Até breve…

Comecemos com uma história.

Ex-camponês, declarado rei da Frígia, Górdio amarrou com um poderoso nó a sua carroça de bois a uma coluna do templo de Zeus. O objectivo era não esquecer as suas raízes humildes. O nó seria tão complexo e forte que se tornou impossível de desatar, ficando, por isso, famoso. Ao morrer, o trono ficou para o filho, Midas, que expandiu o império mas morreu sem deixar herdeiros. Ouvido, o oráculo, pessoa capaz de predições ou inspirações baseada em ligações aos deuses, declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.

Passaram 500 anos. O nó lá estava. Passando pela Frígia, Alexandre, o Grande ouviu a lenda e ficou curioso. Foi ao templo, observou de forma atenta o nó, retirou a espada da bainha e cortou o nó. Lenda, mito, haja ou não fundamentos históricos, certo é que Alexandre acabaria por se tornar mesmo o líder de toda a Ásia Menor.

A história do nó de Górdio pode bem ser utilizada para tentar explicar o que se passa hoje em todo o mundo no sector da comunicação social e, em concreto, da imprensa. O nó que amarra as empresas de comunicação social a velhas fórmulas e formatos continua sólido e forte. Apesar de algumas tentativas, desde ideias mais ou menos conservadoras até posturas arrojadas, a imprensa ainda não conseguiu encontrar o equilíbrio entre a palavra e as imagens colocadas por imposição gráfica num papel e aquilo que se transforma em linguagem binária informática e percorre o mundo numa rede a que todos chamamos Internet.

Comunicação em mudança

O processo de comunicação e de intervenção dos órgãos de comunicação social local ou regional junto das comunidades que têm de servir permanece em constante evolução. Segue, de resto, o mesmo percurso dessas comunidades, do país e do mundo. Recordando o conceito criado pelo teórico da comunicação, Marshall McLuhan, a aldeia nunca foi tão global como hoje. E esta é uma tendência que não ficará por aqui. Os novos laços dinamizados pela cada vez maior presença da internet e das redes de relacionamento social vieram substituir a forma como uma grande parte da sociedade interage.

Estes são tempos de mudança em todo o mundo. A evolução da tecnologia, com os novos equipamentos e soluções informáticas, está a proporcionar importantes alterações no paradigma social e económico. Que não haja ilusões, a presente crise mundial (porque não é só em Portugal) não é apenas financeira e económica e as suas repercussões estão longe de terminar. Está às nossas portas um novo período social. E, em rigor, ninguém pode dizer que sabe que mundo novo nos espera.

O sector da comunicação social é também fortemente atingido por estas mudanças. Toda a área da comunicação dita ‘tradicional’, televisões, rádios e jornais, está a registar, desde há anos, um processo de transformação que irá prolongar-se ainda por muito mais tempo.

Hoje, as televisões, rádios e jornais já não sabem trabalhar sem a Internet. É um meio que facilita todo o processo de comunicação e de transmissão de informação. No entanto, por outro lado, permitiu a criação de meios de comunicação, informação e entretenimento que concorrem directamente com os tradicionais. Em causa está, claro, uma questão de audiência e de obtenção de receitas, por via do meio mais importante de as obter para estas empresas: a publicidade.

Novos tempos

A realidade é que os meios tradicionais de comunicação e informação ainda não conseguiram encontrar uma forma de rentabilizar a sua presença na Internet. Perderam clientes para os seus produtos, sejam programas de tv ou rádio ou jornais e revistas, e perderam, ainda, receitas publicitárias. As empresas tradicionais viram surgir novos competidores (hoje há largos milhões de sites que têm anúncios), que fazem concorrência directa aos meios tradicionais. Não há que lamentar. São as circunstâncias dos novos tempos.

O problema é que, neste sector, ainda não surgiu um qualquer Alexandre, o Grande capaz de cortar os vínculos de outrora e avançar para uma nova etapa.

Online

Em vésperas de celebrar 11 anos efectivos de edições, PRIMEIRA MÃO anuncia hoje uma pausa da edição impressa. Iremos continuar, todos os dias, na edição online (www.primeiramao.pt). Vamos reestruturar todo o projecto de comunicação que pretendemos desenvolver ao longo dos próximos meses. Queremos voltar mais fortes e com um projecto informativo ambicioso.

Até breve.

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  1. […] “Até breve…” é o título do editorial do jornal, onde é anunciada a decisão e cuja leitura se recomenda. Share this:Gostar disto:GostoBe the first to like this post. Esta entrada foi publicada em História, Informações, Media com as tags Ciberjornalismo, Iniciativas, Internet, Porto, Regional. ligação permanente. ← Diário Cidade abandona o papel […]

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