Semana: A moção de Costa

1.- António Costa apresentou a sua moção à candidatura de secretário-geral do PS. A sua leitura deverá ser atenta, embora o esboço seja genérico. Não é possível, por ora, verificar com profundidade o que vai acontecer. Diz, ele, que por todo o país vão existir reuniões para aprofundar os pontos em questão, espero que todos aqueles que votaram nele para primeiro-ministro, tenham uma palavra a dizer. A estrutura da sua moção, como arquitetura está bem esboçada, no entanto não refere medidas concretas e não dispõe, quanto ao meu parecer, a necessidade da Sustentabilidade, na sua quádrupla matriz: os desenvolvimentos económicos, ambientais, coesão social e cultura, embora se possam subentender no seu articulado; não se consegue, porém, perceber a forma, que o nosso povo compreenda, como vão jogar aqui a economia e as finanças, esta é uma das falhas, importantes, que a moção radica. O que vai ser dos sem-abrigo não está cá! A legítima igualdade de género fica-se nas sombras, sem sol claro! Os mais pobres, a educação, a saúde, a justiça, a paz, estão remediadas nesta moção, mas não possui nem tempos, nem espaços. É necessário esclarecer, porque a moção em si não o diz.

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Imagem: https://pt-br.facebook.com/MobilizarPortugalAntonioCosta

2.- O antigo ministro Mira Amaral, agora gestor do BIC, vem dizer o que já sentíamos: “À pala da fiscalidade verde, governo sacou mais aos contribuintes”, e isso é verdade. Só que Mira Amaral o afirma porque está a defender os interesses das grandes petrolíferas, não porque esteja preocupado com o ambiente. Mais concretamente, já o escrevi aqui, os impostos sobre todos os produtos advindos do crude têm de ser taxados mais, para defesa da matéria-prima. O problema não está na “taxa”, porque é inevitável em matérias-primas finitas, mas para onde irá esse dinheiro. Diz o ministro para devolução aos contribuintes, olha pega!, os contribuintes pagam e depois recebem sem juros. O imposto estria certo se fosse inteirinho, inteirinho mesmo, para a ciência, inovação e criatividade, afim de não dependermos da energia do crude, caso contrário é mesmo “sacar aos contribuintes”, nem mais, nem menos.

3.- Palavras de Francisco, bispo de Roma: “Sonho com uma Igreja Mãe e Pastora. Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é Evangelho puro. Deus é maior que o pecado. As reformas organizativas e estruturais são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos de Estado.” (La Civiltà Cattolica).

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto