Piscadelas de olhos à portuguesa

O panorama nacional dos mediáticos tem sido muito pródigo em piscadelas de olhos.

Da esquerda à direita, de cima para baixo, enfim de todos os lados, o que não faltam são piscadelas de olhos.

Paulo Portas piscou os olhos ao eleitorado do seu parceiro de coligação e da esquerda democrática, antecipando que a baixa do IRS tem a sua mãozinha. Convém que na hora de marcar a cruzinha, não se esqueçam que se houve baixa de no IRS, ainda que sejam apenas uns insignificantes “pontinhos”, foi graças ao CDS de PP.

Pedro Passos Coelho, não se contentou com uma mera piscadela de olhos, e vai daí, deu um abraço daqueles que só se guardam para os bons amigos, como o Zé Maria. E qual é o mal, perguntam os leitores?… Eu não vejo mal nenhum, porque não é pelo Pedro ter de ir para Primeiro-Ministro que o Zé Maria deixa de ser amigalhaço. Isso de ser Richiardi, ou Espírito Santo, agora não dá jeito nenhum, é certo, mas afinal o homem é ou não é Zé Maria?

Eu, que não fui educado numa salsicharia, mas numa família e na escola pública, não vejo mal nenhum, que se passe da simples e discreta piscadela de olhos, ao caloroso “abraçasso”, à moda do Caetano. Não, não… não é desse, é do Veloso!…

António Costa também não quis ficar atrás e foi ao Livre, de Rui Tavares, piscar o olho à esquerda livre e prometer batatinhas, se os esquerdistas ali federados, piscarem os olhinhos uns aos outros e se unirem para fazer dele, o próximo Primeiro-Ministro.

Marinho Pinto, do novo PRD, em que mudou a ordem do R, não ficou por menos e deu a sua piscadelita de olhos, aos populistas que estão estaladinhos pelo “strip tease” de qualquer coisa, na política, prometendo por a nu os seus rendimentos. Claro está que também piscou o olho a Passos Coelho, para o desafiar a um dueto, no “strip tease” das contas bancárias.

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Cavaco Silva, um pouco mais “fleumático” piscou o olho aos paladinos da regeneração da ética republicana, e avisou que o sistema partidário corria o risco de implosão.

O curioso é que toda a gente quis sacudir do capote essa piscadela de olhos. E nas reacções ao discurso Presidencial do 5 de Outubro, quase todos vieram a terreiro dizer que essa piscadela não era para eles, era para os outros.

Creio que foi um dos discursos mais lúcidos que o Presidente proferiu nestes últimos tempos, ou quiçá, mesmo o mais assertivo de sempre. Não nos esqueçamos é que Cavaco Silva, é o que é, graças ao sistema partidário e sobretudo graças ao PSD.

Foi assim uma espécie de síntese, que só pecou por tardia e não ser acompanhada por mais acção presidencial.

Exames fáceis

Por último, resta-nos a piscadela de olhos do Professor da TVI.

Confesso que já venho notando há algumas semanas, que o Professor Marcelo, tem vindo a piscar o olho a Passos Coelho, fazendo exames mais fáceis e menos exigentes, em matérias cruciais.

Desta vez, a piscadela do Professor deu muito nas vistas, porque foi acompanhada de contundentes reparos e riscos a vermelho no discurso presidencial de Cavaco Silva. O Professor Marcelo é fino, e não tem dúvidas que sem o apoio declarado de Pedro Passos Coelho, a sua candidatura não é viável. Por isso e por muito que lhe custe, não tem alternativa, a não ser, piscar o olho ao líder do PSD, e para não parecer muito mal, tentar disfarçar como puder.

O Professor é “independente” e livre, de tecer os comentários que quiser, e dar as notas que achar justas

E nós sabemos que também é livre de dar a sua piscadelita de olhos a Passos Coelho, “afinfando” em Cavaco, para preparar o seu caminho para Belém, embora saibamos que arriscar não é com ele.

O Professor pisca e pisca os olhos à esquerda e à direita, pisca aos professores, aos juízes, aos médicos, e ao povo. Ultimamente no que respeita à educação, por exemplo, tem dado uma no Crato e outra na ferradura, o que já é uma evolução, para quem tinha o Crato em alta consideração.

Marcelo até quer, embora faça vista grossa e dê uma de desentendido às investidas de Judite de Sousa, quando o confronta sobre a sua vontade de rumar a Belém. Mas fica sempre a ver se tem uma percentagem confortável nas sondagens, para depois, então sim, avançar. Só que às vezes, é tarde demais, porque outros que arriscaram e partiram na frente, vão obrigá-lo a ir atrás do prejuízo. E o Professor não está cá para isso…

Eu até gostava de o ver na corrida, envergando a camisola da TVI, com o slogan: – “…uma televisão, um comentador, um Presidente…”.

Seria uma grande homenagem a um dos homens fortes da comunicação social e da televisão democrática em Portugal, o saudoso Emídio Rangel, que nos tempos áureos da SIC, chegou a pensar em levar Pinto Balsemão a Belém, sob a mesma divisa.

Victor Dias