Opinião Victor Dias: Regras e rituais tornam as crianças mais confiantes e seguras de si mesmas

Há dias, numa conversa informal com uma amiga de família, tomei consciência de uma certa aversão que se instalou na sociedade, a respeito da imposição de certas regras e do culto de alguns rituais familiares.

Constatei depois, dando um pouco mais de atenção a essas questões, que muitos pais têm um conceito, a meu ver, bastante errado acerca da necessidade de habituar as crianças a cumprir regras e a praticar alguns rituais familiares e sociais.

A ideia de que as crianças podem ficar traumatizadas psicologicamente, por serem obrigadas a observar regras básicas que são essenciais à sua integração social e familiar, já não colhe, nem sequer, a opinião favorável de uma boa parte dos bons psicólogos e pedopsiquiatras. Muitos desses técnicos, há muito que já adoptaram as vantagens de uma educação directiva que, embora dando algum espaço à criatividade e imaginação natural das crianças, as faz sentir que o Mundo é feito de regras e rituais.

beijo

De entre as regras fundamentais de uma boa educação, estão coisas tão básicas como, por exemplo, não interromper os adultos enquanto falam com outras pessoas, saber estar à mesa, acatar as ordens dos pais e educadores, respeitar o espaço e os bens dos outros, ou cumprimentar os adultos segundo as boas práticas sociais.

Os rituais familiares e sociais, ao contrário do que muito boa gente pensa, são fundamentais para que a criança adquira sentido de família e de comunidade.

Regras e rituais revelam-se de extraordinária importância para que a criança cresça harmoniosamente e sinta, gradualmente, mais segurança.

Uma criança capaz de cumprir regras e participar em rituais, apresenta normalmente uma maior auto-estima e auto-confiança e, obviamente, menos problemas de integração ou inadaptação.

A imposição de regras e o cumprimento de rituais não carece de grandes exigências autoritárias de disciplina, bem pelo contrário, o que é necessário é fazer sentir à criança, como ela é uma pessoa importante no seio da família e da comunidade, levando-a a perceber, pelos meios ajustados, como ela é amada e considerada.

Uma criança deve ser tratada como tal, no respeito pela sua idade e universo próprio. Respeito que deve atender às suas necessidades particulares, de brincar, de se exprimir, de ser amada e tratada com plena dignidade humana.

Mas nada disso invalida uma boa educação, para que cresça feliz e se torne num adulto íntegro, digno e civilizado. Para que isso aconteça, pais, educadores e sociedade em geral têm a responsabilidade de a fazer compreender e interiorizar que o Mundo se constitui de regras e rituais.

Se nós próprios, pais e cidadãos em geral, estivermos cientes da importância disto, daremos um enorme contributo para formar boas pessoas e bons cidadãos, logo, não há que temer as regras e os rituais.

Victor Dias