Opinião Victor Dias: Uma nova fase do ciclo Bragança Fernandes

Bragança Fernandes apresentou no passado domingo a sua candidatura à Presidência da Câmara Municipal da Maia, cuja eleição está marcada para o dia 29 de Setembro.

Não posso, em consciência, deixar de fazer aqui uma declaração de interesses, porquanto me assumo claramente, como um dos seus indefectíveis apoiantes. E como me considero um cidadão com cultura democrática, tenho de admitir que isso possa condicionar o alcance da minha opinião. Opinião que vale o que vale, mas que assumo por inteiro.

Bragança Fernandes é um político que, a meu ver, dava um bom “case study”, na medida em que teve de suceder a um autêntico dinossauro do poder local, em condições políticas inesperadas e, por esse facto, particularmente difíceis. Sobre esse contexto, Marco António Costa, na cerimónia pública de lançamento da candidatura, fez um discurso muito inteligente, que libertou o candidato de ter de se referir ao passado e à sua herança, para sublinhar sobretudo as suas qualidades pessoais e políticas que o levam a atrair, para a sua missão, gente de todos os quadrantes e boas vontades.

De uma forma serena, tranquila e num jeito de português suave, Bragança Fernandes, abriu e marcou, na Maia, um novo ciclo político. O ciclo Bragança Fernandes, marcado essencialmente pelo seu jeito de pessoa afável, próxima e sempre disponível para acolher e ouvir as pessoas.

Neste tempo de vacas magras, de dureza social e adversidades de toda a ordem, o que as pessoas precisam é de alguém que olhe para os seus problemas concretos, qualquer que seja a sua dimensão, e lhes dê a atenção necessária, ajudando-as a resolvê-los, mas também, dando-lhes, sempre, uma palavra amiga, de amparo e solidariedade. E isso, Bragança Fernandes faz. Faz como poucos o fazem, com naturalidade, com simpatia e com interesse em ajudar, em ajudar sempre.

Mais do que o seu capital político que, como todos sabemos, se agigantou nas últimas eleições, com uma vitória inequivocamente expressiva e ímpar, inaugurando uma correlação de forças que entre 11 mandatos, arrecadou 8 para a sua candidatura, mais do que essa arrebatadora força política, o seu maior capital é o humano. Um capital que cimentou as bases concretas do novo ciclo político que a Maia vive e que, tal como eu espero e acredito, vai entrar a 29 de Setembro, numa nova fase.

Analisar e comparar

Neste momento, temos já no terreno algumas candidaturas que nos permitem analisar e comparar o que as diferencia.

Olhando para a candidatura do PS, encontro uma dificuldade que, por certo, é partilhada por imensos maiatos. Porque com todo o respeito pela pessoa do candidato, respeito que é total, a verdade é que não o conhecemos. Não o conhecemos e achamos estranho que o PS tenha apostado num ilustre desconhecido, para a imensa maioria das pessoas.

Contudo, devo dizer que reconheço no candidato, uma qualidade, perante a qual lhe tiro o chapéu. É o facto de ter demonstrado um grande espírito de militância e de serviço ao seu partido. Serviço e militância que, segundo parece, nenhum militante maiato se dispôs a prestar.

Virtudes do poder local

Nestes quase 40 anos que levamos de Democracia, o melhor que ela nos trouxe, foi sem dúvida a melhoria substantiva da autonomia e âmbito de acção do poder autárquico. Um poder que, por definição, depende muito do perfil pessoal de quem o exerce, mormente dos seus líderes locais.

O conhecimento do terreno, da identidade cultural e dos factores de coesão das comunidades, numa palavra, a proximidade e a relação pessoal com quem habita o território, é uma dimensão do poder local que o torna único.

Conhecer cada uma das pessoas que vivem em cada rua ou lugar, saber o seu nome, a que família pertencem, que escola os seus filhos ou netos frequentam e ter noção das expectativas e anseios de cada pequena comunidade, é um patamar da acção política que difere em quase tudo, com o nível nacional.

Para um Presidente de Câmara, a sigla e cor partidária, a ideologia política e as táticas do combate entre poder e oposição, têm uma importância muito relativa e certamente não lhe roubam muito tempo. Porque o seu tempo, o seu precioso tempo, é utilizado, na sua quase totalidade, a resolver os problemas da sua terra, e a levar a bom porto os projectos que realmente interessam à população.

É essencialmente por esta característica estrutural do cargo de Presidente de Câmara que uma eleição autárquica não é comparável com as demais. E a prova disso é que, independentemente dos partidos que aparecem nos boletins de voto, há autarcas, um pouco por todo o país, que vão sendo reeleitos, alargando as suas bases eleitorais, num espectro que, em muitos casos, apresenta resultados que divergem claramente com os que os seus partidos de origem obtêm em eleições legislativas ou europeias.

O caso mais flagrante é precisamente o da Maia, em que Bragança Fernandes, na sua última eleição, arrecadou votos de todas as forças partidárias.

Bragança Fernandes vale por si próprio e a sua força, a sua autêntica e verdadeira força, é aquela que os maiatos lhe dão, com o seu apoio e com o seu voto. E ele sabe bem disso. Sabe tão bem, que sempre que é preciso defender os interesses dos maiatos, não tem qualquer problema em enfrentar o Governo ou qualquer organismo da administração central, demonstrando que a sua maior lealdade é sempre para com a Maia.

Nas próximas eleições autárquicas, quando me dirigir à cabine de voto, levarei no meu espírito, a única ideologia, que será capaz de me levar até lá, e que firma na minha pessoa, uma funda convicção, – o meu partido é a Maia.

Coerente e consequentemente, sempre pela Maia, vou votar em Bragança Fernandes.

Victor Dias