Recandidato à presidência do PSD

Pedro Passos Coelho apresenta na próxima quinta-feira, 4 de Fevereiro, em Lisboa, a sua recandidatura à presidência do PSD.

Na verdade, o ainda líder dispõe de alguns trunfos políticos que lhe dão uma significativa vantagem, diante eventuais oponentes internos que possam surgir.

É um facto, que o Governo liderado por Passos Coelho conseguiu, ao arrepio de todas as previsões, encerrar o programa de assistência antecipando o prazo, e logrando concluí-lo com uma saída limpa. Além de ter conseguido igualmente o pleno, no reconhecimento internacional sobre a recuperação da credibilidade das nossas instituições e sobre a entrada da economia nacional nos eixos.

No fim da legislatura, Pedro Passos Coelho alinhou vários factos abonatórios das suas qualidades políticas e perfil de Primeiro-ministro, com uma bateria de indicadores positivos. A testemunhar tudo isso, ele pode invocar relatórios publicados por instituições de inequívoca credibilidade, que tornaram públicos dados importantes, como por exemplo a melhoria das performances do emprego, da baixa histórica das taxas de juro da dívida pública, da melhoria das condições de financiamento externo do Estado, da antecipação de operações do serviço da dívida e melhoria das condições para o investimento estrangeiro, em consequência da subida dos índices de confiança internos e externos.

É claro que a sua teimosia, um defeito para os seus adversários, ou determinação, uma virtude para os seus apoiantes, a par da sua fixação em ir além dos objetivos traçados no memorando de entendimento, e de querer ser mais ambicioso, não foram qualidades reconhecidas por todos da mesma maneira. Houve muita gente que entendeu esses atributos de personalidade, como obstinação inconsequente.

Considero no entanto, que face ao quadro actual, e embora possam ainda surgir outras candidaturas com possibilidades de obter um bom posicionamento no seio dos social-democratas, Passos Coelho, atendendo aos factos que anteriormente invoquei, e em política os factos contam e contam muito, é já um sério candidato à vitória. Tanto mais, que saindo na frente, leva consigo a vantagem de ir marcando terreno.

Claro está que vai ter também de arrostar com as dificuldades decorrentes de algumas notícias que têm vindo a público, e que vão destapando alguns erros cometidos em plena contagem decrescente para o combate eleitoral.

Questões políticas como a não devolução da sobretaxa do IRS, o crédito fiscal, a nomeação de executivos para institutos, autoridades reguladoras e empresas públicas, cujas nomeações não tinham passado no crivo da comissão parlamentar que avaliou as propostas do seu Governo, têm rebentado umas a atrás das outras.

É pois previsível que Passos Coelho tenha de mudar de estilo, e ser mais cuidadoso na escolha dos seus colaboradores mais diretos.

Creio que é inevitável um refrescamento da sua equipa política mais restrita, para reganhar credibilidade pessoal e conquistar mais confiança.

Não terá vida fácil, e o mais provável é que no congresso do partido que está aprazado para breve, chova um coro de criticas, por pate dos seus oponentes internos.

Uma sugestão pessoal a Passos Coelho

Se Pedro Passos Coelho vencer as eleições e continuar Presidente do PSD, caso, um dia, regresse a S. Bento, para assumir de novo a chefia do Governo de Portugal, não poderá voltar a cometer o erro de querer “…que se lixem as eleições…”.

Para mim que sou social-democrata, e que apesar de o ter criticado em certos momentos em que a meu ver não esteve bem, reconheço em Passos Coelho o necessário sentido de Estado e da responsabilidade que o Portugal de hoje precisa.

Mas não posso deixar de lamentar que o PSD tenha morrido na praia, a escassos pontos percentuais de obter uma nova maioria eleitoral, precisamente porque falhou na sua estratégia e não cuidou atempadamente de preparar as eleições que iam chegar no fim da legislatura.

Perdemos a maioria absoluta por culpa própria. E perdemo-la porque não houve uma gestão inteligente do calendário político e eleitoral. Um calendário que recomendava, quer uma leitura social mais atenta e sensível, como maior competência no planeamento eleitoral.

Se a direção nacional do partido, liderada por Passos Coelho, Primeiro-Ministro, tivesse atempadamente percebido que era necessário aliviar os sacrifícios e o esforço das famílias portuguesas, e estabelecesse uma ordem de prioridades governativas que fosse socialmente mais amigável, certamente que os resultados eleitorais teriam sido outros.

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Melhor do que prometer amanhãs que cantam, é ter um pássaro na mão. Afinal, de que nos serviram as promessas da antiga Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque? E que utilidade tem agora o seu ato de contrição e desilusão?

Sabemos hoje, o quão desastroso foi para Portugal termos perdido a maioria. Mas de quem é a culpa?… Do povo não é certamente.

Precisamos de preparar o futuro, e não negligenciar eleições, porque Portugal clama por nós, e porventura antes do que pensamos, seremos de novo chamados ao leme, e retomar a rota do desenvolvimento.

Nas próximas semanas, veremos se temos hoje ao leme, um Primeiro-Ministro capaz de nos fazer rumar a todo o vapor, para fora da zona de perigo. Do perigo da bancarrota, e destas águas conturbadas e revoltas, a que regressamos, fazendo agora soar, por todo o lado, as sirenes de alarme…

A ver vamos, se Pedro Passos Coelho vencerá esta espécie de primárias, que podem ser perfeitamente a primeira etapa, no seu regresso à chefia do Governo, onde aliás devia estar, por ter sido o escolhido.

O que eu espero muito sinceramente, é que esta cura de oposição, o ajude a refletir sobre tudo quanto fez, de bom e de menos bom, e que sirva para aprender com os erros, tornando-se mais humilde, e ainda melhor político e governante.

Até ao lavar dos cestos, a vindima no PSD prossegue…

Victor Dias