Diagnóstico do bairro do Sobreiro está a ser desenhado

A Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, Isabel Oneto, está a visitar os municípios com quem o governo assinou o Contrato Local de Segurança – CLS. No último dia 29 de agosto, a governante esteve de visita à Maia, reunindo com o presidente da Câmara, Bragança Fernandes, e visitando depois o bairro do Sobreiro, onde será focada a intervenção no âmbito deste protocolo.

O CLS pretende “encontrar respostas adequadas às especificidades sócio criminais de cada território e promover a cooperação entre a administração central, as autarquias e as comunidades locais”, defende a representante do Ministério da Administração interna (MAI).

Por enquanto, esta incursão de Isabel Oneto está relacionada com o levantamento de dados e necessidades do bairro com vista à implementação do programa de intervenção posterior: “estamos ainda a elaborar o diagnóstico local de segurança com grande empenho e apoio da Câmara da Maia, na sequência do contrato já celebrado. E depois, conhecendo as realidades com que estamos a lidar, iremos definir políticas de intervenção. Precisamos de conhecer um conjunto de fatores e de informação que passam por vários ministérios. Daí, existir a comissão interministerial de acompanhamento do CLS.

É preciso articular dados e esforços de ministérios como a Saúde, Educação, Segurança Social e Justiça, que, por sua vez, articulam com os responsáveis da Câmara Municipal a sua ação, dado que é preciso conhecer os fluxos do bairro e termos a perceção da forma como as pessoas fazem a gestão do seu território. Tudo isto é relevante para se definirem as políticas de intervenção que diminua a criminalidade”.

De acordo com Isabel Oneto, em quase todos os bairros os problemas fazem-se sentir na zona envolvente e no Sobreiro confirma-se a situação: “aqui no bairro os indicadores são muito positivos, mas os problemas têm a ver com os indicadores que surgem à volta do bairro. Todas estas matérias serão trabalhadas a partir de setembro com base nos dados fornecidos pela Câmara e pelos ministérios”.

Forte componente de prevenção

O CLS tem uma componente muito forte de prevenção, mas, diz Isabel Oneto, “obviamente que as autoridades irão intervir em medidas de repressão sempre que for necessário. De facto, o objetivo do CLS é agir muito na prevenção, em especial na prevenção da delinquência juvenil. Não queremos que os nossos jovens sejam captados pelos grupos de delinquência, mas que façam um percurso normal de vida. É o que almejamos”.

Os meios no âmbito do CLS dependerão do tipo de diagnóstico gizado para cada comunidade. O plano de intervenção também tem uma grande caraterística de flexibilidade, assegurou a Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna, sublinhando que “não se trata de um modelo único e fechado, mas sim adaptado a cada realidade onde vai concretizar-se e que adota as medidas de acordo com a própria forma de resposta da comunidade em causa. Aqui, a grande mais-valia é que são as autarquias que articulam com as comissões interministeriais a concretização da intervenção e monitorização dos resultados”.

O CLS não tem duração estabelecida e não traz resultados imediatos, “é uma procura constante de respostas a médio e longo prazo e terá uma monitorização atenta e permanente”, garantiu Isabel Oneto.

Bragança Fernandes ansioso por que CLS saia do papel

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Bragança Fernandes acompanhou de perto a visita conhecendo os cantos do bairro, os “buracos” que é preciso mandar consertar – e dos quais dava indicações de imediato ao técnico que o acompanhava: “temos que mandar arranjar isto” – e os rostos dos moradores, que, à-vontade, o convidam para um cervejinha no bar local e recebiam em troca o pagamento de uma rodada pelo autarca.

O nível de delinquência aqui é “baixo”, defendeu, explicando ao Primeira Mão, que isso também se deve em boa parte ao “trabalho que a autarquia desenvolve em parceria com instituições como a Cruz Vermelha e a Santa Casa da Misericórdia”. Agora, o autarca reconhece a importância de se aprofundar o trabalho junto dos jovens e que “eles sejam encaminhados para um bom rumo”. Por isso, só quer que o contrato “saia do papel”. Bragança Fernandes recordou que assinou o CLS há cerca de dois meses e só agora Isabel Oneto e sua equipa vieram cá, “e muito bem, mas fico à espera”.

O autarca maiato diz que confia em Isabel Oneto e dá-lhe os parabéns por este grande protocolo com a Maia, mas bate na mesma tecla: “agora só é preciso que o contrato saia do papel e sejam enviados para cá mais agentes policiais, sem esse reforço não se faz nada”.

Isto porque já é feito o trabalho de “monitorização nas vertentes social e psicológica com a presença aqui de vários técnicos. O problema é o resultado na delinquência fora do bairro com problemas de alguns destes jovens que aqui vivem. É isso que se quer combater”, frisou o edil.

Uma das estruturas no bairro que Bragança Fernandes mostrou a Isabel Oneto foi o Centro Comunitário, instalado numa antiga escola e gerido pela Santa Casa. Por este espaço passam diariamente cerca de 150 pessoas, que são apoiadas de várias formas.

No Centro é prestado serviço de: emergência alimentar (80 refeições diárias); Tempos Livres para as crianças; refeições ao domicílio; disponibilizadas salas para aulas do IEFP; polo de distribuição do Banco Alimentar (em protocolo com a Câmara) – 140 famílias são apoiadas mensalmente; banco de cadeiras de rodas (em protocolo com os rotários).

Angélica Santos