Falta de comparência

As agendas políticas das legislativas e das presidenciais podiam não se misturar. Sim podiam, mas não era a mesma coisa…

Na minha simples condição de cidadão eleitor, preferia que tudo viesse a seu tempo, quer dizer, que por agora estivéssemos a pensar nas próximas eleições, e preocupados apenas com as propostas que os partidos incluem nos seus programas de governo. E digo de governo, porque tenho dificuldade em acreditar em programas eleitorais.

Bastava duas folhas de papel A4, para que nos apresentassem as 10 medidas fundamentais, que nos esclarecessem sobre o que cada partido se propõe cumprir, caso vença as eleições. E tudo deveria andar à volta desses mesmos temas e das diferenças políticas que distinguem os partidos uns dos outros.

Mas não, não é nada disso que está a acontecer. Pelo contrário, tudo está de tal forma misturado que mais parece uma balbúrdia, em que se confundem legislativas com presidenciais, e em certos casos até, já se atiram para a “salada russa”, as eleições que estão mais distantes, as autárquicas.

Não me parece bem, não me parece mesmo nada bem, que os partidos e os seus dirigentes, vivam ansiosos e impacientes, passando para a opinião pública, a ideia que alguma coisa os está a preocupar, e a preocupar muito.

Apetece-me parafrasear a minha avó: – “…é preciso ter calma, dar tempo ao tempo e não pôr o carro à frente dos bois…”.

Sampaio da Novoa

Seja lá como for, o PS já lançou o seu presidenciável, e está a levá-lo em ombros, terra-a-terra, por todo o país. Assim, queiramos ou não, a campanha presidencial está na estrada, e Sampaio – o novo -, seguindo o exemplo da formiguinha, vai grão-a-grão fazendo o seu caminho, conquistando a tal notoriedade que diziam que lhe faltava.

Enquanto isto, PSD e CDS, cuja coligação está amarrada por um fio de lã, ainda não decidiu quem seria quem a Belém…

Pode acontecer que quando esse momento de anunciar o presidenciável da sua paixão chegar, seja tarde de mais. E ainda que corram atrás do prejuízo, como aconteceu com Sampaio Iº, já estejam todos derrotados, por falta de comparência do centro-direita.

Os momentos políticos não são todos iguais. E há momentos em que os líderes têm de compreender a importância do agora ou nunca. Mas para isso, é preciso golpe de asa e clarividência política. Ora, isso é uma qualidade rara…

É provável, quiçá, que Rio e Marcelo, entretidos com os seus tabus, fiquem a ver Sampaio por uma “Nóvoa”.

Quando se quer mesmo uma coisa, tem de se ir buscar, não se pode ficar à espera que alguém a traga, ou que essa coisa venha ter connosco pelo seu próprio pé…

Rio e Marcelo fazem lembrar aqueles valentões que têm muita treta, mas quando é preciso mostrar quem tem força, e arriscar a pele, guizalham para os lados… agarrem-me, agarrem-me senão eu vou-me a ele…

Neste caso, bem podem esperar que ninguém, por umas e por outras razões, de um lado e do outro da coligação, vai dar o empurrão que ambos esperam. E enquanto estamos neste chove e não molha, o terreno vai sendo ocupado pelo candidato académico.

Victor Dias