Semana: Ética política

1.- É necessário, quanto urgente, que o sucesso de uma pessoa não seja o insucesso de outra, porque isso martiriza. O que aconteceu, a imprensa relata que “esmagou”, nas eleições primárias do PS poderá ser o princípio de uma longa disputa interna, faz mal ao país e às portuguesas e portugueses. António Costa ao “vencer” António José Seguro, por 70% contra 30%, não pode, e não deve, trucidar este. São estilos diferentes de encarar o país, mas nunca poderão ser atitudes esmagadoras de uma minoria. As minorias são sal que servem para conduzir as maiorias. António Costa tem de ter a humildade de entender que nem todos pensam como ele, e que não possui a verdade, esta é uma confluência de verdades, que todos possuem. Não estou contra António Costa, nem contra António José Seguro, as pessoas são aquilo que são, no seu ser ontológico. Vencer não significa amordaçar, penso saber que António Costa saberá lidar com as diferenças e unir, o governo necessita de uma oposição forte, os dois complementam-se. Ética política, precisa-se.

mobilizar portugal antonio costa

2.- Existe ética na política, porque se não existir, não é política. Nada percebi sobre os trabalhos de Pedro Passos Coelho, numa empresa de formação e numa ONG. Às vezes dá jeito não perceber. Existe um emaranhado de coisas muito estranhas no seu procedimento passado, que pode não ser o de agora. Mas Pedro Passos Coelho é primeiro-ministro de Portugal, tem de esclarecer bem o que se passou e, sobretudo, não mentir. Não sei se mentiu, omitiu ou está lá toda a verdade, e é esse o ponto fulcral, como cidadão eu não sei, e deveria saber, mas como posso saber? Como não sei, então duvido, isso também é o que milhares de portugueses não sabem. Ou Pedro Passos Coelho nos tira todas as dúvidas, ou não tem possui condições para continuar como primeiro-ministro do nosso país, até porque um dia pode esquecer-se de muitas coisas que tem feito. Concordando ou discordando dele, tinha-o como um homem sério, agora não sei. Fez mal? Enganou-se? Não foi por mal? Ao menos peça desculpa, palavra agora tão usada na política, dantes era a sua demissão…

3.- Dia 28 do corrente mês, Francisco, Papa: “Descartam-se as crianças, descartam-se os jovens porque não têm trabalho e descartam-se os idosos com a desculpa de manter equilibrado um sistema económico no centro do qual não está a pessoa humana, mas o dinheiro”, todos são chamados a “combater esta venenosa cultura do descartável. Nós cristãos, juntamente com todos os homens de boa vontade, somos chamados a construir com paciência uma sociedade diferente, mais acolhedora, mais humana, mais inclusiva, que não tem necessidade de descartar quem é fraco no corpo e na mente.”

 

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto