Quarteto OPUS QUATRO brilhou no Salão Árabe do Palácio da Bolsa

A convite do Comité Organizador do YES MEETING 2013, reunião médico-científica internacional, organizada pelos alunos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o Quarteto de Cordas OPUS QUATRO, abrilhantou a cerimónia de entrega de prémios, aos autores dos trabalhos científicos distinguidos com os vários galardões atribuídos pelo Júri, constituído pelo Comité Científico do evento.

Sublinhe-se que este acontecimento internacional, inscrito no calendário dos principais “meetings” de Ciências Médicas, trouxe ao Porto, além de proeminentes cientistas de renome mundial, a Prémio Nobel da Química, Ada Yonath, cientista israelita que se tornou célebre, pela sua investigação e descobertas, quanto à estrutura e funcionamento do Ribossoma.

A cerimónia solene decorreu no esplendoroso Salão Árabe do Palácio da Bolsa, contando com a presença de Maria Amélia Ferreira, directora do curso de Medicina da FMUP cuja alocução, a propósito do evento, foi reveladora da sua enorme sensibilidade artística e humana, bem como do seu interesse e incondicional apoio, às iniciativas científicas levadas a cabo pelos alunos da Faculdade, futuros médicos e investigadores.

Opus Quatro

Ao OPUS QUATRO esteve reservado um papel fundamental, quer no que respeitou à criação de um ambiente de requintado cerimonial, como na profunda emoção que conseguiram provocar em muitos dos presentes.

Na verdade, os quatro jovens músicos, lograram uma prestação artística de finíssimo recorte e elevado grau de perfeição técnica e estética.

Dou particular enlevo à irrepreensível afinação que conseguiram manter intacta até ao final do pequeno concerto, facto merecedor desta nota, atendendo às variações de temperatura e humidade a que a sala esteve sujeita, inconstância que habitualmente se reflecte severamente na afinação dos instrumentos.

O quase virtuosismo do quarteto, atingiu o seu auge, na atitude muito contida com que iniciaram o concerto, interpretando o Canon, em Ré Maior, de J. Pachelbel. Apreciei de sobremaneira, o trabalho apresentado ao nível da dinâmica, com crescendos perfeitos e um fraseado muito cristalino que permitiu seguir toda a trajectória da linha melódica. Tendo sido a obra de abertura, com ela, o OPUS QUATRO, disse logo ao público, ao que vinha e, realmente, surpreendeu, porque o que faltava ouvir, consolidou a minha impressão inicial.

A seguir, foram executados excertos da Música Aquática e Música para os Reais Fogos-de-artifício, de G. F. Haendel, emprestando à cerimónia, todo o carácter solene e festivo que ela requeria e que aquela Música, tão bem, lhe conferiu.

Como seria de esperar, o Genial J. S. Bach, não poderia faltar à festa, tendo sido convocado um Arioso, escolhido de entre os vários que o compositor escreveu, para ajudar a preparar o espírito humano para as coisas grandes da vida. Sobre este momento do programa, só posso dizer: – que maravilha!…

A encerrar o programa de mão cheia, com que os quatro jovens presentearam o público, não poderia faltar a Música do jovial génio de Salzburgo, W. A. Mozart, é claro.

E a selecção do OPUS QUATRO, demonstrou bem que o quarteto também é mestre na arte de escolher os seus programas, sabendo bem o que é adequado a cada momento. acrescentaram ainda a essa mestria, a sua contagiante simpatia. Creio também que ninguém ficou indiferente à nobreza e elegância que marcou a sua presença em palco.

Quando soaram os primeiros acordes da Pequena Serenata Nocturna, K. 525, de Mozart, instalou-se no espírito dos presentes, um estado festivo, alimentado por uma Música plena de alegria e exuberância, a que a entusiástica entrega dos quatro jovens músicos, emprestou um vigor muito inspirado pela dignidade da sala e pelo caloroso e vibrante aplauso de um público que também não deixou os seus créditos por mãos alheias, dando a perceber claramente a sua sensibilidade ao belo musical.

João Cristóvão e Miguel Gil, violinos, Susana Magalhães, viola d´arco, e Gabriela Magalhães, violoncelo, foram calorosamente cumprimentados por vários oradores estrangeiros que imediatamente após o fim do concerto, se levantaram espontaneamente, para os saudar, expressando desse modo, o seu apreço pelo bem intelectual que lhes tinha sido dado desfrutar.

Eu que não sou médico, dei comigo a pensar que, com médicos assim, tão emocionados com aquela experiência sensível ao estético, poderia colocar a minha vida nas suas mãos, porventura, com muito maior confiança na sua sensibilidade humana, qualidade que nem sempre acompanha a competência técnica e científica. Ao que me foi dado perceber, todas aquelas pessoas, professores, alunos, médicos e cientistas, são portadoras de uma mente ou de um espírito que se deixa tocar pela Beleza das coisas, seja uma teoria, uma descoberta científica ou uma obra musical, e isso diz tudo da sua natureza íntima…

Estou convicto que aquele fim de tarde, no Salão Árabe, ficará a ressoar por muito tempo, na memória de todos quantos tiveram a felicidade de partilhar da sua fruição.

Ao jantar, reflectia em família, sobre as pontes que ligam a Música à Medicina, tomando como válida, a ideia de que quer uma como outra, têm bem mais coisas em comum do que se possa pensar, porque ambas emanam e dizem respeito à mesma realidade. A realidade do corpo e da alma, essências da Humanidade de todos nós. Ideia que, em síntese, a Professora Maria Amélia, também sustentou no seu discurso.

Uma nota final, para expressar o meu contentamento pela fulgurante carreira artística que o jovem violinista Miguel Gil, está a fazer, em grande ascensão de forma. Este meu orgulho, fica a dever-se ao facto do artista ter iniciado os seus estudos no Conservatório de Música da Maia, onde concluiu o Curso Complementar de Violino, com grande distinção e estar agora a concluir o Curso Superior nesse instrumento, na Universidade de Aveiro. É reconfortante ver como uma boa árvore dá sempre bons frutos…

Victor Dias