Opinião Joaquim Armindo: Semana: Os Tribunais!

1.- Hugo Hermano é guarda da Guarda Nacional Republicana. Matou uma criança. Mas contemos. Um homem é assaltante, um dia levou o filho para o ajudar num dos assaltos. Nesse assalto foram chamados os garantes dos bens pessoais: a polícia, neste caso a GNR. O homem fugiu, como é normal, à polícia, num veículo automóvel, e meteu o seu filho, ajudante no assalto, na mala do carro. Aqui iria melhor guardado. A polícia na perseguição atirou aos pneus, um dos tiros perfurou a mala do carro e matou a criança. Todos nós somos pela paz e contra a morte, o polícia também, e como é que o garante da segurança de pessoas e bens devia saber que a criança estava na mala do carro e logo lhe acertar? Pois bem: condenado pelo tribunal, quatro anos de pena suspensa e trinta e cinco mil euros à família, mais dez mil euros ao pai, o assaltante, que está preso. O agente da autoridade fez mal, talvez devesse era perguntar ao assaltante se precisava de alguma coisa, até poderia precisar de ajuda para melhor roubar e até, sabe-se lá!, de transporte para o roubo. Ignóbil, não é?

2.- Mais uma! Foram detidos sete indivíduos ligados a clãs, suspeitos de tráfico humano. O que faziam? Recrutavam trabalhadores, deficientes e analfabetos, para trabalhar em Espanha. Obrigados a trabalhar na agricultura e construção civil, não recebiam um cêntimo pelo trabalho, eram espancados e alimentados com restos de comida. E dormiam em casas de banho, pequeninas para aprenderem. Conseguiram queixar-se, porém, queixar-se à polícia, que tem de possuir provas. Depois de um laborioso trabalho desta [polícia], conseguiram as provas necessárias e foram presos. Tribunal de Serpa decide mandá-los para casa e apresentarem-se na polícia duas vezes por semana, é que o tráfico humano não é assim tão grave e poderia, se os prendessem, levar a que, coitados!, ficassem desiludidos com a sua profissão!

 

justiça

3.- Vamos ter como Bispo do Porto, outro D. António Ferreira Gomes. Mostra ser um homem sem medo e nem sequer faz propaganda, o novo bispo António Francisco. A noite de S. João passou-a junto dos bairros mais pobres do Porto, porque quer “viver perto e estar perto das pessoas”, nesta terra de liberdade, a quem nem o fascismo conseguiu tirar a democrata noite de S. João o bispo quis viver “a proximidade é a minha maneira de ser e de viver e essa é a missão que entendo para os bispos e para os padres e para todos os grupos e cristãos.” Neste momento de alegria o bispo saiu da sua casa e foi viver os momentos de alegria, na festa do S. João, mas com os idosos, marginalizados, as famílias e os casos de desemprego, tendo afirmado que esta realidade “ exige uma atenção e uma resposta mais eficaz”. Temos Bispo!

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto