Bolinha de Natal

1.- Muitos de nós cantamos ao pinheiro de natal: “Meu bom pinheiro de Natal/que linda é a tua verdura”, e ela é bela, porque as luzinhas penetram nas bolinhas de natal e reproduzem a Luz. Há muitos anos, mesmo muitos, na árvore de natal penduravam-se chocolates e outras prendas. Era Natal, e todos nós ficávamos embriagados, e bem!, pela candura do verde pinho e dos cantares das janeiras. Aquela a árvore, era, e é, o símbolo de uma noite em que as famílias se encontravam e não queriam “barulhos”. Uma Paz sentida e vivida, naquela noite, com o presépio, onde Jesus nascia nas vidas, pelo menos dos mais pequenos. Até a Lua e as Estrelas brilhavam com mais força, no teto do nosso planeta. As mesas com boas iguarias e o bacalhau cozido, tudo para comemorarem o nascimento da Luz. Essa Luz que brotava das “bolinhas”, de vidro!, iluminadas pelas velas, ainda sou do tempo das velas, depois vieram as “luzinhas a apagar e a acender”. As velas eram pequeninas e tinha-se cuidado para não pegar qualquer incêndio. Até o vaso cheio de areia, para colocar o pinheiro, era um determinado vaso, que só se usava no Natal.

2.- Não esquecia-mos, como não nos esquecemos hoje, do presépio. O brilho das bolinhas de Natal só era rico, com as imagens do presépio, se não para que serviria esse brilho? A candura e a beleza do amor de Natal estão nisso, como um segredo bem guardado, como quando íamos ao fogão, junto da chaminé, para vermos o par de peúgas ou o guarda-chuva de chocolate que tinham descido pela chaminé abaixo. Vivia-se, como se vive hoje, da Luz, dessa luz que a todos os homens e mulheres de boa vontade, dá a Paz e a serenidade da Justiça, comemorada em um de janeiro.

bola natal

3.- Tudo é bom, quando somos bons. Quando, também, a luz das bolinhas de Natal infundem na nossa vida em abundância, e nos projetamos para escutar as manhãs das madrugadas dormidas ao som, chilrear, dos pássaros a moverem-se nos ninhos. No ninho incontável do Universo luminoso, onde nós nos construímos. A magia do brilho das bolinhas de Natal, que mesmo de plástico, não perderam forças, são os ouvidos continuados que emergem dos presépios, a lembrar a força das águas poluídas existentes e que o Natal e as suas bolinhas a brilhar, querem reverter para a limpidez dos regatos. E lembremo-nos que quanto ao pinheiro de Natal, “Meu bom pinheiro de Natal,/Que bela é a tua verdura./Iluminas tudo sem igual/No monte e na planura./Assim, no Inverno, és só tu/ Que brilhas quando tudo é luz..”.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto