Opinião Joaquim Armindo: Semana: Primárias e Bloco

1.- Não duvidamos que os dois candidatos do Partido Socialista: António José Seguro e António Costa tenham sempre as salas a abarrotar de pessoas, agora militantes e simpatizantes. Se o dizem, e não podemos, nem devemos, afirmar que é mentira. É uma candidatura de “primárias” a primeiro-ministro com todo o sabor de abertura à sociedade, que não partidária, mas indiferente ou “independente”. Também não pudemos duvidar que as camionagens em Portugal ainda funcionam, e sabemos muito bem como encher uma sala de um teatro por maior que ele seja. Façam, pois, todas as sessões de esclarecimento, pode ser que o país dormente, passe a estar acordado. O que não vislumbramos ainda são as ideias e as linhas programáticas destes dois concorrentes; é mister que sejam públicas, para se saber o que se pensa fazer de Portugal. São os dois, pessoas honestas e lúcidas, resta-nos saber o que pensam sobre o país, com dados concretos. “Encher” recintos e salas é bom, para movimentar, mas quais são os seguimentos que vão ter. Não ouvimos, nem vemos, as análises que têm feito, já estavam realizadas, agora queríamos saber das metodologias e não serve dizer que se vai “dar” mais isto ou aquilo. Queríamos saber como se vai governar, dados concretos!

2.- Todos os partidos são necessários adentro da democracia. Temos os mais débeis, em votos, como o CDS ou o BE, e outros mais ou menos como o PCP, e as suas inconsoláveis alianças e aqueles mais “gordos” como o PS ou PSD, malgrado a designação deste último que não passa de um partido liberal e não social-democrata, certamente com sociais-democratas também. Muito bem, mas cremos que não é bom para a democracia que deixem de ter representantes nos vários órgãos. O BE, que tem tantos deputados europeus como o CDS, atravessa uma convulsão já prevista há muito. O BE é uma confluência de partidos e movimentos existentes e que se associaram para estarem no “poder”, vários pensamentos incompatíveis se atravessam, do PSR aos marxistas-leninistas, desde a antiga CDE aos vários partidos tão minoritários, que não chegam a ser conhecidos. É preciso a clarificação, o posicionamento de esquerda, aliás como Ana Drago, que só conheço da televisão, acabou por reconhecer. O Bloco de Esquerda nunca foi um “Bloco” cimentado em bases sólidas, antes de ligação entre as suas pedras da fragilidade do barro. Desaparecer não, esclarecer sim!

3.- Hoje deixo um excerto da meditação do Papa Francisco, na manhã de 7 de julho, na Casa de Santa Marta, com as vítimas da pedofilia: “Alguns sofreram mesmo a terrível tragédia do suicídio de um ente querido. A morte destes filhos amados de Deus pesa sobre o coração e sobre a minha consciência e a de toda a Igreja. A estas famílias, apresento os meus sentimentos de pesar e de amor. Jesus, torturado e interrogado com a paixão do ódio, é levado para outro lugar e olha; olha para um dos seus – aquele que O renegara – e fá-lo chorar. Pedimos esta graça, juntamente com a da reparação. Os pecados de abuso sexual contra menores por parte de membros do clero têm um efeito devastador sobre a fé e a esperança em Deus. Alguns há que se agarraram à fé, enquanto, a outros, a traição e o abandono corroeram a sua fé em Deus. A vossa presença aqui fala do milagre da esperança que prevalece sobre a mais profunda escuridão. É, sem dúvida, um sinal da misericórdia de Deus o facto de termos hoje esta oportunidade de nos encontrarmos, de adorar o Senhor, de nos fixarmos olhos nos olhos e de buscar a graça da reconciliação.”

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto