Maia recebeu com entusiasmo ginastas medalhados a ouro e bronze

Ginástica da Maia medalhada

Os ginastas do Acro Clube da Maia conquistaram uma medalha de ouro e duas de bronze nos Campeonatos do Mundo de Ginástica Acrobática, que decorreram em Putian, China. Desta jornada mundial, fica o sentimento de dever cumprido, por entre alguma mágoa pela falta de apoios financeiros por parte da Federação Portuguesa de Ginástica. Ainda assim, os atletas valorizam o facto de poderem competir ao mais alto nível.

O par feminino Joana Moreira / Rita Ferreira sagrou-se campeão do mundo no grupo de idades 12-18 anos e, no mesmo grupo de idades, 12-18, a quadra masculina Henrique Silva / João Pereira / Henrique Piqueiro / Miguel Silva conseguiu a medalha de bronze, com a melhor nota artística de toda a prova.

A outra medalha de bronze foi conquistada pelo par feminino Beatriz Carneiro / Bruna Gonçalves, no grupo de idades 11-16 anos.

Foram 17 os ginastas maiatos que defenderam as cores nacionais no Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática Grupo de Idades e Sénior (de 23 de março a 3 de abril).

O orgulho instalou-se na Maia e no Acro Clube, por entre dirigentes a treinadores e, claro, por entre os pais, os principais impulsionadores das proezas destes atletas. O primeiro momento de festa deu-se com a receção no aeroporto Francisco Sá Carneiro ao par Beatriz Carneiro / Bruna Gonçalves, no sábado, dia 26 de março. Seguiu-se mais um momento de apoteose no aeroporto, na última quinta-feira, dia 31, quando da chegada do par feminino campeão e da quadra masculina. Na receção, uma multidão incluiu o presidente da Câmara Municipal, Bragança Fernandes, e o presidente do Acro Clube da Maia, Fernando Barros.

Uma questão de apoios

Tal como a bandeira nacional subiu bem alto e elevou o entusiasmo dos portugueses, da mesma forma os desabafos dos pais acerca da falta de apoios financeiros a esta delegação tiveram maior eco. Foram os pais que pagaram metade da despesa da deslocação, cerca de mil euros, já que a Federação só atribui verbas aos seniores.

Patrícia Moreira, a mãe de Joana, admite que “noutros clubes os pais têm que pagar na totalidade, mas, infelizmente, neste país, são estes miúdos que mais têm trazido medalhas e continua a ir tudo para o futebol, que não tem trazido nada. Quem está à frente do Desporto devia repensar tudo isto, pois quem faz brilhar Portugal lá fora, devia ser recompensado cá dentro. Acho que eles merecem mais do que os futebolistas, que fazem só aquilo e ganham por isso. A minha filha não, levanta-se todos os dias muito cedo para treinar, vai para escola e depois ainda treina ao fim do dia.”

Eduarda Ferreira, mãe da Rita, garante que “é um esforço grande por parte das famílias, pois, além das viagens e estadia, é preciso pagar os fatos da competição e as mensalidades, sendo que esta modalidade requer muitas verbas e um grande acompanhamento dos pais”. Graças ao estatuto de alto rendimento da Rita Ferreira, inscrito no contrato, a Federação forneceu o fato de treino e “mais nada”, esclareceu Eduarda Ferreira, que deixa o reparo: “A Federação devia repensar os valores que estes meninos levam pelo mundo fora, algo que é bom para o país”.

A ajuda da autarquia

Bragança Fernandes saudou atletas e familiares e reconheceu que é preciso acarinhar os ginastas ainda mais. Da parte da autarquia, o presidente salvaguarda que é feito o possível para ajudar a levar os atletas da Maia às competições internacionais, “comparticipando com 50% das despesas, mas não só os do Acro Clube”. As Federações deviam pagar estas despesas, frisou Bragança Fernandes, que esclareceu que o município “despendeu cerca de 15 mil euros nesta atividade”. As centenas de jovens da Maia que praticam ginástica “treinam muitas horas e fazem muitos sacrifícios, só assim foi possível tornarem-se campeões do mundo. Somos bons, somos os melhores”, sublinhou.

A Joana e a Rita vinham com a sensação de dever cumprido e de que todo o trabalho “compensou” e as encheu de um enorme “orgulho”. Henrique Silva, da quadra masculina que conquistou medalha de bronze, afirmou-se bastante orgulhoso e satisfeito por terem ultrapassado as primeiras dificuldades de adaptação aos horários na China e quase conquistarem medalha de ouro. O ouro escapou à equipa do Acro Clube da Maia por apenas 0,1 pontos (e a prata por ainda menos: 0,05).

Quanto à falta de apoios, os atletas são unânimes em valorizar o facto de poderem competir. Rita Ferreira afirmou que “há Federações que não deixam os atletas participarem nos campeonatos quando não têm verbas e é preferível que nos deixem ir à nossa custa, com ajudas do clube e tentando angariar patrocínios”.

Henrique Silva também considera ser preferível “irmos à nossa custa e conseguirmos trazer as medalhas, do que simplesmente não ir e não haver medalhas para ninguém”. Os atletas deixam, no entanto, o apoio às empresas da terra para que ajudem o mais possível em próximas deslocações.

Lipor também ajudou

Fernando Barros, presidente do ACM, confirma que as famílias tiveram que pagar metade das despesas, mas salienta o esforço que o clube realizou juntamente com a Câmara Municipal da Maia e a Lipor para garantir o apoio para a outra metade dos custos da deslocação. Tal “só foi possível devido ao apoio inequívoco destas entidades, e de todo o clube que se desdobrou em iniciativas de angariação de fundos de toda a espécie, fazendo com que, no final, este conjunto de apoios reduzisse a contribuição dos pais em 50%. Portanto, é uma falácia quando se diz que estes ginastas não tiveram ajudas, nunca são as que entendemos como justas, mas serão as possíveis, e acima de tudo bem vindas”.

Logicamente, que estes resultados serão a maior ferramenta de Marketing que o clube e a modalidade poderão ter, concorda Fernando Barros: “quanto maior for a visibilidade alcançada, maior poderá ser a disponibilidade para aparecerem mais ajudas. Nunca estamos e nunca estaremos satisfeitos, mas não faremos disso uma limitação ao nosso crescimento e desenvolvimento. Foi sempre esta a postura do ACM ao longo da sua história, e talvez tenha sido essa a razão pela qual chegamos onde chegamos”.

Este dirigente acrescenta que a “Câmara da Maia tem dado apoio substancial ao desporto concelhio e que o ACM, em particular, tem vindo a ser gradualmente apoiado”. Fernando Barros acredita que, no futuro, irá continuar a ter apoio, “provavelmente de forma mais enfática e visionária”, sublinhando, “queremos mais ajudas? Sem dúvidas que não estamos satisfeitos, queremos mais apoio, e os resultados obtidos fazem destes magníficos ginastas credores de mais apoios efetivos”.

Uma coisa é certa, as medalhas trazidas pelos ginastas são “uma boa divulgação do ACM, acima de tudo, uma enorme promoção da cidade da Maia e do país, no mundo”. E Fernando Barros lembra que  a mesma divulgação ampla já decorre com o Torneio Internacional de Ginástica Acrobática (que se realiza anualmente em Março), em que a Maia e Portugal, através do Acro Clube, já se tornaram “uma referência de organização”, atingindo o patamar de “maior torneio do mundo da modalidade”.

A primeira medalha conquistada pelo ACM em campeonatos do Mundo e da Europa remonta a 2009. Já são 13 medalhas ganhas por ginastas do clube nos últimos anos. “O que reforça o nosso clube como uma das potências Mundiais da modalidade”, afirma Fernando Barros.