Trabalhar juntos

Gijon

1.- Quando há alguns anos me desloquei, por razões profissionais, à região de Gijon, verifiquei que o desemprego e as condições sociais eram alarmantes naquela província espanhola. Estivemos no município com as melhores condições de ataque ao desemprego, ao desenvolvimento de escolas e da formação profissional, em conjunto com as associações patronais e sindicais; eram “escolas” modelo, de frequência e aperfeiçoamento. Existia uma “guerra” dura – que não sei se ainda durará -, contra o desemprego e pelo desenvolvimento. Nem que o queira referir não me lembra, agora, qual o partido político que estava no poder e na oposição. Mas, fosse qual fosse, a estratégia era igual, por que o município também fazia parte da formação e de uma plataforma pelo emprego, era mesmo dinamizado por ele. Como os protocolos assinadas acabavam sempre no meio dos mandatos, não se extinguiam, continuavam, por que tinha sido com isso que todas as partes tinham concordado. O que é certo, mesmo que fosse geringonça funcionava, o propósito era comum, criar emprego e a finalidade destruir o desemprego.

2.- Este compromisso assinado por todos, as associações patronais e sindicais, os poderes políticos e os partidos políticos, possuía objetivos e metas mensuráveis, para cada um dos outorgantes, não a nível nacional, mas localmente, na região. Todas as partes cumpriam; uma comissão seguia atentamente a monitorização dos compromissos. O desemprego baixava e a formação profissional era cumprida integralmente. Custava dinheiro dos parceiros, dos seus bolsos, que, por sua vez, o controlavam. Não posso hoje afirmar, mas creio que os subsídios para isto, da UE ou do reino espanhol, não existiam, eram as próprias forças geradoras do acordo que os geravam. Na altura ainda recolhi uma série de dados e os protocolos entregando-os aos poderes autárquicos da Maia, que devem ter sido despachados, para algum arquivo, ou melhor para resíduos, dizer para o “lixo” é forte de mais.

3.- Passados estes anos vejo o município onde vivo com desemprego – a Maia -, vejo tantos “descartados” a andar por aí – que nem o seu saber durante tantos anos aproveitam -, e assumo que o município, a região, não é capaz de gerar esta riqueza que é conversar com todos. Lastimo que os poderes instituídos sejam surdos, mudos e cegos. Mas como lá vêm as eleições autárquicas – certamente com o filme e os atores do costume -, lembro novamente esta ideia de construir um compromisso em que todas e todos possam ser fazedores de riqueza, distribuída com equidade. Se sou ouvido ou não, isso é quase certo que não, mas não deixarei de exercer a cidadania, por muito que os poderes sejam imprudentes, mentirosos e malcriados.

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental