Santo Tirso e o Ave ficaram mais próximos com o Percurso Pedonal das Margens

Foi com o descerrar da bandeira portuguesa numa placa, dois discursos, um corte de fita e um passeio que o Presidente da República e o presidente da Câmara de Santo Tirso inauguraram o Percurso Pedonal das Margens do Ave. É o resultado de um investimento de 4,5 milhões de euros, executado no âmbito da candidatura aprovada pelo programa ON2, “PRU – Parceria de Regeneração Urbana”.
O passeio pedonal e ciclável tem 1,4 quilómetros de extensão e foi implantado na margem direita do Rio Ave, ligando a cidade de Santo Tirso ao Parque Urbano da Rabada, na freguesia de Burgães. Uma obra que demorou pouco mais de um ano a implementar.

“Depois de um período de divórcio, o Ave começou a ser alvo de atenção” e o plano agora em aplicação é um sinal desta nova fase, destacou Castro Fernandes. O presidente da Câmara de Santo Tirso recordou que a aprovação deste projecto surgiu depois de alguns resultados negativos, incluindo a não aprovação da candidatura apresentada ao Polis.
A obra integrou várias intervenções, nomeadamente num troço de arruamento da Rua do Rio Ave, com a execução de um parque de estacionamento, de instalações sanitárias e de plantação de árvores de enquadramento, a criação de uma Plataforma Pedonal elevada com deck entre o estacionamento e a curva do Rio Ave a montante do açude e a Criação de Passeios e uma Ponte Pedonal ligando a Plataforma ao Parque Urbano da Rabada.

O passeio pedonal é o maior dos investimentos previstos no programa de acções desta Parceria de Regeneração Urbana (PRU), que pretende tornar as frentes ribeirinhas do rio Ave um espaço de sociabilidade e lazer.
A PRU é liderada pela Câmara Municipal de Santo Tirso mas conta com outros parceiros, como a Fundação de Santo Thyrso; DREN – Escola Profissional Agrícola Conde S. Bento; Associação Recreativa da Torre (ADRNST) e Café do Rio.

No total, os investimentos ascendem a mais de 10 milhões de euros. Além do projecto agora inaugurado, a verba será aplicada na requalificação da Fábrica de Santo Thyrso, com incubadora de empresas de arte e design, nave cultural e industrial e frente ribeirinha, na Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento, com a recuperação do Passeio dos Frades e construção de centro de interpretação ambiental, na zona da eira da escola agrícola, na construção de uma escola de hotelaria e no Parque Urbano da Rabada, com mais equipamentos e sanitários.

Castro Fernandes espera que o trabalho não fique por aqui e salienta que é necessária uma nova operação integrada para a região do Ave, “adaptada às circunstâncias atuais, que coordene esforços transversalmente, unindo sociedade civil e instituições públicas, de forma a trazer investimento público e privado para Santo Tirso e para a região. Estou em crer que projetos, como este que hoje se inaugura, de qualificação urbana e ambiental, criam as condições de actratividade o clima propício à fixação da actividade económica e ao desenvolvimento da inovação e da criatividade. Tenho a certeza de que é possível fazer mais e melhor com menos”.

Na sua primeira visita a Santo Tirso enquanto Presidente da República, Cavaco Silva reconheceu que a reabilitação urbana é das actividades mais complexas que os autarcas têm de executar. “Hoje já não se trata de expandir as cidades mas de fazer o possível para manter o que temos”, salintou.
O Presidente defendeu ainda a necessidade de “reter os mais jovens” nas suas terras para que “não sejam tentados a ir para outras paragens ou mesmo para o estrangeiro”.

“Quem vai tirar a bandeira? É o artista, não é”

“Quem vai tirar a bandeira? É o artista, não é”, perguntava, alto, uma senhora, habitante de Santo Tirso. Se ‘o artista’ era o Presidente da República, sim, seria ele a tirar a bandeira que escondia a placa de memória da inauguração do Passeio das Margens do Ave.
Por entre alguns milhares de pessoas que se deslocaram à área próxima do Mosteiro de S. Bento para a festa de inauguração, esta era das mais animadas. Anunciava a quem a quisesse ouvir que estava ali “só por curiosidade”. “Nem o posso ver”, dizia. Ao lado, respondiam-lhe com uma afirmação em jeito de pergunta: “Então não vinhas, porque é que vistes?” “Porque quero ver”.

Um dia depois de afirmações polémicas acerca do valor da sua reforma, Cavaco Silva não fugiu a algumas bocas disparadas à distância, com excepção de um idoso que, por entre um aperto de mão, aproveitou para censurar as declarações do Presidente. Ao lado, outro declarava que “se tivesse vergonha, com as palavras que disse, nem aparecia”. O povo tinha saída à rua mas não estava contente.
No final, Cavaco Silva recebeu a oferta de uma caixa de bolos jesuítas, um dos ex-libris de Santo Tirso, das mãos de Castro Fernandes. Terá sido o mais doce de um dia aziago para o Presidente da República.