Opinião Victor Dias: Cavaco Silva defende novo pacto de governação integrada dos oceanos

Eis uma temática que está na ordem do dia, e vai perdurar na agenda mediática mundial, por muitos e muitos anos, considerando a enorme actualidade de que se reveste este assunto.

Esta é uma matéria que reúne o consenso quase unânime de todos os sectores das sociedades contemporâneas, face à avassaladora força dos últimos acontecimentos climáticos e ambientais, cujas consequências têm sido devastadoras.

O assunto tem, como não poderia deixar de ter, uma dimensão política incontornável, mas assume principalmente, um nível de envolvimento e responsabilidade global que convoca toda a cidadania, a nível mundial.

A este propósito, a intervenção do Presidente da República Portuguesa, na Cimeira Mundial dos Oceanos, que teve lugar no final do mês passado, em S. Francisco da Califórnia, nos estados Unidos, foi extremamente assertiva, pondo o dedo na ferida. Uma ferida que não cessa de se agravar, de forma galopante e imparável.

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Cavaco Silva não poupou nos recursos enfáticos da linguagem, expressando com toda a veemência: – “Não podemos dar-nos ao luxo de falhar. Não podemos continuar a adiar. Temos de pôr finalmente em prática a nova governação integrada dos oceanos de que tanto necessitamos e que sabemos ser imprescindível”.

O professor advertiu a comunidade internacional para o risco de ser transposta a linha vermelha que nos separa do ponto de não retorno, do qual nos aproximamos perigosamente, é incomensurável.

O chefe de Estado de Portugal, aludiu à necessidade de uma governação integrada dos oceanos, regulada por um pacto que estabeleça regras e objectivos bem claros. Objectivos cuja definição é essencial, para a configuração, de um comprometimento efectivo e consequente, de todos os países banhados pelos mares e de toda a comunidade internacional, sem excluir ou isentar desse compromisso, os países que não têm costa marítima.

O Presidente acrescentou: – “Temos de agir”, clarificando que uma nova governação dos oceanos tem como objetivo impedir que a intensificação do seu uso e o desenvolvimento da economia do mar continuem a conduzir à degradação do ambiente marinho.

Cavaco sublinhou: – “A governação dos oceanos irá exigir níveis muito mais elevados de coordenação e integração das políticas sectoriais. Às políticas públicas departamentalizadas para as pescas, para os transportes marítimos ou para a conservação ambiental, deveria suceder uma nova política marítima integrada”.

Esta comunicação do Presidente Cavaco Silva, revestida de grande significado concreto e simbólico, foi a meu ver, uma das suas intervenções públicas que maior consenso e aplauso reuniu, desde sempre.

Creio que interna e externamente, muito pouca gente, ou mesmo ninguém, discordará, no essencial, do que afirmou o Presidente.

Talvez não me engane muito, se considerar que foi um dos discursos mais mobilizadores da cidadania que alguma vez, Cavaco Silva, terá proferido, em toda a sua vida pública, face à tremenda assertividade da sua mensagem.

Por fim, não posso deixar de recuperar a ideia que Cavaco Silva lançou, como quem esgrime um grito de alerta que me fez lembrar a belíssima canção de Roberto Carlos, sobre as baleias, avisando que no futuro, quando os nossos filhos e netos nos questionarem sobre as consequências catastróficas da acção predadora do Homem, da sua incúria e negligência, acabarão por concluir que sabíamos bem quais eram as causas, tínhamos plena consciência do rumo errado que estávamos a seguir, mas não fizemos nada, ou pelo menos, não fizemos o suficiente para tentar evitar ou minimizar as consequências.

Caros leitores, não podemos comodamente, encolher os ombros, e deitar o assunto para debaixo do tapete, ou simplesmente, empurrar para a esfera exclusiva da política. Os políticos, enquanto nossos representantes, terão aí, um papel fundamental a desempenhar, é certo. Mas a grande missão, e o maior esforço global que é urgente empreender, diz respeito à cidadania. Diz respeito a cada um de nós, a mim, a si, ao seu vizinho e a todo o Mundo.

Ou não será o Planeta, a nossa casa comum, com um condomínio de responsabilidade global?…

Victor Dias