Opinião Victor Dias: O que distingue Seguro de Costa?…

O Partido Socialista é uma força política imprescindível ao nosso sistema partidário, cujas responsabilidades são, como se diz agora, absolutamente incontornáveis.

Na história recente da Democracia portuguesa, o PS e alguns dos seus dirigentes de referência, tiveram um papel fundamental, na consolidação dos valores cívicos, para a construção de uma sociedade em que a Liberdade é o valor mais estruturante.

Entre a social-democracia e o socialismo democrático, só conseguimos encontrar diferenças de monta, no que uma e outra ideologia preconizam, mais quanto aos meios e processos para alcançar os fins, do que propriamente na essência dos fins em si mesmos. Quer dizer, ambas as ideologias convergem na essência dos valores fundamentais, de Liberdade, Democracia, Justiça Social e igualdade de oportunidades para todos…

À luz deste entendimento, as diferenças que mais se acentuam, acabam muitas vezes, por ganhar expressão, nos carismas dos dirigentes e na forma como estes personificam os projectos e programas políticos e, mormente, no modo e estilo de liderança que adoptam.

E se isto é verdade, no espectro político vulgarmente designado por arco da governação, também se aplica e muito, à disputa interna do poder.

Creio que o momento que o Partido Socialista está a atravessar, é precisamente um destes momentos, em que o que está em causa, não é nada de essencial ou ideológico, mas sim, um estilo de liderança e condução do programa do PS.

Refinando ainda mais o problema, creio mesmo que se trata de uma questão de fundo, que tudo tem a ver com a comunicação.

Não sei, e penso que mesmo no seio do PS, não haverá muita gente que saiba, se a liderança de António Costa, seria melhor ou pior, do ponto de vista das ideias e da substância, do que a de Seguro. Nem quero sobre isso, tecer qualquer comentário.

Mas estou completamente convicto que ao nível da comunicação, do discurso e do domínio dos meios e canais, Seguro não alcança os níveis de eficiência e eficácia de António Costa. E este é verdadeiramente o problema que Seguro enfrenta neste momento.

O perfil de um líder, muito para além do seu currículo político, radica essencialmente na sua competência comunicativa. Uma competência que se pode trabalhar, desenvolver e melhorar, com mais ou menos tratamento de imagem, mas que requer predicados e talentos naturais que nem sempre são distribuídos generosamente, a todos por igual. Refiro-me por exemplo, ao timbre e intensidade dinâmica da voz, à função fática da comunicação, ao golpe de asa e ao jogo de cintura. Tudo habilidades em que António Costa ganha aos pontos a Seguro.

E é por estas razões que os partidos da maioria governamental preferiam que Seguro se mantivesse na liderança do PS. Precisamente porque sabem, ou pelo menos calculam, que se nas legislativas de 2015, o líder for António Costa, outro galo cantará.

Lembro-me de um velho amigo do meu pai, lhe ter dito um dia, a respeito de um certo pregador que vinha, por ocasião da procissão do Senhor dos Passos, proferir do alto do púlpito, o sermão da Paixão de Cristo, dizer o seguinte: – “…meu caro amigo, aquilo é que é um pregador em modo, só falta bater…”.

Creio que este entendimento popular expressa bem, que tipo de competências comunicativas, são reconhecidas e valorizadas pelo povo…

E de certa forma, é o que está neste momento em causa, no Partido Socialista…

Há por aí, no seio do próprio PS, quem anuncie já, que Seguro está prestes a dar à Costa.

Se porventura avançar a ideia de umas primárias à americana, não deixarei de ir exercer o meu direito de voto e inaugurar essa experiência democrática que nunca vivi. E talvez vote em Seguro, ou quiçá, em Costa!?…

Victor Dias