Opinião Victor Dias: Eu quero saber

Cavaco Silva falou ao país para mostrar um amarelo aos partidos.

Enquanto cidadão, senti-me assim como aqueles alunos a quem o professor, face à sua manifesta dificuldade de impor respeito e disciplina a alguns elementos da turma, resolve ter um discurso generalista, apelando ao bom senso e ao bom comportamento, na esperança de que os maus rapazes deitem sentido aos seus clamores.

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Creio que o Presidente, no seu íntimo, sabe bem que está a pregar aos peixes e que os maus rapazes, não vão lá com falinhas mansas, aliás, nunca foram.

Bem, mas e os outros, a imensa maioria anónima que não merecia levar com aquela lição de bom comportamento democrático, e a quem o discurso presidencial não diz nada, porque aquela carapuça não é barrete que sirva, a não ser à rapaziada dos partidos.

Farto deste paternalismo que tresanda a mofo ideológico, o que me interessa saber, não é o que o Presidente da República pensa.

Eu quero saber o seguinte:

  1. O que pensa, cada candidato a eurodeputado, sobre a Europa hoje e o que será o futuro da União?
  2. Como pensa cada candidato, posicionar-se no seio do Parlamento Europeu, face às grandes questões sociais e económicas?
  3. Por exemplo, como entende que a União Europeia deve atacar o problema do desemprego?
  4. Como vê a questão do crescimento e desenvolvimento económico?
  5. O que pensa sobre os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos no espaço europeu?
  6. O que pensa propor ao nível da convergência real do nível de vida na Europa da União?
  7. Que medidas defende para a harmonização fiscal e para a promoção de uma Justiça tributária equitativa na União?
  8. Que políticas comuns defende ao nível da educação e da qualificação dos europeus?
  9. Que pensamento tem acerca da política agrícola europeia?
  10. Que sabe e o que defende sobre a política europeia para os oceanos e economia do Mar?
  11. Que políticas defende ao nível do desenvolvimento sustentável, da preservação do ambiente e das medidas de combate ao aquecimento global, por parte da União Europeia?
  12. Que perspectivas tem e que políticas defende, para o sector energético e concretamente, para o sector das renováveis?
  13. O que pensa da questão da emigração e imigração entre muros europeus?
  14. De que forma vai dar conta do seu trabalho aos cidadãos portugueses, durante o seu mandato?
  15. Que propostas e contributos tem para dar, ao nível do debate sobre a segurança interna e geoestratégica na Europa de hoje?
  16. Em que circunstâncias e em que matérias, estará disposto a celebrar acordos e a partilhar solidariamente o seu voto, no seio do Parlamento?
  17. Que compromissos assume com os portugueses, uma vez eleito eurodeputado?
  18. Que posições está disposto a assumir, na defesa dos interesses de Portugal e dos seus concidadãos?
  19. Que pensa cada candidato sobre o futuro da zona euro?
  20. Que propostas tem cada candidato para solucionar o problema das dívidas soberanas dos países membros sobe intervenção?

Esta é a bateria de perguntas que deixo aos candidatos ao Parlamento Europeu, na convicção de que o perfil ideológico partidário que serve para consumo doméstico, de pouco, muito pouco mesmo, servirá para uso eficiente, no contexto político do Parlamento Europeu.

Eu, cidadão europeu de pleno direito, apresento aqui o meu guião e quero saber…

Victor Dias