Opinião de Victor Dias: “Comunhão de afectos” é verdadeira identidade nacional

No passado domingo, ouvi na TSF, a entrevista concedida pelo Professor Adriano Moreira e fiquei impressionado com a lancinante lucidez deste homem, que apesar da sua provecta idade, continua a ter uma visão da vida e do Mundo, muito profunda e consistente.

Confesso que, neste tempo em que grassa a superficialidade mediática, esta forma de pensar e de dizer, mergulhando fundo nas questões, para tirar das profundezas da história da humanidade e da sociedade, as verdadeiras causas do que gera tensões, conflitos e desarmonia, é para mim, uma escola de vida. É em pessoas como o Professor Adriano Moreira que colho exemplo, para tentar adoptar as virtudes do seu modelo, de pensar, ver, estar e sentir o Mundo.

Adriano Moreira

A sua Douta opinião, sobre matérias tão importantes como a ética política, sobre os desígnios que Portugal teima em não cumprir, ou compreender, mas sobretudo a sua análise da situação política, económica e social, são de uma clarividência ímpar e impressionante.

O Professor Adriano Moreira é, no meu entender, o único e verdadeiro senador que Portugal tem, e em quem, pode confiar, porquanto as suas opiniões, não estão condicionadas ou amordaçadas por qualquer sequestro de consciência, seja ele ideológico ou económico.

Esta cativante entrevista, contribuiu para consolidar a minha convicção de que o valor da experiência de vida, associado ao conhecimento e à sensatez, temperança e boa formação ética e moral, qualidades que abundam na personalidade do Professor Adriano Moreira, comprovam que a maturidade nos confere competências que não se aprendem apenas com teoria ou estudo. Tudo isso, sem deixar de ser importante, não é suficiente para dispensar o papel insubstituível do viver, do passar pelas dificuldades e venturas, de errar e aprender com o erro e de ser posto à prova, diante as possibilidades de escolha, entre caminhos errados ou caminhos de verdade, e ter de decidir.

Comunhão de afectos

Fixei uma ideia absolutamente marcante que o Professor deixou com muita claridade, que é mais do que clareza, foi a de que a identidade de uma Nação, mais do que uma questão ideológica, cultural, social ou política, se cimenta na comunhão de afectos.

Confesso que este conceito, me fez lembrar a história do ovo de Colombo. É um conceito simples, muito fácil de entender, mas muito profundo e coeso. Pode até parecer fácil e levar os mais afoitos ao trivialismo que tudo quer banalizar, a pensarem que até eles seriam capazes de desenvolver tal conceito. Mas na verdade, não foram eles, foi o Professor Adriano Moreira. Foi ele que, de uma forma extraordinariamente singular, mas extremamente pedagógica, nos fez compreender, sem nenhuma dificuldade, que o pior que os nossos actuais governantes estavam a fazer, era destruir a “comunhão de afectos”, fazendo perigar de uma forma nunca antes vista, a identidade e coesão nacional, no fundo, o mais valioso elemento do ADN genético de Portugal. Se pensarmos, se pensarmos bem nesta interpelação que o Professor nos coloca, a todos nós portugueses, constataremos que é precisamente a “comunhão de afectos” que confere solidez às nossas próprias famílias. Não é o património que cada uma herda, ou a sua ideologia, nível cultural ou social, mas sim, a “comunhão de afectos” e a sua partilha inter-geracional.

Espero sinceramente que alguns dos nossos governantes e políticos, tenham escutado ou lido esta entrevista, no DN, e tenham sido tão sensíveis aos conceitos e visões estratégicas que o grande Mestre nos deu, tornando tudo tão óbvio, sensato e credível.

Que grande lição de vida.

Obrigado Professor Adriano Moreira.

Victor Dias