Garland abre novo Centro Logístico na Maia

O Grupo Garland inaugurou o novo Centro Logístico na Maia, um projeto que representa um investimento global de 8 milhões de euros. A obra foi mais um sinal da aposta da Garland em Portugal, com 81 por cento do projecto a ter origem nacional. Um facto largamente assinalado numa cerimónia de inauguração bem desenhada e num ambiente muito agradável, dominada a
O centro está implantado num terreno de 25 mil metros quadrados na Zona Industrial da Maia, com uma área bruta de armazenagem de 12 mil metros quadrados, uma altura de 12,5 metros e 23 cais de carga e descarga. Esta infra-estrutura irá permitir à Garland Logística obter uma capacidade adicional de armazenagem de 20 mil paletes.

“Somos uma empresa atenta às novas oportunidades”, salientou o presidente executivo, Bruce Dawson. Este novo centro vem suprir a lacuna de infra-estruturas com esta dimensão no norte do País e dar resposta às crescentes necessidades em termos de operações logísticas. Para muitas empresas de média dimensão, este projeto permite o recurso ao ‘outsourcing’ logístico, com as vantagens económicas e competitivas, incluindo a substituição de custos fixos por custos variáveis, assinala a Garland.

A localização deste centro, na zona de envolvência do Aeroporto e do Porto de Leixões, permite uma optimização, a nível económico e de tempo de resposta, dos transportes que são necessários realizar para aceder aos terminais de carga aérea e portuária, onde são recebidas e expedidas as cargas dos agentes económicos que operam no norte do país. Só por isto, a empresa garante que se justifica o investimento, que ocorre num clima económico pouco simpático. Bruce Dawson não hesita em explicar. A Garland já viveu muitas crises nos mais de 200 anos de história e sempre viu os momentos difíceis, de crise, como oportunidades para investir. Foi assim na 2ª Guerra Mundial e após o 25 de Abril de 1974 e é assim agora.

“Infelizmente Portugal está contagiado por pessimismo, por mensagens negativas. Esta obra é um exemplo de confiança e optimismo. Portugal e os portugueses têm de apostar no seu país, somos tão bons como qualquer outro”, assinalou Bruce Dawson no seu português escorreito mas com incontornável sotaque britânico.

Nem tudo corre bem, refere o administrador executivo. Desde logo pela falta de liquidez no mercado, cabendo ao Estado e aos bancos resolver este problema. A começar pelos “lamentáveis atrasos de pagamentos” e a falta de um sistema judicial eficaz.
A actividade logística da Garland Logística representa cerca de 50% do volume global de negócios do Grupo Garland e tem uma forte implantação no norte do País. A Empresa, líder no mercado nacional da logística têxtil e de distribuição de moda, integra a maior rede de distribuição de moda da Europa, a Faxion Network, e é o Operador Logístico da área têxtil de um dos maiores retalhistas nacionais, prevendo movimentar mais de 8 milhões de peças nacionais.

Para além deste, a Garland Logística atua em outros sectores de actividade, assim como na gestão de operações logísticas em casa do cliente ou logística “In-House”
O novo centro da Garland “dispõe das mais avançadas soluções tecnológicas utilizadas neste sector”. Para além das tradicionais actividades de armazenagem, preparação de encomendas e distribuição, o leque de serviços de valor acrescentado para os clientes contempla etiquetagem, reembalamento, assemblagem de componentes, controlo de qualidade, entre outras opções.

A companhia tem 300 funcionários e admite criar mais postos de trabalho. “Investimos na nossa equipa por intermédio de formação e tecnologia, tendo como objectivo o orgulho de representar a Garland”, destaca Bruce Dawson, que sublinha a atenção permanente no sector da formação e ambiente de trabalho.

Cavaco e a confiança

Cavaco Silva vê neste investimento “um sinal de confiança no presente e no futuro de Portugal”. O Presidente da República assegura que está a ser feito um grande esforço para reforçar a confiança dos empresários e dos investidores, “através da correcção dos desequilíbrios que afectam a nossa economia e de reformas estruturais dirigidas ao aumento da competitividade”, elogiando a celebração do acordo de concertação social assinado entre o Governo, as confederações patronais e a UGT.

Cavaco Silva segue Bruce Dawson e concorda que este investimento da é um contributo para “o aumento da competitividade das empresas exportadoras nacionais”, elogiando esta aposta “arrojada” da Garland.
Na cerimónia de abertura, o presidente da Câmara da Maia aproveitou para salientar o “importante investimento” da empresa que ocorre num momento difícil da economia nacional. Bragança Fernandes considera que “o exemplo da Garland deve ser replicado para muitos sectores de actividade do país”. Dando conta que “o sucesso da Maia enquanto concelho de referência reside, em grande parte, no sucesso dos seus empresários”, o autarca assinala que a “estratégia de acção assenta em três factores: a educação, a protecção social aos mais desfavorecidos e o apoio ao tecido empresarial”.

235 Anos de História

O Grupo Garland está ligado a Portugal desde 1776 quando um navio veleiro que transportava bacalhau da Terra Nova até França foi apanhado por uma tempestade e acabou por aportar em Lisboa. O navio pertencia a Thomas Garland, que acabou por vender o bacalhau em terras lusas e acabou por montar a sua empresa na capital portuguesa. “Nunca imaginou que a Garland por cá estaria passados 235 anos, continuando a investir em Portugal”, acrescenta Bruce Dawson. Uma história intensa, dado que a Garland até teve autorização para imprimir notas e apoiou a saga do almirante Gago Coutinho na sua travessia aérea do Atlântico.