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Variante à Estrada Nacional 14 fora do Plano Estratégico

Os presidente de Câmara da Maia, Trofa e Famalicão estão indignados com o Governo por a Variante à Estrada Nacional 14 (EN14) ter ficado fora do Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas.

Depois de uma reunião conjunta, os autarcas declararam, em conferência de imprensa, que a solução proposta de substituir o actual projeto da variante por uma “intenção de melhoria de acessibilidades na EN14 entre Vila Nova de Famalicão e Maia”, orçamentada em “20 milhões de euros, é manifestamente insuficiente”.

O documento do Governo explica que a intervenção, integrada no conceito ‘last mile’,  visa conferir melhores condições de acessibilidade numa zona densamente povoada e onde a dinâmica do tecido empresarial revela necessidades pontuais de adopção de medidas especificamente dedicadas a essa realidade. “A solução geométrica para a intervenção deverá ser amadurecida. Ponderando as necessidades referidas com a relação custo/benefício dela resultante”, acrescenta a missiva.

O documento recorda a existência de um estudo que prevê a criação de uma variante à EN14 entre Famalicão e a Maia, servindo o concelho da Trofa, com perfil de autoestrada em toda a extensão e um investimento de 190 milhões de euros. Mas o plano estratégico considera que esta solução é “actualmente desadequada”. Por isso, deverão ser estudadas melhorias localizadas com impacto específico essencialmente nas necessidades evidenciadas pelo tecido empresarial da região.

A realização deste projecto, acrescenta o plano, apresenta um “potencial moderado” de captação de tráfego, com destaque, em primeiro lugar, ao nível do transporte de mercadorias, potencia a melhoria de ligações consideradas insuficientes a plataformas logísticas e a parques industriais existentes ao longo deste eixo (Trofa e Mabor).

Ao nível do transporte de passageiros, potencia a melhoria de ligações consideradas insuficientes ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, a núcleos urbanos densos e a zonas industriais e equipamentos públicos existentes na região, potenciando ainda o interface entre o modo rodoviário e aeroportuário.

Os três presidentes de câmara, todos do PSD, dizem que a região vai ser prejudicada.

O autarca da Maia sublinha que a questão “não tem nada a ver com o PSD, mas sim com o estudo que foi feito por técnicos que deviam ter vindo ao local, deviam ter falado connosco e com os industriais e deviam ver onde é que existe o potencial económico”.

Bragança Fernandes acrescenta ainda que a rede de exportação está no Norte, por isso, não entende porque se abandona a região. “Depois dizem que o Norte é o mais pobre. Não entendo”, confessa.

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Já o presidente da Câmara Municipal da Trofa diz que os autarcas não estão “nada” satisfeitos e garante que não vão desistir de reivindicar. Sérgio Humberto acredita que não será o fechar “definitivo” de uma porta por parte do Governo relativamente à Variante à Estrada Nacional 14″.

O edil de Famalicão não se atreve “sequer” a pensar “o caos que seria gerado por um conjunto de obras e algumas correcções a fazer”. Paulo Cunha ressalva que a Estrada Nacional 14 é um problema, “nunca” será uma solução. “A solução passará pela criação de uma alternativa à nacional 14”.

Os autarcas acreditam que se trata de um dossier ainda em aberto. E admitem, face ao projecto inicialmente traçado, “uma redução do perfil da variante e a sua execução faseada, o que reduziria substancialmente o valor de investimento necessário”, segundo consta no documento entregue aos órgãos de comunicação social presentes.