Opinião Victor Dias: Será que podemos ter confiança e esperar alguma coisa deste Governo?…

Como os caros leitores bem sabem, tenho tido imensa dificuldade em acreditar na competência política dos nossos governantes e, como tal, não os tenho poupado a críticas. Críticas que a meu ver se têm revelado justas, porquanto os resultados, infelizmente, têm confirmado o argumentário que tenho invocado.

Confesso que preferia não ter razão, e ao invés de notar os erros, seria bem melhor louvar as virtudes das políticas governamentais.

Podem os leitores estar absolutamente certos que se eu tivesse razões para o fazer, para enaltecer a acção política governativa, o faria com imenso gosto, até porque sou social-democrata convicto. No entanto, não fanático nem fundamentalista e acima dessa minha convicção político-ideológica, está sem sombra de dúvida, a minha consciência. E a minha consciência não me permite concordar ou apoiar ideias e acções que colidem com o juízo que faço de tudo quanto me rodeia. É a vida…

Considerando que este Governo nasce de uma tentativa de remediar, com um mal menor, um mal maior, manda a minha consciência que se dê um voto de confiança e se abra uma janela de Esperança.

Esperança que não será fácil de transmitir aos portugueses, face ao desânimo que grassa em toda a sociedade.

portas_tomada_posse

É claro que não podemos ser ingénuos e, sobretudo, não podemos deixar de lamentar que não tenha havido o cuidado necessário, para conseguir um elenco governativo que estivesse completamente fora do alcance da contaminação da sua imagem, por factos biográficos dos ministros que, queiramos ou não, vão inevitavelmente afectar a credibilidade do Executivo, para não falar já, outra vez, no irrevogável Portas.

Embora não seja possível restabelecer o tempo do estado de graça que era política e socialmente concedido aos novos governos, sou inteiramente a favor de que se dê a este Governo recauchutado, uma oportunidade de confiança para que consiga fazer o que estiver ao seu alcance, no sentido de tentar devolver ao país, a força anímica e a vontade de arregaçar as mangas e dar a volta a esta situação de profunda crise.

Atendendo a que a missão é hercúlea e dificílima, julgo que é o mínimo que podemos fazer nesta altura, por Portugal.

Sei que para muitos de nós não é fácil dar este voto de confiança, mas também que outra alternativa têm?…

Se este Governo falhar, e se falhar mais cedo do que as próximas eleições legislativas, lá teremos antecipadas e tudo o que por aí há-de vir. É por isso que me parece que devemos dar um tempo e esperar pelos resultados.

Estes dias dei comigo a pensar como é que ainda havia gente que não se importava de ser Ministro ou Secretário de Estado. Das duas uma, ou tem realmente um grande sentido do dever cívico e um enorme espírito de missão, generoso e altruísta, ou então, tem interesses insondáveis que escapam ao comum dos mortais. Prefiro acreditar na primeira hipótese e na bondade das pessoas em servir Portugal.

A ver vamos…

Victor Dias