outra”. Numa primeira fase pretende ficar por Portugal, “mas poderá haver a hipótese de ir para fora. Há países que a nível de faculdades no campo da Matemática estão bastantes conceituados, como Estados Unidos e Inglaterra”, adiantou.

João Santos foi um dos muitos medalhados com bronze nas Olimpíadas Internacionais da Matemática, depois de ter conseguido o primeiro lugar na competição nacional. Esta é a segunda medalha de bronze conquistada pelo aluno maiato. A primeira foi em 2009 nas Olimpíadas Ibero Americanas da Matemática.
A pressão é muita nestas competições. Aos participantes é exigida muita perícia e concentração. “Temos três horas de provas por dia e cabe-nos resolver as questões da melhor forma. Temos que gerir bem o tempo”, explicou. Esclarecia ainda que não se tratava de um jogo contra os outros concorrentes. “Jogamos sempre contra os problemas, que não são fáceis de resolver. Em cada prova tínhamos três problemas para resolver. Eu não consegui fazer todos”, disse João Santos na sessão de homenagem, onde esteve acompanhado da família e de alguns professores.

Tem um irmão mais velho, Carlos Santos, que também foi sempre um bom aluno a Matemática. “Participei em competições nacionais – fui medalha de ouro nacional, e participei também em olimpíadas internacionais. Mas nunca tive tanto sucesso como ele”, diz. Apesar do jeito para a disciplina, não optou pelo caminho que o irmão pretende seguir. “Nunca foi meu objectivo seguir Matemática. Segui Medicina, era o que eu queria”.
A mãe, Albina Santos, recordava que os filhos sempre gostaram de números. “As brincadeiras deles era sempre com números. Preferiam isso do que ir lá para fora brincar”.

Fernanda Alves