Semana: Mortes nas urgências

1.- Há algumas semanas somos surpreendidos por mortes acontecidas nas urgências de alguns hospitais, o que é muito preocupante. As causas inerentes a essas mortes estariam na falta de médicos e de atendimento tempestivo. Portugal possui, felizmente, dos melhores médicos e enfermeiros do mundo, estando cotados como dos melhores especialistas em todas as doenças. Estas mortes fazem-me lembrar que em alguns países já se fazem contas sobre morrer-ou-não-morrer, ou seja, estima-se o período médio de vida e verifica-se se o tratamento sai mais caro que hipotéticos ganhos se não viver, financeiros, claro está. Esta forma de atuação é a mais abjeta evolução de uma teoria da morte e a ser aplicada em Portugal constitui um atentado aos valores que sempre defendemos. Acreditamos que as mortes nas urgências, – que existem sempre,- não sejam por escassez de médicos e enfermeiros, até os estamos a exportar, depois de os formar, porque se assim for estamos num país não-civilizado a contas com as contas. Será de editarmos um “Paris” em Portugal e nas praças maiores de todo o mundo, em defesa da vida e da qualidade de vida. Não somos patacos, nem euros, mas mulheres e homens que temos o direito de ser tratados com dignidade.

medico

2. – Dois casos aberrantes e que não poderemos compreender ou aceitar, em vez da sociedade tratar da (re) ligação dos homens e das mulheres entre si, querem fazer-nos acreditar que a não-ligação será a forma de ser e estar. Um brasileiro condenado à morte e sem apelo, nem agravo. Foi morto porque levava para a Indonésia droga. Outro que possuía um blogue, na Arábia Saudita, condenado a prisão e a mil chicotadas, cem por semana. Estas formas de bestialidade indicam-nos que estamos a regredir nos tempos para a indiscriminação da vida, trata-se a vida como se fosse um protótipo de determinadas crenças, – que outras já o fizeram há séculos-, e não duma vida criada à imagem e semelhança de Deus. Estas formas de atuar devem ser condenadas veementemente, não traduzem qualquer tipo de leis respeitáveis sejam de caráter religioso ou não. Ficar de braços cruzados é estar na continuidade a uma grande guerra, que nunca terminou.

3.- Discurso aos jovens nas Filipinas, em 18 de janeiro, do bispo de Roma, Francisco: “Uma segunda área onde sois chamados a dar a vossa contribuição é mostrar solicitude pelo meio ambiente. Isto não se deve apenas ao facto de que o vosso país, mais do que outros, corre o risco de ser seriamente afetado pelas alterações climáticas. Sois chamados a cuidar da criação, não só como cidadãos responsáveis, mas também como seguidores de Cristo. O respeito pelo ambiente requer mais do que simplesmente usar produtos não poluentes ou reciclá-los. Estes são aspetos importantes, mas não suficientes. Temos necessidade de ver, com os olhos da fé, a beleza do plano de salvação de Deus, a ligação entre o ambiente natural e a dignidade da pessoa humana. O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus, tendo-lhes sido dado o domínio sobre a criação (cf. Gn 1, 26-28). Como administradores da criação, somos chamados a fazer da Terra um belíssimo jardim para a família humana. Quando destruímos as nossas florestas, devastamos o solo e poluímos os mares, traímos esta nobre vocação.”

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto